Crítica: Sete Dias Com Marilyn

Crítica: Sete Dias Com Marilyn

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Não se trata de uma biografia tradicional, é apenas um trecho da vida da musa cinematográfica Marilyn Monroe, durante as filmagens de O Príncipe Encantado, dirigido e protagonizado por Lawrence Olivier, onde ela teve um rápido romance com um assistente de direção (este sim, na verdade o protagonista deste filme). Tal escolha de história tem relevância: sem estar exatamente envolvido com o mundo do cinema, o assistente é cumplice do espectador ao conseguir observar a pessoa fora do mito.


É um filme simples e sem muito tempo para se aprofundar de verdade em quem foi Marilyn, mas consegue de forma simpática mostrar um pouco de seu perfil pessoal. Uma mulher que batalhava para ser reconhecida como atriz, mas ao mesmo tempo era insegura quanto à sua própria capacidade, de comportamneto bipolar, ora auto-destrutiva, ora com uma alegria infantil, às vezes mimada e irritante, embora sem muita noção disso, e exalando encanto por onde passava.


Kenneth Branagh foi chamado para interpretar o papel de Lawrence Olivier, o que sempre foi um grande sonho do ator e ficou realmente muito semelhante, embora o roteiro não lhe exija uma grande atuação. Olivier se irritou muito com os constantes problemas durante as filmagens, por culpa dos atrasos, erros e faltas de Marilyn, mas na verdade vários filmes feitos com ela foram assim nos bastidores. Judi Dench e Emma Watson possuem papéis apagados, não podendo extrair muita coisa.


Sir Laurence Olivier e Kenneth Branagh. Parecidos? | Créditos: Getty Images

Sir Laurence Olivier e Kenneth Branagh. Parecidos? | Créditos: Getty Images


O grande atrativo do filme obviamente está na missão (sempre ingrata) em encarnar uma pessoa tão famosa e única como Marilyn, ainda mais levando-se em conta que Michelle Williams nem sequer se parece com a estrela. Williams se esforça bem, mas obviamente não é Marilyn. Ela compensa colocando sutilezas em sua atuação, mostrando que estudou os gestos e olhares, e consegue transmitir um pouco da complexidade pessoal da estrela. Mesmo assim, ficou devendo na sensualidade e encanto da atriz.


Marilyn Monroe e a versão de Michelle Williams no filme.

Marilyn Monroe e a versão de Michelle Williams no filme.


No mais, é um filme redondinho, convencional demais e sem surpresas, o que causa uma leve frustração em quem esperava saber mais sobre a musa (e nem é essa a intenção do filme). Porém, o resultado é correto, uma homenagem até simpática, mas que não vai acrescentar muito à já conhecida história deste ícone do cinema.

Ricardo Martins
Ricardo da Silva Martins é formado em Biologia, mas desde sempre foi um apaixonado por filmes. Orgulhoso defensor da existência de filmes bons (e ruins) em qualquer gênero e país, passando por diversos estilos, de Spielberg à Buñuel e do lixo ao luxo sem preconceitos. Fã também de rock anos 80, livros e quadrinhos, até arranha uma guitarra nas horas vagas.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Para quem não parecia muito com a Marilyn, naturalmente, até que ela ficou bem parecida, rs.

    • Ricardo Martins

      é a magia do cinema, hehe…ela nem tem o “corpo” da Marilyn, mas enchimentos deram uma ajuda, rs..