Da morte

Da morte

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Quando a morte nos abraça de forma inesperada, vemos o quão grande é a nossa fragilidade e vulnerabilidade diante do imponderável.

 

Afastamos a morte de tal forma do nosso cotidiano que ela sempre nos surpreende com a sua onipresença. Domingos Oliveira certa vez disse:

 

“A única atitude digna diante da morte é negá-la até morrer.”

 

Assim o fazemos todos os dias, muitas vezes de forma involuntária. Afastamos a ideia da morte do nosso dia a dia como se assim pudéssemos ficar mais protegidos em relação a ela.

 

É como fazíamos quando crianças, quando cobríamos os pés para nos proteger dos nossos bichos papões antes de dormir. Assim todos os dias cobrimos nossos pés e afastamos a ideia de que podemos morrer, e a negamos até a morte.

 

Mas que outra opção temos? Como aceitar a ideia que podemos morrer quando se tem tanta vida pela frente? Ou até mesmo quando não se tem. Qual outro mistério fascina tanto a mente humana quanto a morte?

 

Encontrar-se com a eternidade não pode ser uma opção aceitável.

 

Morrer é um absurdo! E todos os planos?

 

Ninguém com tanta vontade de viver aceita que existe alguma possibilidade de abreviar uma história, e é por isso que negamos tal possibilidade. E quando ela nos arrebata, quando ela nos mostra a real dimensão de o quanto nossa vida é ínfima diante de uma força maior, ficamos perplexos. Como se aquilo não fosse natural, ficamos ali impotentes observando o imponderável unir tudo que existe num mesmo destino de forma imparcial.

 

Mesmo que neguemos a possibilidade de que nossa vida é findável, a morte se aproxima de forma silenciosa e como naquela brincadeira de criança, “Dança das Cadeiras”, quando menos esperamos a música para e nos falta uma cadeira, somos obrigados a nos retirar ou ver quem amamos se retirar dessa grande brincadeira que é a vida, antes do final do jogo — o nosso desejo é sempre brincar até a última cadeira.

 

Viva cada dia com paixão, valorize o presente, conserve o que lhe faz forte próximo de si e nunca perca a oportunidade de dizer um “eu te amo” sincero, afinal, nunca sabemos quando será a última vez.

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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