Crônica – Zé Tupiniquim e a verdade relativa

Crônica – Zé Tupiniquim e a verdade relativa

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Dia após dia, a história se repete. Zé Tupiniquim acorda bem cedo, toma sua média com pão na chapa e liga a Tv, enquanto se arruma para ir pro trabalho.

 

Já no bom dia, o jornalista afirma que o alto preço do combustível não é tão ruim assim porque incentiva o uso do transporte público. “Ele não menciona, porém, que o transporte público é de péssima qualidade”, pensa Zé. Mas o jornalista, ora, “tem argumentos”. Segundo ele, a crise no transporte público também não é tão ruim porque ela incentiva o uso de bicicletas. E, logicamente, usar bicicletas é muito bom para o planeta. No final das contas, ele conclui de maneira arrogante e superior – como quem tem certeza do que fala – que a crise é muito boa porque ela acaba fazendo “bem para o planeta”.

 

Então, Zé sai de casa um pouco confuso com essa lógica estranha. Como de costume, ele precisa sair duas horas do antes do normal porque o ônibus não tem um horário fixo, seja por conta do trânsito ou da extrema ineficiência do transporte público de sua cidade, “Guevaris”. Mesmo assim Zé chega atrasado no trabalho e sabe que terá seu salário descontado. O motivo do atraso? Uma manifestação tomou conta da principal avenida de Guevaris”, o que paralisou a cidade inteira.

 

À noite, ao chegar em casa, Zé liga a Tv no noticiário mais importante do país e descobre o que aconteceu na tal manifestação. Segundo os cinco jornalistas enviados pela emissora, a manifestação pacífica, que fora organizada por black blocks, foi “infelizmente invadida por vândalos que saíram quebrando tudo”. Zé, mais uma vez, fica confuso, principalmente com o fato de cinco jornalistas diferentes retratarem a história da mesma maneira. “Eu pensei que os black blocks fossem os tais vândalos!”, ele pensa. “Os black blocks não são os que saem por aí quebrando tudo?”, Zé pergunta à sua mulher. “Acho que sim, Zé”, ela responde.

 

No entanto, o âncora mais importante do país responde de forma diferente. Segundo ele, os jovens que organizaram a manifestação são pessoas muito bem intencionadas e responsáveis, as quais desejam um Brasil melhor, mais igualitário. Ele diz isso mesmo após a última matéria, a qual revelara que metade dos organizadores se vestiram de black blocks e saíram quebrando tudo nas manifestações. Mais confuso ainda, Zé para de tentar entender e, com preguiça de pensar, simplesmente assume que tudo o que aquele homem importante diz é verdadeiro.

 

Alguns minutos depois, começa a novela. Logo na segunda cena, a luta de um casal que deseja mudar de sexo é dramaticamente representada. O homem se sente mulher e, por isso, quer trocar de sexo. Por sua vez, a mulher se sente homem e deseja fazer o mesmo procedimento. O mais interessante, porém, é a descoberta de ambos que sentem atração pelo mesmo sexo dos quais se sentem parte. Ou seja, a autodeclarada mulher sente atração por mulheres e o autodeclarado homem, por homens. Então, após conseguirem a tão sonhada mudança de sexo, eles acabam se relacionando um com o outro. Um típico relacionamento homo-hétero-lésb-trans-generx.

 

E, justamente nessa hora, a filha mais nova de Zé deita em seu colo e pergunta: “papai, como nascem os bebês?”. Ele, agora em estado de extrema confusão, se limita a responder: “eu já nem sei mais, minha filha”. Cansado, Zé manda todo mundo ir dormir e segue o próprio conselho…

 

Alguns dias depois, uma selfie muito interessante circula pela internet. Sorrisos largos, felicidade escancarada! É como se “Bolivares” fosse o país mais próspero do planeta. Na foto estão a pior presidente da história, os cinco repórteres, o âncora, o jornalista da manhã e alguns dos organizadores da manifestação ocorrida em “Guevaris”, que haviam sido liberados pela polícia por serem menores de idade. Zé acha aquilo tudo muito estranho, mas não sabe bem o que fazer ou falar.

 

Por que o espanto, leitor? Em “Bolivares” tudo é assim mesmo. A verdade é sempre relativa; jornalista é militante; corrupto é herói; e bandido, mocinho.

 

Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência…

Pedro Henrique Franco
Pedro Henrique da Rocha Franco, nascido em 1991. Cristão, amante da leitura e apaixonado por futebol.

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  • sakura akasuna

    Tive que logar só para dizer que você azarou na historia, parabéns!!! bem isso mesmo…