George W. Obama

George W. Obama

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Estou aqui no Brasil feliz pra burro com o fato da descarada perseguição a membros de grupos opositores através do Fisco, imposta pelo Governo Obama, ter vindo à tona. Feliz também pela descoberta de um programa de vigilância infame, com grampos telefônicos e monitoramento de internet – e-mails, fotos, vídeos e qualquer outro tipo de documento digital que trafegue na rede. A Casa Branca vem utilizando tais recursos contra seu próprio povo desde 2007.

 

Sim, feliz, porque a aura intocável e superior que contornava o reeleito presidente americano diminuirá um pouco com essas notícias, aquela ideia de Presidente Super-Herói será um tanto freada e os debates públicos rumarão, por fim, para um plano mais real.

 

Acompanhando autores como Felipe Moura Brasil e Olavo de Carvalho, me senti como um aluno adiantado no colégio, aquele que sabe mais que os demais da turma. Leio críticas ao Governo Obama há bastante tempo, das mais diversas, e leio também constantes reclamações de que a mídia brasileira as ignora. Mas desta vez o escândalo foi tão grande que ouvimos um ruído por aqui, mesmo os mais ferrenhos obamistas tiveram que dar o braço a torcer.

 

Engraçado que as comparações com Bush, agora, foram inevitáveis, naquele ato tradicional de jogar todos os políticos no mesmo saco (é o que venho dizendo, EUA nunca foi tão parecido com o Brasil). O título “George W. Obama” não é meu, foi cunhado pelo jornal americano The Huffington Post, que o publicou em sua front page (site) seguida de uma montagem:

 

Front Page do Huffington Post.

Front Page do Huffington Post.

 

A comparação se dá pela comprovação de que no governo Obama, milhões de americanos vem sendo espionados através de informações extraídas “a força” dos gingantes da internet Google, Microsoft, Yahoo, Facebook, PalTalk (nem tão grande assim), YouTube, Skype, AOL e Apple, num ato que nos remeteu a campanha bem-sucedida do Governo Bush de aprovar tal ação, através do Patriot Act. Só que Bush e os republicanos não esconderam o desejo de vigilância total, e buscaram legalizar essa invasão travestida de espionagem anti-terrorista. Os democratas foram contra o tempo todo, tecendo duras críticas a essa invasão de privacidade, e quando Obama prometeu romper com as práticas do governo anterior, em seu discurso de posse, os americanos acreditaram se tratar, entre outras coisas, dessa total quebra dos direitos civis dos cidadãos. Quão ingênuo eles foram, e não só sobre isso, mas por toda fé cega depositada em Obama.

 

Na surdina, Obama nem precisou anunciar que se valeria de expediente similar ao que sempre criticou, e iria até além. Sem medo das críticas, pois até então não sabia o que era isso – tem relação de amor fraterno com a grande mídia americana -, criou o programa chamado Prisma, que sabe tudo de todo mundo (não são só americanos que usam redes sociais). Barack Obama, assim, praticava seu “direito” de ser o homem mais poderoso do planeta. Esqueceu-se apenas que nos EUA, diferente do Brasil, ainda existe oposição forte e decente. O caso veio a público e para diminuir Obama, o jornal nova-iorquino o compara a Bush.

 

Acho isso muito hilário, e um comprovação de que não só na visão da imprensa internacional, mas também de parte da imprensa americana, Democratas continuam sendo bonzinhos e republicanos malvados. Exatamente tudo que prego contra, essa visão maniqueísta só diminui a tão complexa e importante Política. Se pensa assim, saia dessa, pesquise e seja detalhista, pois sem os detalhes você continuará sendo um “idiota útil” que vota mal, achando ser um baita patriota. E digo isso pensando tanto no Brasil e quanto nos EUA.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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