Deixem-nos buscar nossos assassinos!

Deixem-nos buscar nossos assassinos!

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Disclaimer: Este não é um texto jornalístico, ele não busca informar, nem tão pouco disseminar informação. Aqui se encontra apenas um desabafo de um militar que perdeu um companheiro em combate.

 

Todo militar ao ingressar nas Forças Armadas faz um juramento a Bandeira. Para muitos, principalmente os civis, um ato metafórico, desprovido de valor concreto, para nós, homens de farda, um compromisso. O trecho mais marcante e que me arrepia até hoje quando me lembro do meu juramento é este: “… (prometo) dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja a Honra, Integridade, e Instituições defenderei com o sacrifício da própria vida.”

 

No dia 28 de novembro de 2014, o Cabo Mikami, do 28º Batalhão de Infantaria Leve, de Campinas, tombou em combate. Foi atingindo no rosto durante um confronto contra marginais no Conjunto de Favelas do Complexo da Maré. O jovem cabo de 21 anos fez valer o seu juramento e dedicou seu sangue e sua vida à Pátria.

 

Esta mesma pátria ingrata que inverte valores, e transforma heróis em vilões e vilões em heróis.

 

Michel Mikami é herói, trilhou o caminho correto, homem honesto escolheu servir sua pátria. E hoje virou estatística, assim como os incontáveis policiais militares que já tombaram no cumprimento do dever, e não regressaram ao seu lar. Hoje, Mikami, juntou-se a esses heróis anônimos, sua família, no interior de São Paulo receberá uma Bandeira Nacional por teu filho ter entregado sua vida para pacificar uma favela no Rio de Janeiro.

 

O motivo da minha indignação é saber que sua morte será tratada com naturalidade por essa mesma pátria, cuja a qual ele jurou defender com o sacrifício do seu bem mais precioso, a sua vida. Enquanto bandidos e vagabundos, os vilões, são tratados como heróis.

 

Certa vez Albert Einstein disse: “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.”

 

Cadê os militantes dos Direitos Humanos agora? Não os vejo organizando protestos na Maré a favor da “desmilitarização” dos bandidos que lá estão! Estes militantes possuem sua parcela de culpa neste caos que está se transformando a sociedade. Quem protege vagabundo é cúmplice.

 

Minha vontade, como a de todos os irmãos de farda, e vestir minha segunda pele, meu uniforme verde-oliva, camuflar meu rosto, apanhar meu fuzil, minha faca de trincheira e me apresentar Pronto na Base das Forças de Pacificação, para assim entrar na favela e tombar um a um que fez nosso irmão pagar o preço mais alto que alguém pode pagar no cumprimento do dever.

 

Dizem que o motivo o qual leva um homem permanecer no combate não é sua família, nem seus amigos, nem tão pouco a si próprio. O motivo que o faz continuar por mais um dia em combate é o seu companheiro ao lado. E hoje entendemos isso. Hoje queremos o combate, queremos a insegurança e a inquietação, a luta e a tormenta. Pedimos isso pelo nosso companheiro, nosso irmão que não retornará a sua família.

 

Um amigo clamou: “Deixem-nos buscar nossos assassinos.” E aqui reitero o seu clamor, deixem-nos buscar nossos assassinos! Soltem as nossas coleiras, tirem as nossas mordaças e a sua morte não terá sido em vão!

 

Com muito pesar escrevo estas tortuosas linhas, desejo que a sua família seja reconfortada e seu filho cresça sabendo o quão grande foi seu pai, que ele é filho de um herói.

 

Brasil acima de tudo!

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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  • Guilherme F. Lamb

    De pleno acordo Carlos.

  • Adegilson Adedê

    Sabias palavras. Concordo plenamente

  • Tenchin

    Sou morador do Complexo da Maré. Foi triste saber que onde moro, caiu um herói, um herói tão jovem. Muitos moradores estão indignados, pela morte de um rapaz de apenas 21 anos e pelo descaso das autoridades em relação a isso. Parece que simplesmente não aconteceu nada. Existe muitos militantes de esquerda na Maré, feministas, comunistas, além de ong´s que ganham muito dinheiro com a pobreza da região sob o discurso de que estão promovendo o bem estar social, lutando por justiça e outras propagandas esquerdopatas e nenhum deles, em sua página de face, comentou o que houve com o jovem soldado assassinado. Ele não morava na favela, ele era militar e era homem, isso foge dos padrões por qual eles militam. Não podemos nos identificar, mas grande partes dos moradores, apoiaria a ação de vocês. Meus respeitos e pêsames à amigos e famílias do Cabo Mikami. Se cuidem e se protejam sempre quando andarem por essas ruas.

    • Carlos Santos

      Tenchin é muito significativo seu depoimento, uma vez que você é morador da Maré. Sabendo que ai tem muito trabalhador que vivem a mercê dos bandidos. Obrigado pelo apoio e continue do lado certo.

      Brasil Acima de Tudo!

      #alutacontinua