Emprego novo, só que não

Emprego novo, só que não

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Que a vida de um #socialmediadadepressão não é fácil, todo mundo já sabe. É agência que não paga o freela, é outra que não valoriza a equipe de profissionais que tem, é gente que acha que você cobra muito caro pelo job – e fala que você tem que cobrar R$ 50 por trabalho. É, meus amigos, não tá fácil pra ninguém. Muito menos pra quem está nessa área ingrata, mas tão adorada por nós.

 

Semana retrasada fui convidada para fazer um job novo. Ótimo, porque estava mesmo precisando de um freela. O cliente iria concorrer à prefeitura de uma cidade (não posso citar nomes, nem partidos, porque ética é algo que levo muito a sério) e o trabalho parecia ser bem legal. Não tinha mais ninguém ali comigo, e eu tinha que monitorar os concorrentes, ver o que estava sendo falado do cliente, gerar relatórios… nada diferente do cotidiano de um social media. A única coisa que estava estranha é que os assessores não me passavam NADA sobre o cliente. Eu estava tocando um projeto paralelo deles, para engajar um outro público para votar naquele candidato. Mesmo assim, estava levando o trabalho super a sério.

 

Estava tudo lindo, até que com cinco dias de trabalho a pessoa que me contratou me chamou para uma reunião. Sim, eu disse cinco dias de trabalho. “Você é muito boa, não queremos perdê-la”, ele disse. Mas logo que começou a falar, pensei: “Houston, we have a problem!”. E sim, tínhamos um problema: o cliente alegou que estava sem verba para continuar o trabalho.

 

Como assim acabou a verba? Não sabiam disso cinco dias atrás?

Como assim acabou a verba? Não sabiam disso cinco dias atrás?

 

Ok, vamos analisar. Se o cliente não tinha verba para iniciar o job, porque diabos começou com o trabalho? Será que eles acham que a gente trabalha de graça? Que não tem tempo pra outras coisas? Ou será que pensam que o trabalho do social media não é tão importante assim? Deve ter sido isso, já que a atualização do perfil e da fan page passaram para um dos seus assessores de imprensa. Mais uma vez, o trabalho do social media é passado para outro profissional de comunicação que não saca nada de comunicação online.

 

É, minha gente, tá difícil isso. Não só pelo job, mas pela desvalorização do profissional de mídias sociais. Nos países desenvolvidos, muitas ações online geram lucros absurdos, mas no Brasil, que é o segundo país em número de usuários do Facebook, os #socialmediadadepressão são ignorados. É triste, mas ainda dá pra mudar. É só a gente se mexer um pouquinho!

Lívia Lamblet
Lívia Lamblet é jornalista, analista de mídias sociais e (metida a) Escritora - lançou um livro este ano. Carioca, moradora de Niterói, é altamente viciada em internet e tecnologia. Proprietária da página Analista de Mídias Sociais da Depressão e de dois perfis do Bukowski (Twitter e Facebook), além de um blog onde (acha que) fala sobre comunicação e mídias sociais. Enfim, vive de mimimi no Twitter.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Não entendo isso, estes assessores nunca ouviram falar de planejamento?

  • http://www.facebook.com/people/Diego-de-Lacerda/100001697724667 Diego de Lacerda

    Sim, ou você acha que essa contratação e não pagamento não foi planejado?
    #PegadinhaDoMalandro

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Hahaha, verdade, não tinha olhada por este prisma. E Lívia, você recebeu pelo cinco dias pelo menos? Absurdo isso!