Impeachment ou Intervenção Militar?

Impeachment ou Intervenção Militar?

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Os dias que sucederam as eleições foram (e continuam sendo) de grande agito em grande parte do país. Agito esse que culminou com algumas manifestações. A principal delas ocorreu em São Paulo, onde manifestantes pediam o impeachment da presidente reeleita. Porém, houve quem tambén pedisse por intervenção militar.

 

Essas manifestações são o reflexo do que ocorre nas redes sociais, onde há um grande número de pessoas pedindo tanto o impeachment, quanto intervenção militar.

 

E o debate foi aquecido com as declarações do senador Aécio Neves, em seu retorno ao Congresso:

 

“Eu fui o candidato das liberdades, da democracia, do respeito. Aqueles que agem de forma autoritária e truculenta estão em outro campo político, não estão no nosso campo político. (…) Vou ser oposição sem adjetivos. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, vamos cobrar eficiência da gestão pública, transparência dos gastos e apuração em profundidade das denúncias de corrupção.”

 

Para muitos dos seus 51 milhões de eleitores, que defendem impeachment ou intervenção militar, Aécio se tornou um traidor por ter afrouxado o discurso. Houve quem afirmasse que ele é petista.

 

O senador tem seus motivos para tal posicionamento, e eu tenho os meus para não defender nenhuma das duas opções apresentadas até agora, pelo menos não neste momento.

 

O senador Aécio Neves, candidato à presidência derrotado, em seu badalado retorno ao Congresso.

O senador Aécio Neves, candidato derrotado à presidência, em seu badalado retorno ao Congresso.

 

Antes que me acusem de ser petista também, devo explicar. Primeiro pelo mais fácil:

 

Intervenção Militar: Apesar de o atual momento apresentar muitas semelhanças com o período pré-1964, ainda não chegamos em “1964″. Por isso qualquer tentativa de intervenção militar neste momento, pós-eleições, seria facilmente enquadrada como “Golpe” e não intervenção em defesa da democracia. Uma vez que a oposição perdeu democraticamente nas urnas.

 

Impeachment: Apesar de ser um processo democrático, ainda é cedo para pedi-lo. Além de termos acabado de perder nas urnas, assim como uma possível intervenção militar, seria caracterizado como “Golpe”. E mesmo que todos nós já saibamos que, muito provavelmente, a Exma. Presidente Dilma sabia do esquema nomeado “Petrolão”, e que até mesmo o doleiro Alberto Yossef, ex-operador do esquema e agora delator premiado, conforme publicou a revista Veja, tenha afirmado que tanto ela quanto o ex-presidente Lula sabiam do esquema criminoso, tudo isto ainda não passam de suspeitas. E ninguém sofre impeachment por conta de suspeitas.

 

Depois de concluído o inquérito e comprovada a sua culpa, aí sim poderemos recorrer a esta opção.

 

Não estou falando que não devemos ir às ruas, muito pelo contrário, devemos sim. Devemos ir às ruas para mostrar que não somos poucos, que seremos implacáveis com este governo, que não concordamos com o rumo tomado por quem nos governa, que vamos cobrar por cada promessa não cumprida…

 

Estamos atentos e vigilantes, prontos para a luta. Entretanto, não podemos nos precipitar. Se defendemos o Estado Democrático de Direito, temos o dever de preservá-lo.

 

Até aqui lutamos o bom combate, e devemos nos manter assim, cultivando e preservando nossos valores em defesa da democracia. Neste momento precisamos de calma e organização, afinal, não somos poucos!

 

A luta continua!

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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  • Descrente do Brasil

    Carlos, não sou defensor do Collor, LONGE DISSO, mas ele caiu por causa de SUSPEITAS, sim! E depois foi absolvido no Judiciário. Lula devia ter sofrido impeachment por causa do mensalão, que foi um esquema muito pior que o da época do Collor. O Petrolão é ainda pior…

    • Carlos Santos

      Entendo o seu ponto de vista, mas durante todo o processo do Mensalao blindaram o Lula. Seu nome não foi vinculado ao processo. A primeira vez que seu nome foi ligado a algum esquema foi agora, junto com o de Dilma.