Faculdade de Design Gráfico – Só ficamos desenhando?

Faculdade de Design Gráfico – Só ficamos desenhando?

3

O curso de Design tem como objetivo formar profissionais capazes de elaborar e desenvolver projetos que envolvam os aspectos do ambiente humano, de produtos e de bens culturais, relacionados às áreas (ou habilitações) do Design, apresentando currículo estruturado em formação humanística, artística, técnica e profissionalizante. A formação ministrada nos três primeiros semestres inclui as disciplinas comuns às diversas habilitações. Ao completar a faculdade você se torna Bacharel em Design.


É bom saber que a formação em design gráfico vai muito além do domínio de softwares específicos. Teoria da cor, composição, semiótica e disciplinas ligadas à filosofia e à psicologia são alguns dos conteúdos estudados. A importância desse currículo se justifica pelo fato de o designer não apenas fazer projetos gráficos, mas também pensá-los desde o início, adaptando-os às necessidades do cliente e da sociedade. Ao contrário do que se pensa, não é obrigatório saber desenhar. O aluno pode ter facilidade pra outra representação gráfica, como colagens, por exemplo.


Na formação o aluno adquire conhecimentos básicos referentes a planejamento e configuração (técnicas de projeto e pesquisa, meios de representação e comunicação), sistemas de produção (relação com o processo produtivo: materiais e processos, metodologia e gestão), sistemas de utilização (relação com o usuário: ergonomia, semiótica, estética) e contextualização (relação usuário, objeto e meio ambiente: história, sociologia, artes). Outro diferencial são os Núcleos de Projeto, disciplinas que agrupam os alunos a partir do 4º semestre, provenientes das quatro habilitações, estimulando a criação por meio do princípio da inter-relação e interação multidisciplinar.


Acerte no alvo!A sociedade procura um novo projeto, que envolve fundamentalmente a mudança da capacidade de imaginação, a recriação e a reavaliação dos parâmetros. No atual contexto virtual e de significativas mudanças nos costumes, cabe ao Designer realizar o papel fundamental, enquanto revelador de tendências, provocador de novas práticas sociais e antecipador de necessidades futuras.


“São poucos os profissionais realmente habilitados. Assim, os que entram no mercado e provam sua competência são muito valorizados”, palavras de Alécio Rossi Filho, coordenador do curso de Design Gráfico do Senac, em São Paulo. Embora a carreira universitária seja nova, os designers gráficos com formação superior saem direto dos estágios para as empresas, com salários iniciais em torno de R$ 2 mil – um patamar alto se comparado a outras atividades.


Os profissionais que se dedicam à pesquisa em Design Gráfico encontram boas oportunidades em empresas de produção gráfica, emissoras de TV, estúdios fotográficos… Mas o mercado de trabalho é especialmente favorável para quem se particulariza nas novas linguagens digitais e eletrônicas. Empresas que exploram o nicho da internet estão sempre em busca de especialistas (ainda poucos) na concepção visual de sites.


Apesar das boas ofertas de trabalho, muitos autodidatas competem com aqueles que têm formação acadêmica (em breve farei um artigo sobre essa “disputa”).


A compreensão da sociedade


As grandes empresas, internacionais e nacionais, sabem há décadas o quanto o design é capaz de tornar uma marca mais atraente. Porém, nos pequenos empreendimentos, profissionais da área ainda concorrem com pessoas sem formação que fazem projetos só porque sabem mexer em determinado software – geralmente, um conhecido, amigo ou primo que faz o trabalho de graça ou cobra mais barato, mas não tem a mesma qualificação. O problema se intensifica porque a profissão não é regulamentada, ou seja, não tem uma organização de classe que a represente, como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) ou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


Segundo Eduardo Braga, diretor nacional da Associação de Designers Gráficos (ADG), a dificuldade em regularizar a profissão – e impedir que o trabalho de design seja feito por “primos” dos clientes – resulta do pequeno número de profissionais formados no país. Eles eram apenas 30 mil, segundo o último senso do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 2003. As escolas também ainda são poucas. Caso você decida fazer a graduação, prepare-se para virar noites em claro. Ao longo da faculdade, há poucas provas e muitos trabalhos extra-classe.


Há também os cursos técnicos. Mais rápidos, eles são uma boa opção pra quem precisa ou quer se inserir rapidamente no mercado de trabalho. A duração média é de dois anos, mas essa formação é menos valorizada pelo mercado. Uma dica boa é complementar a formação de quem passa pelas escolas técnicas: fora da sala de aula você deve tentar obter mais conhecimento teórico, participando de palestras, seminários, ou, simplesmente, lendo, existem livros ótimos sobre Design.


Estagiar é extremamente importante!


Tanto para a faculdade quanto para os cursos técnicos é fundamental fazer estágios. “Há uma diferença grande entre o que se aprende em sala de aula e o que é feito no dia-a-dia da profissão. O estágio cria um elo entre esses dois pontos”, segundo Mariana Misk. Uma carreira promissora espera pelos que têm a coragem de se tornar designer gráfico. É verdade que a profissão não é das mais tradicionais (por enquanto) – daquelas que os avós sonham pra nós. Mas tem, sim, tudo a ver com o tempo em que vivemos e com as imagens que formam nossa vida.


Por fim vou colocar os links da grade curricular dos cursos de Design da PUC e da Unicarioca, que é a faculdade em que estudo.


- PUC, ênfase em Comunicação Visual e Mídias Digitais: Comunicação Visual e Mídia Digital.


- Unicarioca, ênfase em Design Gráfico e Digital: Bacharel em Design Gráfico e Design Digital.

Anderson Barboza
Anderson Barboza da Silva estuda Design Gráfico na Unicarioca, porém já atua na área de design há cinco anos. Adora filmes, séries, futebol americano, F1 e edição de vídeos. Também é um amante da música, toca percussão, bateria, um pouco de baixo e atualmente está aprendendo gaita.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.
 
  • http://www.portillodesign.com.br Rodrigo Portillo

    Interessante…. mas ao mesmo tempo preocupante… Conheço muitas pessoas formadas, na área de Design, que ignora a parte filosófica, psicológica, gramática e até técnica, focando como se design fosse pura arte pela arte. Acreditando que o objetivo seja mais subjetivo do que prático..

    • http://www.andersonbarboza.com Anderson Barboza

      Verdade Portillo,

      O que eu vejo é que os Designers não se acostumaram a unir as duas coisas, pois quem faz “Arte” não leva em consideração os aspectos do cliente ou publico-alvo, e por outro lado há designers que esquecem todas essas ciências e criam simplesmente por criar, sem usar os conceitos… Mas falo em relação ao Brasil, pois há alguns filmes estrangeiros que vi, que vc vê que já é algo natural para eles. Um filme bem interessante é o Objectfield. Abraço

  • Vitor Fernandes

    Acho que o fato dessas pessoas ignorarem a parte digamos assim “teórica” do design é que leva a eles não saberem nem explicar as suas próprias obras. Se você perguntar a essas pessoas o porque ela chegou a um determinado resultado, ou porque prefere aquela cor, ou porque deixou aquela pagina de um site, daquela forma, não terão informações baseadas em conceitos. E é ai que vemos a diferença de profissionais qualificados ou não.