Estrangeiros no futebol brasileiro

Estrangeiros no futebol brasileiro

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Nos últimos anos o futebol brasileiro tem mudado o seu jeito de encontrar novos talentos, é claro que as divisões de base ainda tem sido o grande foco das principais equipes do país, mas o mercado nacional literalmente abriu as portas para os jogadores estrangeiros. Até meados dos anos 90, ter um jogador “importado” no elenco era quase como um artigo de luxo, o que acabava chamando bastante a atenção dos torcedores e das outras equipes. Mas na virada do século, os principais clubes brasileiros passaram a investir no talento que vem de fora.


Puxando pela memória e pesquisando o Campeonato Brasileiro de 2000, naquela época chamado de Copa João Havelange – torneio vencido pelo Vasco da Gama – eram poucos os atletas oriundos de outras nações. O grande detalhe é que nenhuma das 25 equipes que disputaram o módulo azul daquela competição, tinham mais do que dois estrangeiros em seu elenco. O sérvio Petkovic, pelo Flamengo, o argentino Sorín e o colombiano Viveros, pelo Cruzeiro, além do argentino Astrada, pelo Grêmio, eram os que mais se destacavam.


Hoje a situação é completamente diferente da vivida naquele período. A divisão principal do futebol brasileiro tem apenas 20 equipes e 8 delas possuem três ou mais estrangeiros no grupo. Outras 7 contam com pelo menos um jogador “importado” e apenas 5 times tem todo o seu elenco formado por brasileiros.


Mas a grande questão é: Porque o futebol brasileiro está investindo tanto em jogadores estrangeiros se é, sem dúvida nenhuma, o melhor futebol do mundo e que tem os melhores jogadores?


Dario ConcaA realidade é que para alguma das partes a negociação com estrangeiros está sendo vantajosa. É claro, temos exemplos de gringos que rapidamente se adaptaram e são ídolos em seus clubes: Loco Abreu, do Botafogo; Conca, do Fluminense; D’Alessandro, do Internacional; Montillo, do Cruzeiro… Entre outros, mas alguns deles só servem para fazer número no elenco e pouco aparecem.


Portanto, é correto afirmar que, na maioria das vezes, quem sai com a vantagem são os jogadores que tentam a sorte no Brasil. Além de ser muito identificado com o futebol, o nosso país tem uma política externa muito liberal, um clima bastante estável e vem passando por um período financeiro melhor do que os vizinhos da América do Sul. Esses e outros fatores têm somado, cada vez mais, na migração dos atletas.


As torcidas também contribuem positivamente. Quem nunca assistiu a um Brasil e Argentina e ficou esbravejando frente à televisão torcendo para que nossos atletas revidassem as provocações dos adversários? Os jogadores brasileiros são habilidosos, mas em nossa visão de torcedor, às vezes falta um pouco de raça, garra e vontade. Esses fatores, porém, sempre sobraram para argentinos e uruguaios, principalmente. O verdadeiro torcedor, aquele que acompanha o seu time de perto, é carente dessa mesclagem. Claro, os brasileiros gostam de um futebol bonito e bem jogado, o “futebol arte”, mas não perdem aquela vontade de ver o seu time batalhar em campo. Pensam como as antigas lutas romanas, o mais viril sempre leva vantagem.


Arévalo RiosEsse pensamento é, sem dúvida, um fator fundamental para os dirigentes procurarem talentos de fora. Um grande exemplo aconteceu recentemente no Botafogo. O clube tinha apenas o argentino Herrera e o uruguaio Loco Abreu como estrangeiros no elenco – a tese da garra e da vontade dos atletas desses dois países se confirmando – e recentemente contratou outro uruguaio, o volante Arévalo Rios. Talvez projetando nesse atleta o feito já alcançado pelo compatriota Loco Abreu, o torcedor alvinegro “criou” um novo ídolo antes mesmo desse jogador entrar em campo. Mas vale recordar que a chegada de Loco Abreu ao Rio de Janeiro no começo de 2010 atraiu cerca de 300 torcedores do Botafogo ao aeroporto, antes de Abreu, nenhum uruguaio havia chamado a atenção com a camisa do Botafogo. Pelo contrário, o goleiro Castillo deixou más recordações ao torcedores.


Ao meu ver, esse tipo de comportamento é cultural. O brasileiro num modo geral, em qualquer segmento, é facilmente influenciável e valoriza, sem hesitar, todo o tipo de cultura que vem de fora. Sem perder o foco principal deste artigo, podemos analisar que as músicas mais ouvidas nas rádios são estrangeiras, os principais filmes em cartaz nos cinemas também, o estilo de roupa e muitas vezes até nossas comidas tem alguma relação com outro país.


Voltando ao nosso foco, o certo é que cada vez mais termos que nos acostumar com atletas estrangeiros “infiltrados” em nosso futebol. Eu acho até válido, desde que eles realmente contribuam para o desenvolvimento do futebol brasileiro, caso contrário, é melhor investir no que nós produzimos.

Ricardo Oliveira
Ricardo da Costa Oliveira é estudante de jornalismo da FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) e trabalha na Rádio Manchete como repórter setorista do Vasco da Gama. Como o slogan da própria equipe da rádio, é um "apaixonado por futebol". Torce para o Botafogo de Futebol e Regatas.

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  • Fernando Henriques

    Está na moda trazer uruguaios, argentinos e afins, mas ninguém fará tanto sucesso aqui quanto um certo sérvio que é amado pela torcida do mengão até hoje.

    #fanatismodetected

  • Fabiane Torres

    Oi Ricardo!

    Sou suspeita para comentar este artigo.
    Sou botafoguense… rsrsrs

    Obrigada :)

  • Ricardo Oliveira

    Ah, não precisa ser suspeita não… tirando o Loco, temos muitos casos de estrangeiros que não deram certo no Botafogo, até citei um. Mas não falei do Zárate, Escalada, Jorge Artigas…

    A postagem é com um exemplo bem recente. Não é de hoje que temos alguns se destacando. Em 84, no título brasileiro do Flu, o paraguaio Romerito foi o destaque. Tivemos também o Hugo de Leon, no Gremio, enfim…

    Só realmente uma análise que o nosso futebol está cada vez mais parecido com o europeu… cheio de estrangeiros.

  • http://twitter.com/RodrigoCotton Rodrigo Henriques

    Os grandes do RJ devem muitos aos estrangeiros que passaram por aqui…

  • Diego de Lacerda

    No Fla, o estrangeiro mais famoso é o R10. Ele se parece muito com o Ronaldinho Gaúcho do Barça, mas só na aparência mesmo.
    Sorte pra ele!

  • Gabriel

    Para o comentário do Fernando:

    Tevez é Argentino e fez sucesso, Sorin é Argentino e fez sucesso, Gamarra é Paraguaio e fez sucesso, Lugano é Uruguaio e fez sucesso, Arce é Paraguaio e fez sucesso, Loco Abreu é Uruguaio e faz sucesso.

    Para o autor do texto:

    O termo é importar (comprar, trazer algo de fora) e não exportar (vender, mandar algo para fora/exterior).

    • Fernando Henriques

      Sobre a troca dos termos, foi uma falha do editor – eu – que deixou passar despercebido este equívoco, nada demais, porém já foi corrigido.

      Agradecemos pela dica, abraços.

      • Valder

        sou contra a vinda de jogadores argentinos e uruguaios, principalmente, primeiro porque tiram emprego dos jogadores brasileiros e não eleva o nível da seleçao brasileira. Segundo porque a experiencia de times brasileiros na argentina sobretudo é pessima, os argentinos são preconceituosos, além de tratarem os atletas brasileiros sempre com violencia.