Jaques Wagner se enganou: Carlos Marighella não foi assassinado!

Jaques Wagner se enganou: Carlos Marighella não foi assassinado!

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Ilustríssimo Governador Jaques Wagner, me estranha o fato de ninguém ter-lhe dito antes, mas o Senhor se enganou ao declarar que o comunista Carlos Marighella foi assassinado no Governo Médici. Não é verdade. Marighella foi muito bem morto, isso sim!

 

“Assassinado” é um termo forte, não deveríamos esvazia-lo por pouco. Como fez o Senhor ao referir-se a morte do guerrilheiro, em comentário que justificava a decisão de mudar o nome do “Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici” para “Colégio Estadual do Stiep Carlos Marighella”. (Stiep é o bairro onde fica o colégio.)

 

Cinquenta mil pessoas são assassinadas todo ano no país, Vladimir Herzog foi assassinado, os jovens “justiçados” no Araguaia por quererem abandonar a Guerrilha foram assassinados… Mas Marighella? Não, ele não, Governador!

 

Carlos Marighella não abandonou a guerrilha quando teve chance, preferia a via armada como alternativa política. Filiado ao clandestino PCB desde 1934, fundador do grupo armado mais aterrorizante e temido da época (ALN), escolheu a vida bandida guerrilheira, tal qual Che Guevara. Teve o mesmo fim.

 

Chega a ser nauseante, um dos poucos bem feitos do Regime Militar e o Senhor, todo pimpão, tenta desfazê-lo diante do povo baiano. Alto lá!

 

O dia em que Marighella morreu foi um dia especial na história brasileira, um dia em que estivemos mais próximos dos nossos primos ricos norte-americanos. Naquele quatro de novembro de 1969 tomamos emprestado uma lei muito comum naquelas bandas do Ocidente.

 

Carlos Augusto Marighella, antes político, posteriormente guerrilheiro cruel e sanguinário, foi julgado, condenado e teve sua pena executada pelo policial que o matou, no curto espaço de um tiro. Pena de morte! Jamais no país um processo penal tramitou com tamanha celeridade.

 

Por um dia vigorou a sentença máxima no país, e foi muito bem utilizada. Dia histórico, repito, para ser lembrado sem nenhum pesar. A Justiça foi feita! Crimes foram cometidos e pagos. Sem choro, sem velas, somente sangue no chão. Na Alameda Casa Branca, São Paulo. A História foi escrita pelo cano de um revólver. Santo revólver.

 

Jaques Wagner, PT, governador da Bahia desde 2007. Antigo admirador de Carlos Marighella. | Créditos: Manu Dias.

Jaques Wagner, PT, governador da Bahia desde 2007. Antigo admirador de Carlos Marighella. | Créditos: Manu Dias.

 

Assassinado? Não, Governador, que loucura, “sentenciado” era o que Senhor deveria ter dito. Um termo concernente à Justiça, não ao crime.

 

Até porque, já dizia a mais antiga lei: “Quem vive pela espada, morre pela espada.” Que assim seja!

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Fabio Ilczuk

    O Sr., Sr. Fernando H., parece pertencer ao grupo de pessoas mais abjetas e asquerosas que existem. Já li uns comentários seus. O Sr. simplesmente defende e propaga a intolerância à diversidade de ideias, opiniões de ideologias. Para o Sr., segundo li em seus comentários e posts, o Capitalismo é bom e o Socialismo é ruim, ponto, simples assim, preto no branco. Esse tipo de pensamento maniqueísta demonstra pouca capacidade de percepção e alcance, já que muito poucas coisas no universo podem ser explicadas com tais simplificações. Já li em algum lugar o Sr. dizer que a história demonstra o quanto o Socialismo é ruim e o Capitalismo é bom. Creio que que a “História” a que o Sr. tem acesso não inclui as milhares de pessoas que morrem de fome todos os anos em países pobres, sendo que, conforme alguns cálculos, investindo se algo em torno de 900 bilhões de dólares em tecnologia e infraestrutura para este fim, a longo prazo a fome seria erradicada. Note-se que foi gasto mais dinheiro em 2008 para “salvar” bancos do que o que seria necessário para salvar milhões de pessoas da fome. Ganhar dinheiro a qualquer custo, lucrar a qualquer custo são premissas essenciais do capitalismo “real”, mesmo que o custo seja a vida das pessoas em países longínquos. Afinal, cada um tem que fazer por si, a vida é dura, eu não estou roubando, é a lei da selva…desculpas existem aos montes. Mesmo assim, eu respeito a discordância. Não pretendo pegar em armas e tentar mudar o regime à força. Respeito as instituições democráticas e gostaria de ver mudanças para a esquerda advindas do voto. O Sr. não respeita nada, é a sua opinião e pronto. Em minha modesta opinião, pessoas como o Sr. são o que de pior temos na terra, nem mesmo os germes são tão nocivos.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Salve Fabio, tudo bem? Espero que não.

      Percebo que se esforçou bastante na retórica, que pesquisou adjetivos pejorativos legais, e coisa e tal. Mas, cara, você que me acusa no comentário – que em nenhum momento referiu-se ao texto em questão, mas a minha pessoa em si, um ad hominem descarado – de não respeitar a opinião alheia, de ser maniqueísta e outros chorumes, também o foi.

      Quando alguém acusa outra pessoa de não ser tolerante a opinião alheia, esta já está se incriminando automaticamente. Esta cometendo aquilo que acusa durante a própria acusação, pois não respeita a posição do outro de não “respeitar” outras opiniões. Bizarro, mas bem comum. Ademais, cobrar respeito é coisa de juniores.

      Dito isto, é bom frisar, não subscrevo suas “acusações” torpes. Não sou intolerante para com opiniões, pelo contrário, já publiquei aqui na Feedback diversos textos que discordava do início ao fim. Mas o fiz, porque ao contrário dos que choram e apontam intolerância no outro, tenho como primeira bandeira a liberdade de expressão.

      Agora, parte a parte:

      “O Sr., Sr. Fernando H., parece pertencer ao grupo de pessoas mais abjetas e asquerosas que existem.”

      O arauto da moralidade, apenas por alguns comentários que leu num sei onde, sem nem me conhecer para além destes, decreta: faço parte de um grupo de pessoas abjetas e asquerosas.

      Ok, depois me diga onde encontro outros como eu, quero novos amigos asquerosos.

      “O Sr. simplesmente defende e propaga a intolerância à diversidade de ideias, opiniões de ideologias.”

      Ah, é? Você não sustenta esta afirmativa mediante fatos. Me aponte aí onde defendi e propaguei (sic) “a intolerância à diversidade de ideias, opiniões de ideologias.”

      É cada uma… As coisas não são de um jeito somente porque você quer que sejam, sua acusação simplesmente não procede.

      “Para o Sr., segundo li em seus comentários e posts, o Capitalismo é bom e o Socialismo é ruim, ponto, simples assim, preto no branco. Esse tipo de pensamento maniqueísta demonstra pouca capacidade de percepção e alcance, já que muito poucas coisas no universo podem ser explicadas com tais simplificações.”

      Andou me stalkeando, presumo, mas tudo bem. Não lembro de jamais ter proferido julgamento raso deste tipo, com os termos “bom” e “ruim”, isso é interpretação sua. Mas, sim, obviamente sou capaz de dizer que um é melhor que o outro. Capitalismo é melhor que Socialismo. Isso deveria ser básico na análise de qualquer ser letrado, mas temos aí o “Marxismo Cultural” atrapalhando a percepção alheia, pena.

      Não sei das demais coisas do Universo, mas esta é bem simples. Ponto pacífico, inclusive, na principal seara que lhe confere, a Economia.

      “Já li em algum lugar o Sr. dizer que a história demonstra o quanto o Socialismo é ruim e o Capitalismo é bom. Creio que que a “História” a que o Sr. tem acesso não inclui as milhares de pessoas que morrem de fome todos os anos em países pobres, sendo que, conforme alguns cálculos, investindo se algo em torno de 900 bilhões de dólares em tecnologia e infraestrutura para este fim, a longo prazo a fome seria erradicada. Note-se que foi gasto mais dinheiro em 2008 para “salvar” bancos do que o que seria necessário para salvar milhões de pessoas da fome.”

      “Creio que a História que o Sr. tem acesso” e blá-blá-blá… Você até ia bem nas ofensas pessoais, parecia um especialista em ad hominem, mas ao tentar – veja, tentar, porque não conseguiu – objetar o Capitalismo com os piores e mais “senso comum” argumentos, você abandonou qualquer racionalidade e partiu para o fanatismo.

      A miséria e a fome são condições naturais do Homem, não é o Capitalismo que está matando ninguém. Até porque, ao contrário do Socialismo/Comunismo, este não é totalitário.

      Investindo 900 bilhões a fome no mundo acaba, segundo um Zé Ruela qualquer. Ai, ai. Esquece apenas que solidariedade deve sempre ser voluntária, e que a solidariedade do Socialismo é com dinheiro dos outros. Você tem 900 bilhões para acabar com a fome? Se tiver, vá lá e faça sua parte. Se não tem, não queira contar com o dos outros. Isto considerando a não absurdidade da sua fala, e que esta cifra resolveria algo, o que, obviamente, não acredito.

      Fora o princípio de autodeterminação dos povos, que você deve amar, mas nessa hora esquece dele e aprecia intervenção externa, com aporte financeiro, para “erradicar” a fome no mundo. Para!

      O Capitalismo, pelo contrário, salvou milhões de pessoas da fome. A Revolução Industrial salvou as pessoas de morrerem de fome, e não o contrário. Sem ela não seria possível alimentar tantas bocas, visto que a população só cresce.

      A História que eu conheço é a mesma que todos conhecem, porém já devidamente higienizada da carga doutrinária imposta pelos milhares de professores comunistas espalhados pelo país.

      Ora, a experiência de “Capitalismo x Comunismo” já foi feita com clareza pelo menos duas vezes, dividindo dois países. As “Alemanhas” e “Coreias” eram uma capitalista e outra comunista. Estaria errado em afirmar que o Capitalismo foi melhor sucedido em ambas? Burro é quem discorda.

      “Note-se que foi gasto mais dinheiro em 2008 para “salvar” bancos do que o que seria necessário para salvar milhões de pessoas da fome. Ganhar dinheiro a qualquer custo, lucrar a qualquer custo são premissas essenciais do capitalismo “real”, mesmo que o custo seja a vida das pessoas em países longínquos.”

      Não sou a favor do intervencionismo estatal em qualquer esfera, principalmente no aporte para empresas, sejam elas bancos ou não. Mas uma coisa é certa: bancos são importantes para a economia dos países e desta forma salvam vidas, geram empregos, movimentam o mercado.

      Essas premissas “essenciais” do Capitalismo são coisas da sua cabeça ou de outro socialista qualquer, Adam Smith discorda, bem como qualquer outro autor liberal. A Verdade também.

      “Afinal, cada um tem que fazer por si, a vida é dura, eu não estou roubando, é a lei da selva…desculpas existem aos montes. Mesmo assim, eu respeito a discordância. Não pretendo pegar em armas e tentar mudar o regime à força. Respeito as instituições democráticas e gostaria de ver mudanças para a esquerda advindas do voto.”

      Nossa, muito obrigado mesmo, em nome de toda a Sociedade te agraço por não pegar em armas contra nós. É muito altruísmo da vossa parte.

      Mais mudanças para esquerda através do voto? É bem possível que continuem acontecendo mesmo, e que você e pares do tipo continuem a reclamar. É só o que sabem fazer. Chorar!

      “O Sr. não respeita nada, é a sua opinião e pronto. Em minha modesta opinião, pessoas como o Sr. são o que de pior temos na terra, nem mesmo os germes são tão nocivos.”

      É, pois é, você falou e agora eu sou isso tudo aí. Só porque você quer. Uhul! Engraçado que você, o tolerante, é que nos avisa humildemente que não pegará em armas contra o Capitalismo. Num ato de extrema nobreza, para não dizer o contrário. E eu é que sou o malvadão?!

      serto!

      Por fim…

      Decerto que a postura determinística incomoda, e isso vale em qualquer seara; já recebi este tipo de retorno mesmo antes das minhas posturas serem contra as ideias socialistas. Não tenho culpa se os relativistas se incomodam tanto com tudo e todos, querendo que o resto do mundo compartilhe de suas inseguranças e incertezas. Aqui não! Eu não!
      ;)

      • Fabio Ilczuk

        Com nada de respeito, mas como é que é?

        O Sr. Sabe o que é intolerância? É a ausência da capacidade,ou da vontade mesma, de suportar, conceber, aceitar, tolerar o que é diferente daquilo que nós julgamos como correto. É achar que a nossa verdade é a única e o nosso ponto de vista, por conter uma verdade universal, deve, precisa ser compartilhado por todas as outras pessoas minimamente sãs ajuizadas. Que qualquer manifestação de ideias ou pensamentos discordantes é um grande absurdo, e as pessoas que os manifestam são incapazes de perceber a verdade evidente e, portanto, são inferiores. Assim interpreto.

        Então pergunto: Quer dizer que se eu considerar asquerosa uma pessoa que não tolera opiniões diversas, por uma série de preconceitos morais e ideologicamente questionáveis, eu sou intolerante? Qual é a lógica nisso? Não disse em momento algum (diferente do Sr. que diz em seus textos que o Socialismo é um mal e tem que ser erradicado a todo custo do mundo) que o Sr. seja um mal a ser erradicado. Percebe a diferença? O Sr. diz (ou insinua) em seus textos (não vou citá-los aqui, o Sr. deve saber o que escreve) que o Socialismo é um mal e que os Socialistas são todos uns tapados, aspirantes a golpistas e que não conseguem enxergar a verdade óbvia de que apenas o seu ponto de vista, favorável ao Capitalismo, é o correto.

        Em um comentário seu, acerca do pronunciamento do presidente Mujica na Assembleia Geral das Nações Unidas, o Sr. desqualifica tudo o que foi citado em tal discurso apenas por discordar do posicionamento ideológico dele. Isso é atitude coerente advinda de uma pessoa “letrada”? Desqualificar a priori o discurso de uma pessoa, sem se ater a seu conteúdo, apenas por discordar de seu posicionamento ideológico? Para mim, isso soa como intolerância. No mínimo.

        Naquele comentário ainda, o Sr. diz que “o cara fala uma
        meia dúzia de obviedades”. O Sr. sabe o que significa a palavra: óbvio? É aquilo cuja veracidade dispensa demonstração, aquilo que é evidente, em que não é possível lançar dúvidas. Ora, no mínimo o Sr. se contradiz: Se o discurso daquele Presidente continha fatos óbvios, como pode ele estar errado, como o Sr. afirma em seguida? Faltaste nas aulas de lógica argumentativa, Sr. “letrado”?

        O Sr. me acusa de “fanatismo marxista” por não conseguir ver o quão bom é o Capitalismo. Então me responda: Quanto às milhares (quiçá milhões) de pessoas que morreram na África, na Ásia e na América Latina devido ao expansionismo imperialista do começo da “Revolução Industrial?” Quantas guerras locais não foram promovidas por conta do expansionismo de mercado? Já leu sobre a Guerra do Ópio? Já ouviu falar de Gandhi e contra o que ele lutava, como lutava e como o Império Britânico revidava? Então, me diga: O Capitalismo é bom pra todos em todas as épocas, sem exceção? Não vejo onde está o fanatismo em se ler e compreender a História Global.

        O Capitalismo não mata ninguém? Cito o Sr. “A miséria e a fome são condições naturais do Homem, não é o Capitalismo que está matando ninguém. Até porque, ao contrário do Socialismo/Comunismo, este não é totalitário.” É risível e ridícula esta colocação. Por acaso o Sr. já leu em algum livro de História sobre as ditaduras capitalistas implantadas na América Latina durante o século XX? Já ouviu falar de Alberto Fujimori, que matou tanta gente no Peru, e que foi condecorado pelo então presidente FHC, antes de ser condenado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos (assassinato de estado)? De Pinochet, que retirou com apoio dos EUA um presidente (Allende) democraticamente eleito no Chile, em 1975, para implantar naquele país uma das mais sanguinárias Ditaduras? Tem conhecimento do golpe de estado patrocinado pelos EUA na Guatemala, em 54, que retirou do poder o democraticamente eleito presidente Arbenz, violando o direito daquela nação de autodeterminação de seu futuro, para implantar um terrível e sanguinário Ditador, Castilho Armas? Ou da terrível ditadura de Samoza na Nicarágua ou Trujillo na República Dominicana? Onde está o bem à população nestes casos? Vai dizer que nestes casos, apesar de terem sido tirados do poder através de golpes de estado patrocinados pelos EUA representantes legalmente eleitos naqueles países, isso foi feito com vistas aos interesses do povo? Dá uma olhada nos IDHs, nas economias e no nível de desenvolvimento destas nações citadas e me responda em seguida que bem fizeram estas ditaduras de direita?

        A miséria e a fome são condições naturais do homem? Onde foi que o Sr. leu isso? Quem corrobora tal afirmação? Quais estudos? A miséria e a fome, dentro das sociedades humanas, são produto do homem e seus sistemas econômicos, segundo o livro “História da Riqueza do Homem”. Viu, é fácil citar fontes? E mais: São produto direto de condições históricas e geográficas. Basta ver a disparidade entre Sudeste e Nordeste no Brasil. Então, com base no que o Sr. disse, é natural que um nordestino passe fome por falta de condições e oportunidades de trabalho, enquanto uma pessoa aqui em São Paulo desfrute das maravilhas do Capitalismo? Ah, entendi: Ele não é uma vítima, ele é o culpado por seu próprio infortúnio! Excelente, isso explica tudo!

        E quanto a este trecho: “Fora o princípio de autodeterminação dos povos, que você deve amar, mas nessa hora esquece dele e aprecia intervenção externa, com aporte financeiro, para “erradicar” a fome no mundo. Para! Fique o Sr. sabendo, se é que não sabe, que esta “intervenção externa” para aporte financeiro já existe em muitos países da África e alguns da Ásia. Cito como exemplo a “ajuda” ofertada pelos EUA e U.E. a países com Uganda, Ruanda, Etiópia, Burindi, Gabão, Botsuana, etc. Isso mesmo, eles recebem uma espécie de “bolsa família” dos países ricos, ou esmola na verdade. Como o Sr. deve imaginar, isso impede seu verdadeiro desenvolvimento, criando um clientelismo e uma dependência perversos. O que quero dizer, quando me refiro a investir aquela quantia de dinheiro, é investir em infraestrutura, escolas, hospitais, centros tecnológicos para que estes países possam ter autonomia financeira e moral. E não ficar dando estas “ajudinhas” que para nada ajudam de fato. Vide o que
        ocorre com o Haiti, em nosso continente.

        O Sr. cita exemplos do “embate” entre Capitalismo e
        Socialismo com uma precisão histórica e uma profundidade ideológica de dar
        inveja e termina seu parágrafo com uma frase antológica: Burro é quem discorda.
        Então eu pergunto: Os sistemas econômicos aplicados nos países escandinavos, de
        alta cobrança de impostos, mas extremo bem estar social, se encaixa mais na
        filosofia econômica socialista ou capitalista? Vou dar uma ajudinha: Intervenção
        do Estado na economia; Altos impostos; Ajuda econômica aos cidadãos em estado
        de menor favorecimento: Idosos, desempregados, etc. Tire suas conclusões.

        Mas reduzir as coisas a uma visão tipo – Aquele país se diz
        Socialista, então o é; Aquele outro se diz Capitalista então o é- sem verificar
        a fundo as nuances e variantes, as particularidades e diferenças demonstra, a
        meu ver, uma limitação de análise. Para comprovar o que eu digo, cito o período
        da Grande Depressão nos EUA: As medidas adotadas pelo governo Roosevelt,
        propostas por Keynes, de intervenção direta do Estado na economia, incentivo à
        criação de empregos em obras estatais e coisas assim eram claramente mais
        compatíveis com uma política de esquerda do que com de direita. E tais medidas
        de esquerda salvaram aquele país de sua pior crise. Ou vai negar isso também?

        Bom, acho o Sr. uma pessoa de raciocínio curto, cujos embates
        giram em torno de ideias pré-concebidas. Espero que o Sr. não dependa disso pra
        ganhar a vida…sinceramente.

        • Wellington Cunha

          Desculpem me meter na discussão, mas tem uma concepção muito errada ai: as ditaduras que existiram na América do Sul, por exemplo, não tiveram o intuito de “implementar o capitalismo”, “manter o capitalismo”, “ajustar o modelo”, ou coisa que o valha. Elas tiveram o intuito de obtenção ou manutenção de poder por determinado grupo (militar, político, etc), então estas mortes têm que entrar na conta destes grupos, e não do sistema econômico em sí. Da mesma forma que é errôneo dizer que pessoas morrem de fome “por conta do capitalismo”. O certo é afirmar que pessoas morrem de fome “apesar do capitalismo”, e por conta de políticas (econômicas, sociais, etc) dos governantes dos respectivos países. No caso do socialismo, pode-se botar as mortes na conta do sistema político em sí, pois estas mortes foram causadas com o intuíto de implementá-lo ou mantê-lo. Os 20 milhões de ucranianos, por exemplo, que morreram assassinados pelas tropas e polícias da URSS, por conta das migrações forçadas (afim de “miscigenar” o povo) ou por conta da fome causada pela intenção do regime de “diversificar” a produção rural, já que todas estas ações tinham relação direta com a manutenção do sistema.

          • Fabio Ilczuk

            Wellington, vc está totalmente equivocado. Acho que vc nem sequer pesquisou sobre o assunto, sequer foi verificar esta tais “ditaduras que existiram na América do Sul”, se houve, como eram, quais interesses defendiam e quanta gente morreu e como morreu no processo. Estas ditaduras, bem como os ditadores, que eu citei foram sim implantadas com ajuda, inclusive militar, dos EUA para salvaguardar o modelo capitalista ante o avanço socialista durante a guerra fria. Os próprios presidentes norteamericanos assumiram isso muitas vezes (Roosevelt, truman, Kennedy), utilizando tal argumento inclusive para justificar estas intervenções armadas na América Latina. O que também era uma desculpa, visto que tais intervenções, inclusive armadas (em que obviamente morreram muitas pessoas), remontam a muito antes do próprio surgimento da URSS. Para não deixar dúvidas, vou transcrever aqui trecho de um documento de fácil acesso, que está na Wikipédia mesmo:

            “Entre 1909 e 1913, durante o governo do presidente William Taft, popularizou-se a expressão “Diplomacia do Dólar”.
            Essa política reforçou o domínio dos EUA sobre a frágil economia das
            pequenas repúblicas centro-americanas, que dependiam das exportações de banana, café e outros produtos primários. Por esse motivo, elas passaram a ser conhecidas como “banana republics”
            (repúblicas de bananas). Utilizando-se da tática da “mão caridosa”, os
            EUA redobraram seus investimentos em Cuba, e nas demais ilhas do Caribe,
            chegando a aplicar ali 42% do total dos seus investimentos no exterior.
            Em alguns momentos, a diplomacia do dólar se conjugava à Política das Canhoneiras.

            Através dessas políticas, os EUA passaram a se achar no direito de
            intervir militarmente em qualquer país do continente americano, para
            defender, segundo as declarações oficiais, a liberdade, a democracia, a
            justiça, a ordem e a moral. Mas isso é apenas um pretexto: as
            intervenções visavam proteger seus próprios interesses econômicos. Não
            desejavam perder areas de influência política e econômica, ou seja, matérias-primas,
            compradas a preços baixos, mercados consumidores de seus produtos
            industriais, areas de investimento de capitais excedentes e suas
            empresas industriais, minerais, comerciais e de serviços, implantados
            nos países latino-americanos.14 As razões para estes conflitos foram variadas, mas foram em grande medida de natureza económica. Mais destacadamente, a United Fruit Company
            que tinha participações financeiras significativas na produção de
            bananas, tabaco, cana-de-açúcar, e vários outros produtos em todo o
            Caribe, América Central e na porção norte da América do Sul. Os Estados
            Unidos também foi avançando seus interesses políticos, a manutenção de
            uma esfera de influência e controle do Canal do Panamá, criticamente importante para o comércio global e potência naval.

            Panamá e o Canal do Panamá: Um grande espisódio da expansão ultramarinha dos EUA foi ter conseguido a independência do Panamá, que era um departamento da Grã-Colômbia (atual Colômbia)
            chamado de Departamento do Istmo, ao qual os EUA enviara homens do
            serviço secreto estadunidense para subornar colombianos residentes nesse
            departamento para proclamar a independência desse território, que
            passou a se chamar Panamá, ao qual os EUA passaram a reconhecer este novo país e que mandaram os fuzileiros navais
            para assegurar a independência panamenha contra os colombianos. Em
            troca o Presidente do Panamá legalizaria eternamente a passagem do canal
            que ligaria os dois oceanos:Oceano Pacífico e Oceano Atlântico. Mais tarde, por meio de acordos unilaterais, os norte-americanos conseguiram o controle definitivo do Canal do Panamá.
            Na década de 70, os panamenhos reivindicaram o controle do canal.
            Acordos assinados entre os dois países estabeleceram que os EUA deveriam
            devolver a concessão até o fim do século XX.

            República Dominicana: Em 1905, os EUA estabeleceram um sistema de quase protetorado em São Domingos (República Dominicana),
            para que esse país saldasse as dívidas contraídas com banqueiros
            europeus e norte-americanos. Ocuparam militarmente o país de 1916 a 1924 e prepararam o ditador Rafael Trujillo para ficar na chefia do governo, como um verdadeiro aliado e empregado dos interesses norte-americanos nesse país.

            Nicarágua: Em 1909, a Nicarágua
            enfrentou uma insolvência financeira que culminou numa intervenção dos
            EUA, a fim de dar “estabilidade” ao país, que assim passaram a
            controlá-lo. A humilhação nacional desencadeou um movimento
            revolucionário em 1912, mas este foi sufocado pelos fuzileiros navais dos EUA, que davam sustentação aos governos conservadores nicaraguenses. Em 1926,
            o governo da Nicarágua recorreu mais uma vez à ajuda dos fuzileiros
            navais norte-americanos, para sufocar a guerrilha iniciada pelos líderes
            liberais José Maria Moncada Tapia e César Augusto Sandino.
            O governo dos EUA atendeu prontamente à solicitação e garantiu aos
            rebeldes que seriam relizadas eleições livres na Nicarágua. Diante da
            promessa, Moncada aceitou paralisar a revolução, porém Sandino manteve a
            luta contra a ocupação norte-americana. Em 1933,
            os marines se retiraram da Nicarágua. Sandino depôs as armas e
            reconciliou-se com o governo, mas acabou assassinado por ordem do general Anastasio Somoza García,
            comandante da Guarda Nacional. A partir daí, iniciaria a dinastia da
            familia Somoza, que serviu aos interesses norte-americanos e só perderia
            o poder após a Revolução Sandinista em 1979.

            Cuba: A política econômica da ilha estava sob tutela de Washington desde a independência cubana em 1898. As tropas dos EUA procederam a diversas ocupações: em 1906, 1912, 1913, 1917 e 1933. Segundo a Constituição cubana, tais ocupações eram legítimas, pois a Emenda Platt assegurava o direito de intervenção militar norte-americana. Em 1934, essa prerrogativa foi substtuída por um acordo comercial.

            Haiti: De 1914 a 1934, o Haiti
            foi ocupado pelos fuzileiros navais norte-americanos, com a finalidade
            de dar proteção aos saneamentos norte-americanos das finanças do país e
            pela ameaça aos interesses empresariais da empresa americana Sugar Company. O Haiti passou a ser controlado pela dinastia dos Duvalier: depois de Papa Doc (François Duvalier), assumiu o governo Baby Doc (Jean Claude Duvalier), filho do primeiro, ambos sob tutela dos EUA.

            Honduras: O modelo original para a república das bananas, onde a United Fruit Company e Standard Fruit Company
            dominaram o país, país-chave nos setores de exportação de bananas e
            associados, explorações de terra e ferrovias, viu inserção de tropas
            americanas em 1903, 1907, 1911, 1912, 1919, 1924 e, 1925. Nos primeiros anos do século XX, o presidente da Nicarágua, José Santos Zelaya, impôs Manuel Bonilla como presidente de Honduras, fato que mergulhou o país num período de rebeliões internas, entre 1911 e 1912. A pretexto de controlar a anarquia, os Estados Unidos intervieram no país e enviaram tropas para proteger os interesses das empresas bananeiras.

            México: O México estava em um período de turbulências internas (devido a Revolução Mexicana de 1910) e as relações entre os Estados Unidos e o México estavam tensas – quase a ponto de guerra. No começo do século XX,
            proprietários americanos, incluindo grandes empresas, dominavam 27% das
            terras mexicanas; em 1910 o investimento industrial americano foi de
            45%, o que fez com que os EUA intervirem em assuntos mexicanos. Tanto
            por razões económicas como políticas, os governos americanos geralmente
            apoiaram líderes mexicanos. Entretanto, quando os presidentes
            americanos, William Howard Taft e Woodrow Wilson, decidiram não apoiar o governo de Victoriano Huerta (que havia dado um golpe de estado e assassinado o presidente Francisco I. Madero)
            logo começaram as intervenções; assim, por duas vezes durante a
            Revolução Mexicana, os EUA enviaram tropas para o México. A primeira vez
            foi em 1914 após o incidente de Tampico e durante o incidente Ypiranga;
            quando agentes norte-americanos descobriram que o navio mercante alemão
            Ypiranga estava transportando armas ilegais para Huerta, o presidente
            Wilson mandou tropas para o porto de Veracruz
            para parar o navio de acoplagem. Ele não declarou guerra contra o
            México. As tropas americanas então realizaram uma escaramuça contra as
            forças de Huerta em Veracruz. E em 1916, em retaliação por um ataque de Pancho Villa em Columbus, Novo México, e pela morte de 16 cidadãos americanos, o presidente Wilson enviou o General John J. Pershing
            no México para capturar Villa. A invasão, no entanto, foi um fracasso e
            o General Pershing foi forçado a abandonar a missão e voltar para os
            EUA (1917).”
            Portanto, Wellington, se estas mortes não se devem diretamente ao capitalismo expansionista dos EUA, eu não sei mais a que se deveriam.

          • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

            Meta-se à vontade, Wellington, principalmente se for para tecer um comentário tão elucidativo quanto esse. Não poderia ser mais preciso sobre o assunto.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Ia comentar parte por parte e de forma levemente civilizada mais um comentário seu, mas aí vi que “cometeu” o termo “ditadura capitalista”, que é um oxímoro, e desisti.

          Deixo apenas breves comentários sobre algumas partes menos emboladas:

          - Quando diz “O Sr. sabe o que escreve”, indicando que não precisará de uma citação para comprovar sua impressão sobre minhas análises a respeito do Socialismo, você faz uso descarado da “falácia do espantalho”. E mente ao afirmar que eu disse o que não disse. É sempre mais fácil atacar um espantalho do que um posição real de alguém. E é isso que você fez, depois do ad hominem no primeiro comentário, agora foi a conhecida “falácia do espantalho”.

          - Por apontar tamanho desconhecimento quando afirmo que a miséria é o estado natural do Homem, premissa básica de economia (aquilo que socialistas fazem questão de não entender), indico para você e algum leitor guerreiro – por ter chegado até aqui no papo – “uma única lição de economia”: http://ordemlivre.org/posts/uma-unica-licao-de-economia.

          Sei que não vai adiantar muito, mas fico com a consciência tranquila por ter feito minha parte.

          - Sobre os meus comentários em relação ao discurso do Mujica, interpretação de texto é o que parece ter lhe faltado. Apontar obviedades, num discurso incensado pela massa jovem, na ONU, me parece crítica suficiente. Desde quando o óbvio é digno de glória? Você que enxerga tudo pelo lado do certo e errado, e depois eu que sou maniqueísta.

          - Sobre Crise de 29, Keynes e Welfare State… Preste bem atenção: Keynesianismo não é socialismo! Social democracia não é socialismo (em sua forma pura)! Sim, ambas são doutrinas de esquerda, mas nem tudo que é esquerda é socialismo. Afirmar isso sim é fanatismo. Fui claro?

          Em pleno 2014 e ainda tenho que explicar isso, vida dura da porra.

          Agora, o final tenho que citar:

          “Bom, acho o Sr. uma pessoa de raciocínio curto, cujos embatesgiram em torno de ideias pré-concebidas. Espero que o Sr. não dependa disso pra
          ganhar a vida…sinceramente.”

          Ganho a vida entretendo imbecis, ao que parece.

  • Alessandro

    O que acho engraçado é que todos os comunistas de plantão se calam ao falar das mortes causadas pelo socialismo, e como muito bem frisou o Wellington, estas sim causadas pelo sistema político. Se os guerrilheiros treinados na URSS e China queriam implantar um sistema político e econômico cuja premissa básica era a promoção ao caos e ódio para possibilitar a consolidação do totalitarismo na América Latina, intolerante por natureza cuja ideologia apenas se camufla na idéia de bem geral,e foram punidos por isso, o antigo governo estava errado? Ora, faça-me um favor!! Vocês estão tentando passar por cima da história desconsiderando o contexto da época e vitimizando os verdadeiros criminosos. Se você ler os textos de Marighella no site dos Marxistas, marxists.org, verá que ele era um canalha, espião muito bem treinado e você Fábio, verá que esse sujeito e todos os que o defendem esse sistema genocida, nas suas palavras, “são o que de pior temos na terra, nem mesmo os germes são tão nocivos.”.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Por isso disse que Marighella foi muito bem morto, Alessandro, Obrigado pela participação.

  • mauro

    Bom, dentro da minha ignorância, uma coisa que eu percebi é que, quando a ditadura é capitalista, costumam por um tanto de gente para fora do país. Quando a ditadura é socialista, têm que fechar as fronteiras para que o povo não fuja. Países capitalistas fazem muros para que não entrem e países socialistas, para que não saiam. O capitalista, quando tem um projeto, levanta dinheiro para concretizá-lo. Socialistas, querem compelir quem julgam ter condições a gastar o seu ou querem gastar o dos estados. Capitalistas gostam de construir, socialistas de destruir.