Falta de ética ou coisa pior

Falta de ética ou coisa pior

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No último domingo a Globo estreou sua nova atração, um reality diferente realizado em parceria com o UFC – maior organização de MMA do planeta. O programa traz uma fórmula que já é sucesso nos EUA e logo em seu primeiro episódio fez a audiência da emissora saltar de 12 para 15 pontos. Apesar de ser um reality show, com lutadores, o programa é gravado. Os episódios que irão ao ar a cada domingo são o resultado de uma compilação feita pela produção, e as lutas semanais que definem quem permanace na disputa provavelmente já ocorreram.


Isso não é novidade, o original americano também é assim e encontra-se em sua 15ª edição. Lá fora, geralmente, os finalistas são revelados somente no último episódio, onde ficamos sabendo quem são os quatros atletas que lutarão, ao vivo, pelo pomposo contrato com o UFC. Mas o portal de notícias R7, da Rede Record, nos “poupou” a espera e anunciou os finalistas do show apenas algumas horas após a estreia do programa, antes mesmo que os fãs pudessem comentar entre si quais eram os seus lutadores favoritos.


O “furo”, como estão chamando por lá, ecoou fortemente pela internet e agora os supostos quatro finalistas (dois penas – 66kg – e dois médios – 84 kg) são conhecidos pela maioria dos brasileiros que navegam na grande rede. A situação levantou uma discussão sobre ética jornalística e afins: enquanto uns defendem a atitude de Diego Ribas – jornalista responsável pela matéria – e do R7, outros não param de reclamar do que podemos chamar de “spoiler profissional”.


Quer ilustração melhor para o ocorrido?

Quer ilustração melhor para o ocorrido?


É meio difícil imaginar que um veículo informativo do tamanho do R7 tenha empenhado recursos (recurso é tudo, tempo, dinheiro) para levantar tais informações apenas pelo compromisso de informar o público. Apesar da equipe do site ter frisado isso em outras publicações, é muito mais lógico pensar que a atitude do portal segue a postura da emissora que o mantém. Não é de hoje que Globo e Record se “bicam”, porém nos últimos meses a coisa tem se sido mais clara para nós, espectadores. Primeiro foi o fato da Globo ter usado imagens do Pan, exclusivas da Record, sem a logo da mesma. Depois foi a vez da Record preparar uma mega reportagem (com aquele status de “especial”) contra o MMA, que agora é apadrinhado pela Globo.


Porém os fatos citados não tinham impacto direto no público – a não ser pela influência aos desavisados – como essa matéria spoiler da última segunda-feira. Acho que ficou claro para todos a intenção da matéria, mas a questão é, ela pode ser considerada antiética?


Bom, considerando que o programa é transmitido em outra emissora, que tem como foco um esporte que a Record através de reportagens já se posicionou contra e que o público-alvo da atração, em sua maioria (estou me baseando por um perfil ao qual faço parte), não gostaria de ter essa antecipação, só consigo pensar que há algo ainda mais grave do que a falta de ética.


O R7 é meio que uma cópia do Globo.com, até o menu tem o mesmo estilo e cores. No R7 eles comentam sobre tudo que passa na emissora rival, de novelas a Big Brother Brasil, trace por aí o seu perfil em relação ao site. Não acho estranho eles comentarem sobre a programação da Globo, pelo contrário, acho melhor do que fazer como a emissora carioca, que finge não existir outras coisas além do que eles transmitem, mas parece que sem a concorrência com a Globo o portal não existiria. Quer dizer, não como é hoje. Ou seja, falta-lhes identidade, assunto e algumas outras coisas. Por isso “perderam” tempo com o quê se orgulham em chamar de furo do ano no MMA nacional, enquanto o resto do mundo os acusa por falta de ética.


Globo.com...

Globo.com...


E R7; coincidentemente ou não, são muito parecidos.

E R7; coincidentemente ou não, são muito parecidos.


É daí que tiro o “coisa pior”. Essa “implicância” é chata, inculta e não nos traz nada de bom. O TUF Brasil é só a bola da vez, a notícia da semana, daqui a pouco teremos outras e a ética ficará sempre em cheque no meio disso tudo.


Ah, se você quer saber quem são os quatro nomes apontados pelo R7, clica neste link deles. O nosso objetivo aqui é apenas levantar um debate e causar uma reflexão maior sobre o assunto.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Anderson

    Não acho que o que a Record fez foi certo, mas gostei kkk

    Idiota é a globo, de gravar tudo primeiro e só depois passar, porque imagina se a Novela fosse assim. Todos saberiam o Final, por isso o ultimo episódio é gravado um dia antes, para evitar ao máximo vazamentos… Acho também que não é nada ético um programa que se chama reality show não ser “real” ou cronologicamente real… Porque o programa não pode ser feito semana a semana certinho?! Agente fica de idiota… tipo quando você vê uma reprise que todos já viram só você que não e você se empolga e começa a torcer e tals… 
    Voltando ao assunto, essa guerra não vai acabar, no Brasil não existe ética com o telespectador. Eu tenho Sky e a todos os canais que assisto nenhum atrasa!!! Nas emissoras nacionais os atrasos as vezes passam de 30 min, isso pra mim demonstra o descaço conosco. Eles só pensam em lucrar, e se para isso tiverem que se degladiar pode ter certeza que elas não exitaram

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Então Anderson, independente de ter gostado ou não do “spoiler” do R7, não acho a Globo idiota por este caso. Quem não é viciado em MMA talvez não saiba, mas a Zuffa (dona do UFC) é rígido em seus negócios e hoje encontra-se em posição de negociar favoravelmente com qualquer emissora do planeta, por conta de seu “monopólio”. O formato do programa é esse, e funciona bem, nem se a Globo quisesse mudaria isso.

      Não acho errado ser um reality e ser gravado, porque o foco do mesmo não é muito bem o que a Globo tenta mostrar, relacionando ao BBB. Entenda, é um show na TV com pessoas comuns, que não estão interpretando, todos os programas assim são realitys. Não existe votação para tirar alguém da casa, por isso não há problema em não ser ao vivo. A edição é muito boa e torna o programa legal, por isso é gravado com boa antecedência; não é o tipo de show que teria um pay-per-view ou mesmo interações semanais como acontece com o BBB, por exemplo. O foco é outro.

      Acho que para curtir e entender melhor o The Ultimate Fighter, é mais fácil encará-lo como uma série. Ele tem temporadas, um capítulo por semana, é gravado… A diferença é que nada é interpretado, tudo é real. Por isso podemos até criar um termos aqui, série reality. Fica mais fácil. Abraços!

      • anderson

        Fernando, Eu sabia que o reality tinha esse formato e que era gravado antes. Mas não gosto, preferiria que fosse no mínimo as lutas ao vivo…

        A atitude da Record foi horrível mas a globo também faz as suas e por ter mais dinheiro(Poder) ela faz coisas que nem vemos(Por debaixo dos panos)…

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Só discordo de uma coisa no seu comentário, a Globo tem mais poder, mas não tem mais dinheiro.

  • André Luís Marçal Júnior

    Foi extremamente lamentável o “furo de notícia” da Record, mas não foi o 1º e infelizmente não será o último. Se for verdade irá frustar muitos espectadores novatos e também antigos de MMA. A globo inclusive fez pior, apresentando imagens da abertura do PAN AMERICANO, pegando de um TV estrangeira, sendo que a concorrência para transmissão no Brasil foi vencida e paga pela Record.
    Não quero ser advogado do Diabo, ops….da Record…rs!
    Mas acredito que essa disputa infelizmente e retrato do capitalismo e da impunidade que é “cultural” em nosso país. Se povo se unisse para uma transformação cultural o país iria mudar. Porque com cultura todos saberiam seus direitos e deveres. Sabendo dos direitos não cometeriam delitos por ausência de conhecimento e principalmente cobrariam mais seus direitos. A impunidade diminuiria. A falta de ética diminuiria. A prosperidade aumentaria. E o Brasil evoluiria. Eu sei que viajei um pouco, mas para entender, assista o vídeo de um programa de tv sobre um país que tem apenas 50 anos, sem quase matérias primas, mas já está em destaque economicamente e em qualidade de vida: http://www.youtube.com/watch?v=K7P406rv-DI&feature=player_embedded&list=PL038DD2AA57EB80FE#!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Cultura e educação André, essas são as bases. Sem as duas, que se englobam em uma só, não temos nada e absurdos como os citados no texto só aumentam.

      Acredito que o Brasil só tem a melhorar, nesse aspecto cultural é difícil piorar mais. Nós, por exemplo, estamos fazendo a nossa parte participando de debates sempre muito proveitos por aqui. Abs!