Debandada!

Debandada!

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O primeiro estágio da vida de uma pessoa, normalmente é ruim. O primeiro estágio, em agência, da vida de uma pessoa, é péssimo. É triste ver um filhinho de papai, acostumado com aulas teóricas na faculdade, conseguir se dar bem de primeira no caos e correria do dia a dia de uma agência. Tô falando isso porque meu primeiro estágio foi o inferno na terra.


Não sei se vocês já passaram por isso, mas era o famoso lugar onde estagiários se transformam em escraviários. Trabalhávamos 10 horas por dia (ou mais), servíamos cafezinho e éramos motivo de diversão para os chefes. Chefes que desrespeitavam seus funcionários, na verdade, funcionárias, porque por algum motivo só contratavam mulheres.


Por alguma força divina desconhecida, consegui ficar lá por incríveis quatro meses (sim, isso é muito para aquele lugar). Nesse tempo vi pessoas saindo e entrando como se fosse um shopping, que você entra, faz o que tem que fazer e vai embora. Cheguei a achar que rotatividade era normal e por incrível que pareça, com meus poucos meses de agência, eu era uma das que estava lá há mais tempo.


Oi, tchau.

Oi, tchau.


Os chefes diziam que demitiam todo mundo por falta de capacidade de realizar as tarefas que eram passadas, que hoje estava difícil arrumar mão de obra qualificada e por isso o entra e sai de gente. Eles não tinham a menor vergonha de xingar e destratar as pessoas, uma vez dei uma ideia para um cliente e recebi a resposta simpática: “Você não tem que dar ideia, você é só estagiária. Tem que fazer o que pedimos e só”.


Até que um dia, nas fofocadas do almoço, descobrimos que os “demitidos” na verdade tinham pedido demissão, e não foram poucos não. Depois que eu pedi pra sair, virei a número 58 da agência (naquele ano) a dizer chega para esse tipo de comportamento. Hoje, se ela ainda não faliu, é porque ainda tem funcionário que aceita ser tratado igual capacho (às vezes por vontade, outras por falta de opção).