House of Cards com dublagem PT-HUE

House of Cards com dublagem PT-HUE

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Coincidência. Destino. Planos de Deus. Obra do cão.
Chame como quiser, mas no dia 4 de Março de 2016 dois eventos muito importantes movimentaram a política mundial: a quarta temporada de House of Cards foi lançada e Lula foi levado à força para depor na Polícia Federal. Infelizmente o segundo ofuscou o primeiro, claramente mais importante e sério.

 

O que poucos percebem, é que ambos tem mais em comum do que pensamos: um protagonista carismático, uma trama que envolve um grande esquema no jogo do poder, uma nação que quase na totalidade ignora o que acontece nesse jogo e acredita/aceita tudo aquilo que a mídia diz, e o mais importante, são obras de ficção baseadas na realidade.

 

Quando devorei as duas primeiras temporadas da série da Netflix, tive a sensação de que aquela estória dos EUA estarem nos espionando, serviu pra que eles entendessem como funcionam as falcatruas por aqui e adaptassem pra realidade e cultura deles, resultando nessa série. É impressionante algumas similaridades. Especialmente a forma como Frank Underwood posiciona as peças do xadrez de tal forma até que não haja mais saída para “o rei”, que no caso é o presidente dos Estados Unidos, a não ser renunciar. “Xeque Mate”. Era isso, ou Impeachment. Te lembra alguma coisa? E se eu te dissesse que Frank era o líder do Congresso?

 

Quem era (é?) o líder do nosso Congresso? Sim, Eduardo Cunha. O mesmo cara que veio a público dizer que não tinha qualquer tipo de relação com a presidente do país, e estava declarando oposição à mesma, com todas as suas forças. Que sempre faz de tudo pra vetar qualquer coisa que partisse da mesma, independente de ser uma boa ideia ou péssima (OK, muitas vezes eram ruins). Coincidência? Plano de Deus?

 

Quer mais? Que tal o líder da outra casa legislativa federal ser do mesmo partido do Cunha? Pois é. Pra ficar pior, só mesmo se o vice presidente fosse desse mesmo parti… Sim! Isso mesmo! Se a presidente saísse do poder, os três primeiros na ordem de sucessão eram do mesmo partido que jurou publicamente oposição à quem estava no poder. Destino? Obra do Cão?

 

Sabe quem fez algo muito parecido? Frank Underwood! Fez de tudo pra opinião pública questionar o presidente no poder. E por tudo, pode incluir desde assassinato a manipulação da mídia, passando por crimes digitais e até mesmo fofoca pessoal acerca da vida conjugal do presidente. Quando o presidente não teve escolha a não ser renunciar e o vice assumiu, este já se encontrava tão enrolado nos esquemas de Frank que passou imediatamente o poder a ele. Frank Underwood chegou ao cargo mais importante do mundo, sem nunca ter ganhado um voto sequer para tal.

 

Onde quero chegar com tudo isso?
É tudo uma grande e mesma história de intriga e armações. O mesmo jogo do poder. Fazendo mais uma pequena intertextualidade, é a mesma “Guerra dos Tronos”.

 

Nem no Brasil, nem nos Estados Unidos real ou fictício, ninguém está nem aí para os interesses do povo (e quando está, é tirado logo de cena). O único interesse é o poder. E pra consegui-lo é preciso concessões. Conexões.

 

A Operação Lava-Jato parece ser uma grande ideia. Algo que vai, de fato, ‘lavar’ toda a sujeira do país. Está prendendo gente grande de todos os lados. Mas… De onde surgiu essa vontade súbita e incontrolável de fazer essa limpeza? OK, a casa estava muita suja, sim. Mas ela SEMPRE esteve. Seria pelo fato de o time que está ganhando (leia-se está no poder) agora ser o outro, e não o mesmo de sempre até então? Não… deve ser só coincidência. Ou os planos de Deus, que não entendemos.

 

Não pensem que sou contra qualquer ação anti-corrupção. Claro que não sou. Muito menos que estou defendendo político/partido A e atacando B. De forma alguma! Que sejam TODOS presos! E que cumpram a pena! Mas não sejam ingênuos. A corrupção não começou agora. E o pior é que não vai acabar. Só que não é disso que se trata. Se trata de dar ao povo um pouco do que ele quer, e assim haja uma leve melhora na imagem dos políticos, e depois tudo volta ao normal. É a tal da concessão. Dar um passo pra trás pra depois dois a frente.

 

Ainda sobre a Lava Jato, e sobre a concessão de peças importantes dos lados, mudança de foco e tal, não é curioso que um dia depois de Cunha ser atacado com força pela Operação, o assunto praticamente morra devido ao cumprimento do mandado contra o ex presidente Lula. Um cara que está no jogo e tem grande influência, é um líder e que tem diversos processos e indícios reais de envolvimento em esquemas ilícitos, aparentemente é menos importante do que um outro que não está apenas no banco de reservas no momento, e que, segundo consta, estava se aquecendo pra entrar, ameaçando tomar a vaga de alguém num futuro próximo. Mais uma coincidência (destino, plano de Deus, obra do Cão…).

 

Mas nada disso importa de fato. Estão todos no mesmo barco. Estamos todos no mesmo barco. Que continua afundando e sendo remendado com fita adesiva. E nós? Continuamos fazendo piada, assistindo futebol, BBB, séries, filmes… Tal qual os músicos tocando seus violinos no Titanic. Mas isso não significa, necessariamente, inércia. Pode ser, também, que simplesmente não haja expectativa de salvação. Pra que se importar? Em breve tudo voltará a ser como antes. Mudam os jogadores, mas não o jogo. Collor e Sarney, aliados de Dilma, que o digam. É nosso destino, ou o plano de Deus.

 

Por fim, se você, como eu, entende muito mais de séries do que de política, assista a quarta temporada de House of Cards no Netflix. Lá, ainda temos o elemento surpresa no roteiro. Dificilmente estaremos presos num loop eterno. Ou ao destino.

 

Sempre sagaz e antenada ao que acontece no mundo, a Netflix tratou de fazer uma bela ação de divulgação da série, mostrando F.U. na capa das revistas que defendem governo e oposição. Com manchetes totalmente opostas. Ao lado, uma carta escrita pelo fictício presidente ao povo brasileiro.

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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  • FredGazim

    Cara, é complicado escrever sobre o que se sabe pouco. E neste texto ficou claro que você pouco sabe de política, e ainda assim se arvora a comentar a respeito.

    Queria entender onde está a ficção na operação que investiga os ilícitos do Lula, pode me contar?

    Ademais, você alude que o PMDB inteiro seria um “Frank Underwood”, demonstrando que não acompanha o desenrolar dos fatos atuais. Jamais Calheiros e Cunha trabalhariam em favor de Temer. O presidente do Senado tornou-se inimigo deste exatamente por permanecer agarrado a Dilma mesmo depois de seus ilícitos virem à tona (Pasadena, já ouviu falar?). Ou você, que se pôs a comentar o assunto, não sabia que Calheiros deu-lhe uma desancada pública quando do vazamento da carta de Temer à presidente?

    Somente na sua mente, onde fatos são ficção, Cunha, Calheiros e Temer trabalham juntos para derrubar a inepta da Dilma. Quem irá derrubá-la são seus erros e falcatruas, em primeira instância, e em segundo lugar a oposição não partidária que se organizou na Internet, que organiza manifestações e está, saiba você, anos luz moralmente de qualquer um dos três pmdbistas citados.

    • Thiago Amaral

      Obrigado por esclarecer.

      • FredGazim

        Típico.

      • Carlos Santos

        Não se limite a agradecer. Você se expôs ao debate e agora não tenta nem refutar um contra-argumento? Não seja patético e covarde, se não está disposto ao debate público não comente algo do qual não entende.

        • Thiago Amaral

          O texto deixa claro o meu ponto e (não) posicionamento sobre o assunto, tal qual as respostas aos questionamentos. Não é necessário ficar me repetindo. Além do mais, minha resposta teve exatamente o mesmo tom do texto.
          No mais, chill out.

          • FredGazim

            Essa história de “não posicionamento” é para inglês ver. Não imagino que você esteja familiarizado com o termo “desonestidade intelectual”, mas é exatamente o que faz ao se posicionar, logo no começo do texto, e depois disto dizer que não irá se posicionar a respeito (?!).

            Ademais, fiz uma pergunta e você agradeceu ironicamente por ter tentado lhe explicar algo (a minha ideia não era explicar nada a você, óbvio, apenas quis mostrar o quanto estava equivocado em sua lina de — não — raciocínio), mas não me respondeu.

            Realmente gostaria de ler uma sustentação melhor sobre a investigação do Lula ser ficção, de repente para entender como alguém consegue chegar a um posicionamento como esse.

          • FredGazim

            Detalhe: Já escrevi textos polêmicos para esta revistas também (procura aí) e não refuguei aos questionamentos que vieram desta forma, por isso realmente acreditei que faria o mesmo, mas, claro, não é sua obrigação. Sinceramente, apesar de me espantar, compreendo que você puxou o papo, soltos frases de peso, mas não nada mais do que isso a dizer porque não tem argumento algum na defesa dos pontos que tem — e diz que não tem.

  • Thiago Amaral

    Talvez seja por considerá-lo meu amigo, ou talvez porque o tom tenha sido realmente mais amistoso, convidativo. O fato é que me senti convidado a participar de um debate e não intimado ao inquérito.
    Pois bem. Não que você tenha insinuado isso, mas a corrupção institucionalizada já existia desde Cabral, e, infelizmente permanecerá arraigada não só nesse nível, pois é um problema cultural.
    O que você diz sobre o ponto de vista partidário, não estava me referindo a especificamente PT e PSDB. Me refiro aos times. Poderia ser PSTU, PSOL, PC do B pelo ‘lado esquerdo’ como também poderia ser PMDB, DEM, PP pelo ‘lado direito’. É apenas a fachada das siglas vazias e ideologias de aparências quando, pois no fundo (e acredito que nisso concordamos) nenhum desses tem ‘lado’. Talvez até tenham, mas só até estarem no poder. Uma vez lá, ou não querem lutar pra manter ’suas ideologias’ ou simplesmente não conseguem.
    O que você disse sobre o Cunha ser usado pra tirar o foco de outrem, eu vejo justamente o contrário. Pra mim o Lula é esse bode expiatório. Calheiros e Cunha estão tão (provavelmente mais) envolvidos quanto lula em esquemas. Basta ver dessa forma: quem recebeu o ‘golpe duro’ antes? O Cunha. Durante quanto tempo ficou sob os holofotes? Horas? E o Lula? OK, Lula é maior que Cunha, mas o segundo está lá agora, ele tem interferência direta nos rumos do país. Lula, trabalha, no máximo, nos bastidores, especialmente pra tentar voltar ao poder.
    O paralelo que traço com a série, está justamente aí. E aí está a ficção de ambos. Nada disso está sendo feito em nome dos interesses da nação. São só artimanhas pra que acreditamos que algo está sendo feito, onde todos precisam ceder peças importantes, pra que depois tudo volte a ser como era. E que o revezamento continue. Por mais que algumas dessas peças acreditem de fato que estão agindo por conta própria e que estão fazendo coisas que querem fazer, todos são parte de um esquema maior.
    Alguns serão presos. De todos os ‘lados’ (é preciso dar credibilidade). Haverá, provavelmente, um período de calmaria (ou pelo menos problemas menores, pra que não haja desconfiança). As coisas ficarão, pelo menos ligeiramente, melhores pro povo. Quando a satisfação (ainda que não consigam da maioria) voltar e ‘o movimento das ruas’ volte a deitar eternamente em berço esplêndido, essa partida estará terminada. E até que alguém comece a abusar de cheat, viveremos o show do intervalo, talvez assistindo aos belos gols da Europa (da China?) e ficando com inveja dos craques de lá (alguns reclamando, dizendo que craque mesmo está aqui, na várzea, sendo saudosista/nacionalista e que não aguenta mais esse complexo de vira-lata).
    Desandei. Foi mal.
    Por fim, me chame de doido, alienado. Diga que eu não vivo a realidade. Ou que acredito em teoria da conspiração.
    Que seja.
    Acredito nisso, e vejo dessa forma.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Curiosidade: Qual é o seu referencial em política, além de House of Cards? Digo, o que você lê a esse respeito antes de formular tais opiniões?

      • Thiago Amaral

        O mundo.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Complicado. Por exemplo: Como afirmar que a corrupção no país é institucionalizada desde Cabral, que é um problema cultural e tudo mais, sem ter qualquer base bibliográfica para isso? Sem ter um estudo como base dessa afirmativa? Não passará de achismo, do mais barato, calcado em mero senso comum.

          É exatamente por não ler a esse respeito que você traça o paralelo absurdo entre House of Cars e Brasil. Não há sequer um argumento em sua fala que sustente com firmeza tal paralelo. A série não reflete sequer a realidade americana — não de um ponto de vista literal, apesar de evidenciar como é jogado o jogo do poder, valendo quase tudo. É muita ficção. Sobre ela, recomendo esse texto: http://www.feedbackmag.com.br/por-que-frank-underwood-e-um-democrata/.

          E pelo sua leitura de importância exacerbada do Cunha, uma resposta mais crível sua seria: TV.

          Por fim, uma pergunta que sempre faço a quem acredita que há algo escondido, por trás dos mais diversos males: Que grupo político teria poder e interesse suficiente para “tocar” Lula em favor de Cunha? O segundo não é unânime nem no PMDB.

          Sinto dizer-lhe que seria melhor não ter fugido tanto da cultura pop, terreno que domina melhor do que a política. Mas…

          • http://feedbackmag.com.br Guilherme Barauna

            Thiago, sua leitura tem uma série de equívocos, a começar quando aponta PMDB e PP ao lado direito do espectro político. Cunha é um dissidente no partido e ainda assim, não por defender os conceitos de direita e do conservadorismo, mas por defesa única e exclusiva de um código moral, que, seja ele cumpridor, ou não, deste, existe. Quanto ao PP é base aliadíssima da situação com pouquíssimas figuras divergindo do viés progressista do partido, sem necessariamente apresentar uma visão do liberalismo, puro ou conservador.
            Ainda que você se refira a “times”, continuaria não fazendo sentido, as coligações são variáveis muito oscilantes. Os próprios PSDB e PT fizeram nas últimas eleições municipais coligação em cerca de 1000 cidades. Esse argumento se anula simplesmente lembrando que a “redemocratização” tem apenas 26 anos.
            Sobre nenhum partido ter ideologia, a verdade é que não temos partidos de direita no país, com exceções pontuais e com algumas ressalvas, como o DEM, PSC, NOVO e PSL, destes, creio que você só conheça DEM e PSC. Desde o fim do regime militar, somos bombardeados culturalmente à virar à canhota e isso se reflete nas opções de partidos que temos. Por mais que pareça o contrário, é muita inocência pensar que não há viés ideológico por trás dos partidos, principalmente aqueles filiados ao Foro SP. Um simples parágrafo de leitura das convenções partidárias e tudo fica bem claro.
            Ainda sobre o Cunha, é necessário fazer uma leitura do jogo de interesses.
            Há quem interessa e quem teria tal capital político, para usar o até então intocável Lula, para salvar o presidente da Câmara? Cunha não é unanimidade em lugar nenhum. Até mesmo a “pseudo-oposição” se divide quanto à sua permanência na Casa. Além do mais, Cunha hoje é “Café-com-leite” no cenário político. Não há mais qualquer interferência significativa dele no “jogo do poder”. Não creio que ele seja uma figura ilibada, ou tenha alma tão honesta quanto Lula se auto proclamou, mas basta olharmos para a outra casa, que nos depararemos com Calheiros, com um histórico muito mais comprometedor e assombroso que o de Cunha sendo completamente ignorado pelo senso de justiça que surgiu em torno do presidente da câmara após este se declarar oposição ao governo no ano passado. E sobre ficar em holofote, em alusão ao que falei anteriormente, você não deve ter acompanhado as reportagens durante as primeiras manifestações, onde um porrilhão de gente foi pedir impeachment e a pauta de 10 em 10 reportagens era o deputado que pega a Cláudia Cruz. Não analisei apenas o último evento, mas o uso da imagem dele em todo o processo.
            Sobre o Lula ser bode expiatório: – HA – only can be zoeira.
            O Nine Fingers estava sendo investigado há muito tempo, e todas as evidências foram apontadas na nota do MPF é impossível executar uma articulação e levantar tudo aquilo em 48 h. Além do mais, não fosse o fato das informações da investigação terem vazado, não seria essa a hora de ir à caça, mas as circunstâncias levaram a PF a efetuar a ação. E não, voltar ao poder não parece uma ambição particular do Brahma, essa hipótese só foi levantada diante da falta de quadros para 2018.

            Para finalizar, posso considerar sobre corrupção desde os tempos de Cabral, por mais hiperbólica que seja essa posição, a corrupção é inerente à sociedade, mas a simples corrupção não é similar a esta, institucionalizada. Hoje não se trata apenas de dinheiro, mas um jogo de ações pelo poder a qualquer custo.

      • Thiago Amaral

        Mas não serei ‘covarde’, ‘desonesto’ ou ‘infantil’, antes que me seja dito. Não leio/li nenhum teórico em política. Minhas opiniões são baseadas no que estudei até hoje de forma geral, apenas. Também no que observo, como disse no comentário anterior, o mundo. Também considero muito o que é dito nas rodas de amigos e mesas de bar. Procuro entender o que meus amigos que entendem um pouco mais do que eu tem a dizer, e aprender com estes. Tenho amigos em diversas áreas, a maioria é da educação, meu meio, mas também tenho amigos economistas, advogados, engenheiros… Todos com visão política diferentes e influenciados por aquilo que vivem em suas áreas, bem como o que estudaram em sua vida acadêmica.
        (PS.: no momento em que escrevo isso recebi um email avisando sobre seu próximo comentário, portanto, não sei ainda o que escreveu de volta)
        Assim, posso dizer, que me baseio no que vejo e ouço. Nas minhas convicções, crenças, na minha observação. E pra isso, não é preciso livros. Não que eles sejam inúteis, por favor! Só digo, que todos nós conhecemos alguém que entende muito de algum assunto sem nunca ter lido nada a respeito, nenhum teórico. São pessoas que ou são geniais, ou tem ótima leitura de mundo.
        Mas não é o meu caso, claro. Não quero, jamais, sequer insinuar, que sou muito entendido sobre qualquer assunto que seja. Sou um eterno observador. Nem mesmo do assuntos que acompanho e leio muito, posso dizer que tenho domínio. Em muita coisa sou apenas leigo. Em outra,s medíocre.
        Pra finalizar, o que vocês esperavam de um texto que com este título e imagem, editada da maneira mais bisonha possível? Vocês estão aceitando provocação de alguém que claramente não está a fim de se levar a sério, mesmo que falando de assunto sério.
        Leiam de novo, e percebam a ironia que está presente no texto. O tempo todo.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Eu não estou aceitando provocação de ninguém. Meu foco aqui não é o texto, é o autor, e estou sendo bem sincero ao afirmar isto. Estou aqui numa missão sociológica, de entendimento.

          Sobre o texto, se quer falar do título, eu esperava algo um tanto diferente. O título é bom, gostei, são as afirmativas do miolo que causam algum espanto. Mas tudo bem.

          E sobre este comentário, bom…

          “Só digo, que todos nós conhecemos alguém que entende muito de algum assunto sem nunca ter lido nada a respeito, nenhum teórico.”

          Eu não conheço ninguém que entenda, de verdade. de um assunto e não tenha lido nada sobre ele. E, por favor, não reduza política a “teóricos” e partidos. Política é muito mais. Tudo que você vê, ou até come, é influenciada por ela.

          Falar de política é falar de cultura e, com todo respeito, pelo seu texto, duvido muito que você dialogue com algum amigo que saiba do bê a bá da coisa.

          Cito meu próprio exemplo: Até 2014 eu supunha entender alguma coisa do tema. Eu lia mais que a maioria, acompanhava o noticiário, sabia dos nomes, do que estava acontecendo, já maldava a esquerda, já era de direita, escrevia a respeito inclusive e se você passar pelos meus textos, vai pensar que entendo do assunto — mesmo que discorde.

          E eu já entendia bastante coisa mesmo. Mas aí, em 2015, me pus a estudar de verdade política e seus assuntos correlatos — economia, religião, filosofia. Foi um pequeno choque, que me fez escrever menos, bem menos, mas com muito mais propriedade e qualidade. A diferença é notória.

          Nesse processo, pude aprofundar levemente algumas coisa que que conhecia só superficialmente. Foi um ano incrível, e o conhecimento desta área me ajudou em todas as outras fora da política também.

          Então, acredite em mim, não dá para bastante de algo se você não leio sobre ele – excetuando, claro, o mundo do entretenimento.

          A comunicação escrita foi uma das melhores invenções do homem. Não conheço forma melhor de aprender, de verdade.

    • http://feedbackmag.com.br Guilherme Barauna

      Thiago, sua leitura tem uma série de equívocos, a começar quando aponta PMDB e PP ao lado direito do espectro político. Cunha é um dissidente no partido e ainda assim, não por defender os conceitos de direita e do conservadorismo, mas por defesa única e exclusiva de um código moral, que, seja ele cumpridor, ou não, deste, existe. Quanto ao PP é base aliadíssima da situação com pouquíssimas figuras divergindo do viés progressista do partido, sem necessariamente apresentar uma visão do liberalismo, puro ou conservador.

      Ainda que você se refira a “times”, continuaria não fazendo sentido, as coligações são variáveis muito oscilantes. Os próprios PSDB e PT fizeram nas últimas eleições municipais coligação em cerca de 1000 cidades. Esse argumento se anula simplesmente lembrando que a “redemocratização” tem apenas 26 anos.

      Sobre nenhum partido ter ideologia, a verdade é que não temos partidos de direita no país, com exceções pontuais e com algumas ressalvas, como o DEM, PSC, NOVO e PSL, destes, creio que você só conheça DEM e PSC. Desde o fim do regime militar, somos bombardeados culturalmente à virar à canhota e isso se reflete nas opções de partidos que temos. Por mais que pareça o contrário, é muita inocência pensar que não há viés ideológico por trás dos partidos, principalmente aqueles filiados ao Foro SP. Um simples parágrafo de leitura das convenções partidárias e tudo fica bem claro.

      Ainda sobre o Cunha, é necessário fazer uma leitura do jogo de interesses.

      A quem interessa e quem teria tal capital político, para usar o até então intocável Lula, para salvar o presidente da Câmara? Cunha não é unanimidade em lugar nenhum. Até mesmo a “pseudo-oposição” se divide quanto à sua permanência na Casa. Além do mais, Cunha hoje é “Café-com-leite” no cenário político. Não há mais qualquer interferência significativa dele no “jogo do poder”. Não creio que ele seja uma figura ilibada, ou tenha alma tão honesta quanto Lula se auto proclamou, mas basta olharmos para a outra casa, que nos depararemos com Calheiros, com um histórico muito mais comprometedor e assombroso que o de Cunha sendo completamente ignorado pelo senso de justiça que surgiu em torno do presidente da câmara após este se declarar oposição ao governo no ano passado. E sobre ficar em holofote, em alusão ao que falei anteriormente, você não deve ter acompanhado as reportagens durante as primeiras manifestações, onde um porrilhão de gente foi pedir impeachment e a pauta de 10 em 10 reportagens era o deputado que pega a Cláudia Cruz. Não analisei apenas o último evento, mas o uso da imagem dele em todo o processo.

      Sobre o Lula ser bode expiatório: – HA – only can be zoeira.

      O Nine Fingers estava sendo investigado há muito tempo, e todas as evidências foram apontadas na nota do MPF é impossível executar uma articulação e levantar tudo aquilo em 48 h. Além do mais, não fosse o fato das informações da investigação terem vazado, não seria essa a hora de ir à caça, mas as circunstâncias levaram a PF a efetuar a ação. E não, voltar ao poder não parece uma ambição particular do Brahma, essa hipótese só foi levantada diante da falta de quadros para 2018.

      Para finalizar, posso considerar sobre corrupção desde os tempos de Cabral, por mais hiperbólica que seja essa posição, a corrupção é inerente à sociedade, mas a simples corrupção não é similar a esta, institucionalizada. Hoje não se trata apenas de dinheiro, mas um jogo de ações pelo poder a qualquer custo.

      • Thiago Amaral

        “Hoje não se trata apenas de dinheiro, nas um jogo de ações pelo poder a qualquer custo”
        Único momento de toda essa discussão em que parece ter havido um entendimento exato do que meu texto quis dizer de fato.
        De fato me equivoquei quando coloquei PMDB no #teamdireita. Esse partido é #teamquetaganhando.
        Mas, veja, estou tentando dizer que, na verdade, não existem lados. Ou melhor, até existem: o lado que está no poder e o lado que quer o poder. E sempre será assim.

  • Carlos Santos

    Se queria palco, conseguiu. Falou sobre um assunto que desconhece, baseado no “mundo, mesa de bar e televisão”. Poderia citar cada absurdo escrito no texto e nos comentários, e são absurdos não por uma leitura equivocada dos fatos, mas sim, por falta de leitura dos fatos. Do mais, como disse que não quer ser levado a sério, não temos por que perdermos tempo aqui, porém, te aconselharia a deixar de ser um inocente útil nas mãos da esquerda — sim, ela existe de verdade, e no Brasil só ela existe.