Jornalismo do Diabo

Jornalismo do Diabo

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Quando se inicia o estudo do jornalismo você escuta a seguinte frase: “O médico pensa que é Deus. O jornalista tem certeza que é.”

 

Quem é alheio ao estudo do Jornalismo e do seu universo de trabalho, deve se perguntar por que o jornalista infla tanto seu próprio ego.

 

O jornalista registra a História. Ele é o elo fundamental entre passado, presente e futuro. É o jornalista que cria a memória de uma sociedade.

 

Sua voz, democrática, não conhece fronteiras, não diferencia credo, cor, idade, renda, opção sexual, nada. Ela atinge a todos.

 

Numa análise fria, podemos sim, afirmar que o jornalismo é um dos ramos profissionais mais importantes criados pela Humanidade.

 

Mas, agora voltando a frase que motivou toda esta resenha acima, onde o jornalismo se diz Deus, temos um contraponto no jornalismo brasileiro. No Brasil, o jornalista, exceto raras exceções, se apresenta muito mais como o Demônio do que como Deus.

 

O jornalismo, para cumprir o seu papel de ser o espelho da consciência crítica de uma sociedade num determinado espaço de tempo, precisa ser frio e imparcial. Muito diferente de hoje, onde uma carga ideológica fortíssima influência as matérias que circulam nos veículos de comunicação.

 

Políticos e líderes conseguem, sem dúvida alguma, influenciar pessoas engajadas no processo político, mas, é o jornalista o responsável por influenciar a grande massa.

 

As pessoas comuns “criam” os fatos, e cabe ao jornalista manipula-los e expô-los a população.

 

O apocalipse para o qual ruma a sociedade brasileira possui diversos responsáveis. Entre os mais notáveis estão os militantes dos Direitos Humanos.

 

Esses militantes invertem valores, e tendem transformar malfeitores em vítimas de uma sociedade opressora.

 

Mas quem dá voz a eles? São os jornalistas. São eles que fazem seus gritos ganharem ecos na sociedade, e são eles quem abafam as vozes dos brasileiros de bem.

 

São os jornalistas que encurralam nossos policiais entre a mira dos fuzis dos traficantes e a fúria implacável da opinião pública.

 

Estamos vivenciando o momento sócio-político mais crítico de toda a História republicana deste país.

 

E os nossos jornalistas, como se tivessem vendido as almas, se mostram verdadeiros Jornalistas do Diabo.

 

Limitam-se a noticiar os acontecimentos de forma rasa e parcial, não dão a devida notoriedade que o momento merece.

 

Acabamos de presenciar o capítulo mais vergonhoso da História do Congresso Nacional, onde nossos parlamentares receberam um código de barras e um preço por seus votos para aprovarem a PLN 36. Projeto de Lei este que anistia a presidente da República do crime de responsabilidade por improbidade administrativa e não cumprimento da lei orçamentária.

 

Um jornalismo sério há muito já teria informado a população de maneira precisa a gravidade da situação.

 

São doze anos de conivência com os mandos e desmandos deste governo, um dos mais nocivos da História deste país. Doze anos sendo um mero instrumento no projeto de Poder daqueles que comandam o país.

 

A esperança é que ainda existem homens e mulheres de coragem, jornalistas honrados, que travam uma luta, até aqui, desigual em defesa do bom jornalismo e de um país mais digno. São a estes que devemos dar ouvidos e escutar suas vozes. Pois quando o bem vencer, serão estes lembrados por sua coragem, por sua luta quase solitária na construção de um país melhor.

 

São a estes que devemos agradecer por seus esforços para evitar que a História não seja reescrita pelos derrotados do passado.

 

E quanto aos maus jornalistas, vendidos ideologicamente a um governo corrupto e inescrupuloso, espero, sinceramente, que um dia se arrependam do seu papel na desconstrução do país.

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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