Jair Bolsonaro vs. Luciana Genro no Facebook

Jair Bolsonaro vs. Luciana Genro no Facebook

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Pelo que se viu até aqui, o pleito eleitoral deste ano terminará com um resultado levemente difuso. Enquanto pesquisas apontam que Jair Bolsonaro (PP) será um dos deputados federais mais votados do Rio de Janeiro, e que Marco Feliciano (PSC) terá também um ótimo desempenho em São Paulo, nos pleitos majoritários não vemos liberais, conservadores ou coisa parecida concorrendo.

 

Os três mais bem votados nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), são socialistas. Como bem afirmou Eduardo Jorge (PV) no debate transmitido pela Record no último domingo (28/08/2014). Sim, Jorge disse isso logo depois de ter dito que Aécio (ou PSDB, não entendi bem) era conservador, mas, vá lá, relevemos. É o Eduardo Jorge.

 

Para não ser injusto quando menciono a ausência de candidatos com discurso mais a direita, faço as devidas ressalvas em relação ao Pastor Everaldo. Ele não conta porque, além de não ter chance de vencer, é algo parecido com um conservador há poucos meses. Tem boa intenção, mas é caricato e sua modesta presença não equilibra a balança ideológica desta eleição. Aliás, nem os citados deputados, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, são, assim, conservadores de alma. Que se renderam diante da leitura da obra de Edmund Burke e Russel Kirk. São de direita e o termo basta lhes definir, sem muito detalhamento.

 

Mas, sobre o boom de ambos, não posso dizer que são casos isoladas, explosões de simpatia que se destacam acima de suas posições. É mais certo afirmar que o povo os apoia num misto de simpatia (mais para Bolsonaro, Feliciano só por conta de sua popularidade como pastor e cantor gospel) e concordância com suas bandeiras. A questão é: decerto, muitos que votarão Bolsonaro e Feliciano votarão também em um dos três candidatos de esquerda mais cotados para presidente. É essa a confusão que o resultado dessa eleição gerará. Aquilo que a grande imprensa e o PT pregam a muitos anos, de que o Congresso brasileiro é conservador e trava diversas discussões, etc. e tal, numa ladainha sem fim, estará enfim mais próximo da realidade. A promessa é que a partir de 2015 sim, alguns liberais e conservadores aparecerão em Brasília. E não só na capital, mas também nas câmaras estaduais. Teremos executivos alinhados a esquerda governando com congressos semi-endireitados.

 

Tal resultado será reflexo de uma perceptível discrepância no Brasil de hoje, entre quem tem a palavra hoje – grandes partidos e imprensa – e a grande massa de pessoas que formam a tão mencionada população brasileira. A população quer votar em candidatos com um perfil, os formadores de opinião querem que votem em outros.

 

Notemos um pequeno exemplo disso: Enquanto o candidato sensação da internet é o liberal Paulo Batista, o homem do Raio Privatizador, que se especializou nessa campanha em comunicar-se com o público através de uma genuína “linguagem da zoeira”, que é um produto da internet (Batista foi saudado inclusive, nesse aspecto, por Ron Paul), não aparece na lista de deputados maneiros e super legais do PapodeHomem, veículo teoricamente caracterizado por ter uma linguagem moderna. Já Luiza Erundina, ex-prefeita de São Paulo, parte do núcleo dura da esquerda no congresso nacional, adepta de bandeiras mais do que batidas, aparece.

 

E tem mais: Na mesma lista vemos o nome de Renato Cinco (PSOL), o cabeça da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, que acabou de se eleger para seu primeiro cargo público eletivo em 2012 (vereador do RJ), mas, por exemplo, o jornalista conservador Paulo Eduardo Martins (PSC), do Jornal da Massa (Paraná), passou longe de ser considerado, aposto. Cinco é uma repetição de Jean Wyllys, Chico Alencar, Marcelo Freixo, Ivan Valente e André Veloso, todos do PSOL, todos na listinha do site moderninho. E Paulo Marins, seria uma repetição de quem? O jornalista é tão icônico que nem na imprensa, nem no Congresso atual encontramos alguém pra traçar uma analogia

 

Entendam, não é o caso de criticar o alinhamento ideológico do autor ou do veículo, cada um na sua e com seus problemas e opiniões, mas o PapodeHomem é um portal de relevância na internet brasileira, Paulo Batista – que tem sua campanha totalmente focada na internet e que emplaca memes atrás de memes – e Paulo Martins – que tem vídeos hiper compartilhados no Youtube -, têm relevância na internet. Seria um caminho natural, se este país não fosse o Brasil.

 

Ambos devem se eleger, mas o público “leigo” do PapodeHomem não ficará sabendo de suas existências.

 

O grande diferencial dessa eleição, em relação as duas ou três anteriores, é o aparecimento dessa meia dúzia de candidatos de direita um pouco corpulentos para encarar a esquerda reinante. Não concorrem para governador em nenhum estado ou à presidência, claro, seria demais, porém algumas presenças fortes, como a dos citados e ainda a de Dr. Rey e Eduardo Bolsonaro, já contribuiu para dar uma embaralhada no cenário.

 

Para termos uma dimensão disso, peguemos Luciana Genro, candidata com 1% das intenções de voto nas pesquisas, filha do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), líder do Movimento Juntos!, que concorre pelo PSOL, o partido mais querido nas redações do país.

 

Bom, Luciana Genro tem 226.574 curtidas em sua página no Facebook. E ela é candidata à presidência, esteve presente nos principais debates nacionais.

 

Página da Luciana Genro em 29/09/2014, às 20:40.

Página da Luciana Genro em 29/09/2014, às 20:40.

 

Já Jair Bolsonaro, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, tem 641.650 curtidas no mesmo Facebook. Quase o triplo das curtidas dela.

 

Página de Jair Bolsonaro em 29/09/2014, às 20:40.

Página de Jair Bolsonaro em 29/09/2014, às 20:40.

 

Agora pense: em quem a imprensa bate e em quem faz afagos? Pois é. Luciana, com todos os DCEs e a imprensa fazendo carinho, tem quase três vezes menos usuários cativos na maior rede social do Brasil do que Jair Bolsonaro, que não é candidato majoritário e tem toda a mídia contra, unanimemente contra.

 

Dia 06/10/2014 nós voltamos a conversar.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Douglas Eduardo

    Pena o Bolsonaro não poder disputar a presidência. No início do ano todos estávamos torcendo por ele, mas isso não ocorreu.
    Vamos ver o que vai sair dessas eleições. O Brasil está em situação econômica tão ruim quanto em 1990.
    Video o vídeo:
    https://www.youtube.com/watch?v=3v5KjxbYn10

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Dessa eleição não sairá muita coisa, de diferencial mesmo apenas os meia dúzia de ótimos deputados de direita que serão eleitos.