Fair Play: Arbitragem, Malandragem e Conveniência.

Fair Play: Arbitragem, Malandragem e Conveniência.

5

Em 1986, após a famosa “mano de dios”, do argentino que tinha armação até no nome, a campanha pelo jogo limpo, o famoso Fair Play, ganhou força ao redor do mundo.

 

Talvez, o grande problema do movimento seja ter que contar com a idoneidade alheia, afinal, o esporte, muitas vezes, apenas reflete a corruptibilidade do gênero humano, e vez ou outra, aparece alguém agindo à brasileira, usando da força pública para tirar proveito do famoso jogo limpo.

 

Acontece que nem todos levam essa ‘malandragem’ na boa. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Edmundo na Copa de 1998, quando na traumática partida que eliminou a seleção brasileira, após o Animal recuperar a bola para a canarinho, e a seleção ter um saldo de gols negativos, Rivaldo pagou de bom moço e jogou a bola para fora, para atendimento à Zizou que, claramente, fazia catimba. Foi o suficiente para que Edmundo amaldiçoasse até a vigésima geração do meia boa praça.

 


Link Youtube

 

O improvável

 

Na última semana, o movimento por um jogo mais limpo deu um passo à frente. Explico-vos:
Assim como em terreno Tupiniquim, as trapalhadas da arbitragem se multiplicam por todo o globo terrestre, e um episódio, em especial, chamou a atenção do mundo.

 

Aos 50 minutos do segundo tempo, em partida válida pelo campeonato turco entre Rizespor e Kasimpasa, o árbitro Deniz Çoban, marcou um pênalti a favor da equipe do Kasimpasa em um lance para lá de duvidoso.

 

Após a partida, o técnico do Rizespor, criticava duramente a atuação da arbitragem, quando, repentinamente, Deniz Çoban invade a entrevista, afirma que reviu os lances, lamentando e pedindo perdão pelo erro que considerava gravíssimo. O árbitro simplesmente, pediu desculpa aos dirigentes da federação e aos membros do conselho de arbitragem, afirmando que iria encerrar a carreira.

 

Mas e o Brasil?

 

Não. O que espero não é que todos os árbitros peçam demissão, mas tenho certeza que se o ato de Deniz, de simplesmente reconhecer seu erro inspirasse nossa arbitragem, todos ficaríamos muito mais satisfeitos com os homens de preto. Por aqui, assim como funcionários públicos, árbitros são considerados semideuses, intocáveis, seres incapazes de errar, onde qualquer questionamento está sujeito à punição.

 

Erros e mais erros são cometidos, rodada após rodada, prejudicando clubes e minando a credibilidade não só do nível dos donos do apito, quanto do campeonato em si. Hoje, precisamos de mais Fair Play, precisamos de mais humildade, precisamos de mais Deniz.

Guilherme Barauna
Músico, cristão reformado e antagonista do politicamente correto. Consumista voraz do que a internet pode proporcionar sem abrir mão de um bom livro. É pai da Luíza e Mestre Jedi no tempo livre. Criador do seucursodeexcel.com.br Twitter: @glmbarauna

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.
 
  • Thiago Amaral

    Cara, acho que há espaço pra fair play sim. O que não cabe é a obrigação dele. É tipo como bons modos. Há uma convenção social de que ele deve existir mas não deve ser punido ou execrado caso não haja. Dá mesma forma que você exaltou um juiz que assumiu um erro e tomou uma atitude inusitada, também há jogadores que o fazem, admitindo que não foi penalty, ou não pedindo um escanteio quando sabem que tocaram na bola, e por aí vai. Sobre o que você fala a respeito dos árbitros brasileiros serem semideuses, eu vejo justamente o contrário. Eles tem sido extremamente criticados recentemente. Na minha concepção, eles devem ser profissionais. Assim, podem ser exigidos e punidos adequadamente. Os caras tem todo o direito de errar e sequer podem ser cobrados por isso, visto que sem tipo freelancers. Há muita coisa envolvida nessas questões que você levantou.

    • http://feedbackmag.com.br Guilherme Barauna

      Thiago, não discordo de absolutamente nada que você disse. Talvez não tenha sido claro no texto. Acho que existe, sim, espaço para o fair play, nunca quis dizer o contrário. É nobre.
      Quanto aos árbitros serem tratados como semideuses, me refiro à blindagem da federação e tribunais, não à imprensa e opinião pública. Por isso os comparei aos funcionários públicos. Estes não são, de todo, amados pela população, mas ofenda a um deles e verá se cumprir as consequências do artigo 331 do código penal.

      • Thiago Amaral

        Ah, sim. Realmente não tinha visto dessa forma no texto.

  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Fair Play é o caralho, dá-lhe Edmundo!

    • Thiago Amaral

      Nesse caso em específico citado no texto, também sou totalmente a favor do ‘unfair’ play. Além do mais, como bom vascaíno que sou, também sou fanboy do Edworld e mesmo que ele estivessse errado estaria certo.