Dr. Mann e a política em Interestelar

Dr. Mann e a política em Interestelar

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Alerta de spoiler: Se você ainda não viu “Interestelar”, esse texto contém spoilers. Depois não reclame.

 

Nolan, como bom inglês, sabe ser irônico. Desde a trilogia Batman vejo nele não só o mais talentoso diretor da sua geração como também o único com a bússola ideológica para o lado certo e ele não perde qualquer oportunidade de colocar seus easter eggs políticos em todo filme que faz. Sobre nas mensagens políticas em “Batman – The Dark Night Rises”, escrevi uma resenha que pode ser lida aqui.

 

Nolan não fez um filme político desta vez, mas ele não resistiria a mandar uma mensagem ou outra durante os 169 minutos que estamos parados numa sala de cinema para saber o que ele tem para mostrar dessa vez. Das poucas mensagens políticas do filme, a mais divertida foi ver quem ele colocou no papel do vilão, criando um sujeito que pensa amar a humanidade e, em nome da causa, está disposto a matar quem estiver pela frente, como qualquer revolucionário.

 

Dr. Mann altera dados científicos deliberadamente para enganar seus pares e avançar com a agenda que tem em mente, como qualquer ideólogo vendedor de utopias. Ironicamente, os dados científicos forjados são meteorológicos e de condições climáticas de um planeta inteiro, como o mundo vê hoje ser feito pelo bilionário lobby aquecimentista.

 

Todos dão ouvidos e respeitam Dr. Mann por ele ser uma autoridade em seu campo de atuação e ele não tem pruridos para usar sua fama para ludibriar terceiros, contando com a boa fé de seus pares, como vários intelectuais fazem para avançar agendas políticas fora de sua área de conhecimento, gente como Noam Chomsky ou Richard Dawkins. Mann é um canalha acadêmico típico.

 

Para Mann, os fins justificam os meios, como os piores políticos. Ele faz todo tipo de insanidade para que seu plano tenha sucesso e a cada canalhice, a cada crime, um discurso racionalizando os motivos que levaram a cometer o crime, como se a utopia e o plano futuro justificasse qualquer monstruosidade no presente e como se seu discurso expiasse suas culpas.

 

Na hora dos protagonistas do filme decidirem qual mundo explorar, antes de chegar ao planeta de Mann, há uma discussão entre decidir usando dados mas também levando em conta a intuição, que levava para um caminho, ou apenas levando em conta os dados científicos e a razão, que apontava para o planeta de Mann. A escolha puramente racional leva ao engano e, por muito pouco, não matou todos os envolvidos. Chesterton adoraria esse trecho.

 

Gênio.

O gênio.

 

Dr. Mann é vivido pelo ultra-esquerdista e ativista político Matt Damon, um segredo que a produção do filme guardou até quase o último minuto antes da estréia. Esse papel é realmente perfeito para ele.

 

Nolan não é apenas genial, é uma luz num momento de profundas trevas e radicalismo ideológico em Hollywood.

Alexandre Borges
Alexandre Borges é carioca, flamenguista, pai de uma princesa, mas sem títulos nobiliárquicos. Publicitário, diretor da B Direct Comunicação e do Instituto Liberal.

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  • Thaylan Granzotto

    Precisamos mostrar um pouco do lado que dá certo ao público – o
    lado direito, que anda sempre da justiça –, extirpar essa visão enraigada desde o ensino fundamental nas escolas. Por isso deve ser parabenizado um trabalho como esse, para que incentive outras pessoas das classes falantes, sejam: professores, jornalistas, cieneastas, atores, artistas para mostrarem a nossa cara sem medo de ser rotulado. Excelente texto Alexandre, tomara que eu tenha a oportunidade de ver ao filme.