Eleições 2014 – Notas politicamente incorretas

Eleições 2014 – Notas politicamente incorretas

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No filme “O Doador de Memórias”, dirigido por Phillip Noyce e estrelado por Maryl Streep e Jeff Bridges, existe o conceito de “imprecisão de linguagem”. Naquela sociedade, que retrata a breguice e a periculosidade da efetivação de uma sociedade baseada na igualdade, é proibido se expressar livremente. O controle da massa, visando a igualdade, começa na linguagem. Algumas palavras, como “amor”, são “imprecisas” e portanto rejeitadas. Podemos dizer que, em relação ao politicamente correto que “rege” nossa linguagem atual, algumas palavras são também rejeitadas pela maioria, mas não por mim.

 

Seguem minhas notas incorretas sobre a corrida eleitoral, que passado o primeiro turno, ainda não terminou em uma penca de estados. Sobre diversos pequeninos temas, vão em ordem cronológica inversa – os mais recentes primeiro.

 

Destaques e recalques do pós eleição

 

1.
Em 2010 Chico Alencar teve o dobro de votos de Jair Bolsonaro. Esse ano, junte Chico, Jean Wyllys e Cabo Daciolo, os três federais eleitos pelo PSOL no Rio, e você não dá um Bolsonaro em votos. Essa é a informação mais importante sobre esta eleição que você precisa ter.

 

2.
O pessoal comemorando a saída do Clã Sarney do poder no Maranhão. Porra, vocês não viram que entrou um cara do PCdoB? A merda continuar a feder muito mal por lá, meus amigos.

 

3.
Um dos acontecimentos mais impactantes desta eleição foi a surra que o PT tomou em São Paulo. Posts orgulhosos, de paulistas e não paulistas, pululam pela internet. O sentimento é de que o estado mais rico e lúcido do país chutou o partido de Lula para escanteio. Está certo. Geraldo Alckmin, mesmo com a falta d’água que abate o estado, se reelegeu no primeiro turno com sobras; a bancada petista no estado e federal pelo estado diminuiu; Aécio deu baile em Dilma: 45% a 25%; e, mais importante que as sentenças anteriores, José Serra aposentou Eduardo Suplicy, que fica sem uma cadeira no Senado depois de 24 anos.

 

4.
Kid Bengala teve apenas 1.095 votos em São Paulo, não conseguiu se eleger deputado estadual. É a primeira vez que ele não entra.

 

5.
O PSDB, no Rio de Janeiro, mais uma vez decepciona. Em sua coligação com o DEM, elegeu como deputados federais apenas Otávio Leite e Rodrigo Maia, e com muito custo. Rodrigo Mezzomo, o único liberal que concorreu a vaga no estado, teve pouco mais de 10 mil votos e sofreu pela fragilidade do partido, que foi incapaz de sequer ter candidato ao governo, o que daria, certamente, maior visibilidade a chapa inteira.

 

É um pena, mas uma tragédia anunciada. A única coisa que poderia ter melhorado o cenário para o PSDB carioca era Bernardinho ter aceito o convite para concorrer ao governo do estado. Tendo ele não achado a hora exata para isso, o partido ficou a deriva novamente, elegendo menos gente que o PSOL. Otávio Leite, que capitaneia o partido por aqui, é até bem intencionado, mas é fraco para liderar e fazer algo além de se eleger. Idem para o filho do César Maia, que só não se articula pior que uma porta.

 

6.
Para quem está animado com a votação do Romário, digo que não foi nada demais. Da última vez que César Maia concorreu ao senado, ficou em terceiro. Nada mais natural que perder para o tetracampeão agora. E o mais votado naquela eleição, de 2010, foi o petista Lindbergh Farias, que obteve cerca de 4,2 milhões de votos. Dê só uma olhada nos votos de Lindbergh agora, para governador. Não bateu 800 mil.

 

O maior mérito do Baixinho foi ter saído candidato, já que a rejeição de César Maia era certa. Mas não tão certa para perder para uma comunista (Jandira Feghali, da chapa do Romário), por isso “convocaram” o Baixinho, que teve 4,6 milhões de votos.

 

Se Romário pensa que com esse score ele tem alguma chance em 2016, é melhor ele e você, eleitor ufanista que trata política como futebol, tirarem o cavalo da chuva. Não vai ter nem mais votos que o Picciani que concorrer como candidato do Paes.

 

7.
Nesta eleição aprendemos que um ova são 0,5 pontos percentuais. Quando arguida sobre seu 1% nas pesquisas, no dia da votação, a candidata do PSOL, Luciana Genro, disse que tinha mais: “um porcento uma ova”. Exatamente, agora entendemos.

 

8.
Levy Fidelix quase decuplicou sua quantidade de votos em relação a 2010.

 

9.
O Rio de Janeiro, entre outras merdas, reelegeu a stalinista Jandira Feghali como deputada federal. Seu partido, PCdoB, que nem deveria ter registro, apoia a ditadura norte-coreana.

 

10.
Cabo Daciolo foi eleito pelos votos de Jean Wyllys e Chico Alencar. Eu teria vergonha.

 

11.
Na Folha: “Luciana Genro diz ter ficado ‘feliz’ com votação e estuda apoio a Dilma no segundo turno.” Ok, agora conta uma novidade.

 

12.
Bolsonaro não é cientista, mas conseguiu se duplicar no Congresso.

 

13.
Pastor Everaldo é capaz de nem ter votado nele mesmo.

 

14.
Desde o começo da campanha digo que era impossível o Aécio ter menos votos\ que o moribundo do Serra. Está aí, Aécio chega ao segundo turno com toda sua elegância.

 

15.
Metade da REDE veio do PSDB (talvez não metade, mas quadros importantes como Walter Feldman), metade do PSB já é aliado do PSDB nos estados. Não é possível que Marina não caia na real e não reveja sua posição de neutralidade, que é suicida politicamente.

 

16.
Com 75% das urnas apuradas: O placar aponta 40 a 35 em relação a Dilma e Aécio. Pois é, quem apostou contra o mineiro, crendo nas pesquisas, vai tomar no cu!

 

A festa fake da Democracia

 

1.
UNISUAM, Zona Norte, Rio de Janeiro. Um cidadão com sotaque mineiro carregado pergunta para a mesária/secretaria, uma jovem com toda a pinta de calçar sapato bico largo e que organizava a fila na porta da seção: “Quantos vão pro segundo turno, dois ou três?” Porra! Essa tal democracia, hein, vou te contar.

 

P.S.: O sujeito, apesar de mineiro, disse que ia votar na Marina.

 

2.
Ué, Tarcísio Motta votou em Laranjeiras, onde mora? Pelo seu discurso, pensei (claro que não!) que morava e votava na Maré.

 

3.
Durante o dia, uma das coisas mais bizarras que li na internet foram os relatos de eleitores indignados, na página do deputado Jean Wyllys. Eles reclamavam de não poder votar no deputado, vitimizavam-se e atestavam homofobia do TSE ou das próprias urnas. Estranhei, até perceber que nenhum dos reclamantes era do Rio. Vou lembrar disso para sempre, e usar sempre que eleitores de políticos mais conservadores foram taxados de ignorantes.

 

4.
Me perguntaram quais eram meus votos na fila para entrar na seção, hoje cedo. Aí já viu, né. Demorei para entrar e votar, mas posso assegurar que ali, literalmente na boca da urna, consegui mais uns dois ou três votos para a turma que vocês já conhecem – os menos esquerdistas que tiverem concorrendo.

 

5.
Meu voto no Garotinho é um acrônimo recursivo, como é o nome da linguagem de programação que mantém isto aqui, e o Facebook, de pé, o PHP. Sentença: voto no Garotinho porque quando declaro que voto no Garotinho as pessoas torcem o nariz.

 

6.
Levy Fidelix terá mais votos que Luciana Genro. [Não teve, uma pena.]

 

7.
No limiar da eleição, tentei contato com eleitores do PT: Você, eleitor do Bolsa-Família, me escute: apesar de lhe dar esmola, o PT não conseguiu êxito numa outra área de crucial importância a você e a mim, o futebol. Dessa forma, e considerando que os demais também prometem manter sua esmolinha em dia, não vote no partido que geria o país quando tomamos sete gols da Alemanha. Sete!

 

Vote em quem ganha Copa, em quem ganhou a última Copa, vote no PSDB! O Brasil precisa do hexa!

 

Os momentos pré votação: Meia campanha para Aécio

 

1.
Votar em Aécio é garantir uma melhor imagem ao Brasil lá fora. Imagine o que não pensam de nós quando veem a tribufu desalmada da Dilma chegando na ONU? Saravá!

 

2.
Se é para votar num socialista, que seja o mais preparado e menos radical entre eles: Aécio Neves.

 

3.
Ao pessoal que ficou todo pimpão achando que a Marina fez um belo papel de oposição ao PT, espere só o segundo turno com Aécio e Dilma. Vai ser engraçado ver a cara de trouxa de vocês quando verem a “neutralidade” dela empurrando mais da metade dos seus votos para o PT. Se Dilma está aí há quatro anos cagando em nossas cabeças, é em parte por culpa dela que ficou com nojinho de apoiar o Serra em 2010.

 

4.
Amanhã vou gastar uma caixa de engov antes de sair pra votar.

 

5.
Nessa onda de declarar voto nas redes sociais, fica perceptível que quem vota no PSOL o faz em bloco. Com exceção de um ou outro voto que o deputado Marcelo Freixo recebe a vulso, provavelmente ainda em função do seu trabalho no combate às milícias, vemos que quando um “50″ é mencionado, todos o demais são também. São eleitores-gado, portanto, pastoreados pelo PSOL. Só o PSOL presta, só o PSOL é legal, só que não!

 

6.
Luciana Genro se locupletou com a verborragia que despejou em Aécio no debate da Globo, quando tratou acusações judicias, que qualquer pode pessoa pode ter, bastando que outra a aponte, com casos transitados em julgado, ignorando solenemente o fato dele ter “lavado o chão com a cara dela” na sequência, apontando ser ela despreparada para o pleito:

 

Postado no Facebook da candidata em 03/10/2014.

Postado no Facebook da candidata em 03/10/2014.

 

Tal imagem é a prova cabal da mediocridade de Luciana Genro. Ela fala o que qualquer um gostaria de falar, sem base, sem estudo, sem leitura, sem apreensão real da realidade que nos cerca, sem respeito pelo Estado Democrático de Direito, sem respeito aos devidos processos legais… A melhor candidata de todos os DCEs, fora das universidades.

 

Debate da Globo on live – Foi a partir dele que Aécio consolidou sua segunda posição no primeiro turno

 

1.
Luciana Genro foi linha auxiliar do PT até na hora de levar sopapos do Aécio.

 

2.
Eduardo Jorge é lobo em pele de cordeiro drogado. Basta ver a postura dele para com Levy Fidelix. É diante dos mais fracos, não dos mais fortes, que notamos honradez.

 

3.
No país está em curso uma revolução bolivariana e Marina Silva vem com essa de fortalecer a democracia. Ah, vá.

 

4.
Três pessoas bateram palmas pra Luciana Genro quando ele se dirigiu para fazer o discurso final, desrespeitado, claro, as regras da emissora.

 

5.
Você votaria num asno? Luciana, não-querida, utopia concreta não é uma utopia. É um oximoro.

 

6.
Ah, com certeza, Dilma é quem tem mais experiência de fazer o que vem sendo feito: merda!

 

7.
Quando que os progressistas de boa estirpe vão entender que Levy Fidelix só é aplaudido num debate como esse porque é perseguido? Se os bocós verdes e comunistas não lhe tacassem pedras, como tacaram na mulher adúltera protegida por Jesus, e não o quisessem prender, ele seria ignorado e decentemente criticado, como em qualquer país civilizado.

 

8.
Luciana tem raiva dos cristãos porque Deus fez ela com aquele fuá horroroso, tenho certeza.

 

9.
Pastor Everaldo pelo menos decora bem suas falas, sempre vai bem nas considerações finais. Nessa, então, foi especialmente bem. Valeu pela citação do trágico discurso da Dilma na ONU.

 

10.
Luciana Genro defende roubo (taxação especial para grandes fortunas), assassinato (aborto) e uso de drogas em todos os debates (legalize já!), em seu programa de governo, na internet, e é o Levy que tinha que sair preso do outro debate.

 

Esse é o Brasil!

 

11.
Revolução tributária? É assim que chamam o golpe comunista agora? [Termo usado por Dona Genro ao falar de suas propostas para a economia.]

 

12.
Frame do Aécio: eu me preparei para governar e trazer o Brasil de volta ao prumo.

 

Frame da Marina: Aécio e Dilma não apresentaram seus programas de governo, eu sim.

 

Frame da Dilma: Terminou o tempo antes dela revelar quais eram.

 

13.
Sonho: algum candidato contar na TV a obviedade maior sobre a CLT: é uma legislação fascista!

 

14.
Eduardo Jorge fala como se capitalistas fossem apenas investidores. Sai pra lá, Mr. Maconha, se você quer ser socialista, e portanto um néscio, problema é seu, o resto de nós quer trabalhar e seguir a vida, como bons capitalistas que querem o governo longe dos seus bolsos.

 

15.
Que governo bom é esse que precisa dar esmola a 50 milhões de pessoas? [Dilma passou o debate todo se locupletando com o fato de ter estendido o Bolsa Família.]

 

15.
Nos debates, Dilma gosta de fingir que manda na Polícia Federal. Será que engana alguém?

 

16.
A plateia aplaude Levy, Luciana Genro diz que ele ofendeu milhões. Quem acredita?

 

17.
Marina é uma cristã prestando mau testemunho, não respeita as regras e o tempo das perguntas e respostas.

 

18.
Aécio acabou de falar que foi no governo FHC que surgiram a maioria dos programas sociais de sucesso do PT. Na sequência, Dilma diz que ninguém melhor que quem criou os programas para tocar eles. Ela é louca?

 

19.
Dilma: “Eu cumpri todos os meus compromissos”. Então cadê o trem bala?

 

20.
Marina apontou o dedo e Luciana entubou, veio o Aécio e também pôs o dedo riste e ela quis cantar de Galinha. Tudo bem, ele baixou o dedo, mas verbalmente ela tomou uma que não vai esquecer.

 

21.
Chupa, Luciana, vai pra casa e entra debaixo do edredom que ficou feio demais pra você. Mente, mente e mente mais um pouco, não satisfeita, ainda foi mal educada: sequer respeitou a fala do adversário. [O caso do dedo em riste comentado acima.]

 

Se Aécio fez algo de bom nessa campanha, foi falar aquilo que todos sabem e não dizem: a candidata filha de um petista do alto escalão não tem gabarito para a posição que está, como concorrente supostamente séria ao cargo mais alto do país.

 

22.
“Deixe-me corrigi-la mais uma vez”, disse Aécio para a Dilma. O mineiro estava impossível.

 

23.
E, vejam vocês, numa das interações entre Marina e Luciana Genro, a chupadora de cana falou que o plano de governo dela é parecido com o do PSOL e revelou, inclusive, que prestou “consultoria” gratuita para a gaúcha porra louca.

 

Está vendo só, eleitor cristão e não esquerdista, o tamanho da merda que você pretende retirar do vaso e dar a faixa presidencial?

 

24.
Pelo menos Luciana Genro admitiu que a porra da PL 122 era para perseguir e prender quem os desagrada mesmo.

 

25.
O curral eleitoral da Dilma são os dependentes do Bolsa Famíli; o da Luciana e do Eduardo Jorge são os queimadores de rosca e de erva.

 

26.
Ah! Levy Fidelix não arregou quando Eduardo Jorge lhe ofertou, indecorosamente, a oportunidade de se desculpar pela fala “contra” os gays no debate anterior, bigode grosso.

 

Eu já sabia...

Eu já sabia…

 

Infelizmente não sou Jesus, estou mais para Pedro. Eu corto a orelha mesmo (de políticos corto até as duas), que colem depois. Bom segundo turno a todos.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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