Ela

Ela

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Não, não é apenas mais um texto. Isto aqui é pedaço de mim.

 

Estou implodindo algumas ideias e instaurando a preguiça literária. Penso com clareza, mas não adianta. Como escritor tenho a mania de sempre buscar o final feliz, de voar mais alto, de acreditar que mundos inteiros podem se transformar de um dia pro outro. Talvez tenha razão. Talvez.

 

A noite sangra lá fora e não consigo parar de pensar na garota que cheira a classe média. A gente costuma se conhecer todos os dias e desbravar comédias semi-românticas. Nós somos o preenchimento de nossas eternidades. E é quando me ligo nela que me desligo do resto do mundo.

 

Ela vai embora e leva as cores da minha imaginação porque precisa mostrar ela a ela mesma. Sento à máquina e apenas digito, não sinto. Duas laudas depois, canso. Ela tem a mania de me deixar com mais vontade de viver. De olhar mais pro céu que pro papel.

 

Penso nela como um castelo para meu coração desabrigado. Saio para encarar a cidade. Mãos no bolso do moletom, ouvidos em uma “love song” que pretendo dedicar a ela num dia despretensioso qualquer. Com chuva e pés que se abraçam embaixo do edredom.

 

Algo acontece dentro de mim, preciso de um refúgio para a imaginação e um lugar para pendurar minhas olheiras. Sento num boteco qualquer e penso que gostaria de chamá-la para um café que dure a vida toda.
Mãos trêmulas e a mente intrépida.

 

Encontrei o significado para esse ecossistema sentimental e o estou digerindo com o meu coração carente. Rego com minhas lágrimas o jardim de prosas vermelhas que plantei pra ela. Estou em pedaços. Mas espero aquele abraço que junte tudo.

Léo Castelo Branco
A mistura simétrica de poesia com anarquia. Essas poucas palavras definem Léo Castelo Branco, redator, roteirista e frasista. Suas crônicas viscerais e imagéticas fazem uma reflexo nu e cru dos sentimentos humanos. Escreveu o curta Fui Comprar Cigarros, finalista em diversos festivais na Europa e Ásia, e recentemente entrou para o time do Desiludindo S/A.

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