Crítica: Precisamos Falar Sobre o Kevin

Crítica: Precisamos Falar Sobre o Kevin

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Quando acontece uma tragédia ao estilo “Columbine“, onde algum adolescente comete uma chacina assustadora e incompreensível, fica uma longa discussão sobre o que influenciou o indivíduo a realizar tal ato. Diversas e duvidosas “teorias” são criadas, e entre elas, sempre há a possível causa ocorrida por parte da criação dos pais. Além disso, após um evento desses, é comum a mídia acompanhar de forma dramática como foram afetadas as vidas dos sobreviventes ou parentes das vítimas da tragédia. Mas e quanto aos pais do criminoso?


Foi com este princípio que a jornalista Lionel Shriver escreveu o livro Precisamos Falar Sobre o Kevin, que virou um best-seller e ganha esta forte adaptação cinematográfica.


Link Youtube | Assista o trailer legendado do filme.


A trama apresenta a história de Eva, uma mãe que tenta desesperadamente se recompor após uma tragédia cometida por seu filho, ao mesmo tempo em que procura entender o que pode ter dado errado e feito ele virar um monstro. O filme não é contado em ordem cronológica, mas desde o início ficamos sabendo que o filme terminará em algum ato hediondo do adolescente e o quanto isso irá destruir a vida de Eva. Algumas afetações na direção e simbolismos (como a presença constante do vermelho) podem soar até dispensáveis para alguns, mas ao fugir do estilo convencional e ao fragmentar a história em idas e vindas, temos uma ideia constante do quanto o evento altera a vida de muitas pessoas, e sem cair em algum estilo de suspense banal; a tensão é constante por todo o tempo.


No difícil e intenso papel de Eva, Tilda Swinton tem uma atuação excelente, sendo uma das grandes injustiçadas do ano por não receber ao menos uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. É realmente angustiante acompanhar sua luta em tentar criar um vínculo amoroso com uma criança que claramente já nasce com indícios de psicopatia, sendo cruel, manipuladora e hostil com a própria mãe. Com um misto de medo e amor, Eva ainda precisa amargurar um intenso sentimento de culpa, procurando detalhes onde possa ter errado na formação de seu filho. E como conviver com a culpa, os olhares alheios e recriminatórios das pessoas nas ruas ou parentes das vítimas? Swinton passa toda essa gama de emoções de maneira exemplar (Ezra Miller, que faz Kevin na adolescência, também se destaca).


Tilda Swinton como a triste Eva.

Tilda Swinton como a triste Eva.


É neste ritmo tenso e perturbador que Precisamos Falar Sobre o Kevin vai chegando até seu já anunciado final trágico, onde ainda abre mais interpretações para a relação entre Kevin e sua mãe. Como não poderia ser diferente, não é um filme que te dará respostas ou soluções (se é que há alguma), mas trará muitas coisas a serem debatidas, o que sempre é válido, pois realmente precisamos falar sobre isso.

Ricardo Martins
Ricardo da Silva Martins é formado em Biologia, mas desde sempre foi um apaixonado por filmes. Orgulhoso defensor da existência de filmes bons (e ruins) em qualquer gênero e país, passando por diversos estilos, de Spielberg à Buñuel e do lixo ao luxo sem preconceitos. Fã também de rock anos 80, livros e quadrinhos, até arranha uma guitarra nas horas vagas.

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  • http://www.facebook.com/people/Elaine-Piropo/100001263270310 Elaine Piropo

    Mas pra mim ficou desde sempre tão claro o motivo: ele não se sentia amado pela mãe, e fazia todas aquelas coisas numa forma de tentar chamar a sua atenção, porém nenhuma delas funcionou. Obviamente ele leva esse sentimento às últimas consequências, causando a catástrofe do final do filme. Uma cena que eu achei extremamente significativa foi aquela em que a mãe revela para o filho que está grávida e que ele precisa se acostumar com isso; em resposta ele diz que se acostumar não é a mesma coisa que amar, do mesmo modo que ela se acostumou com ele e ela simplesmente responde “Agora nos acostumaremos com alguém novo”. Além disso, tem tantas outras cenas em que ela demonstra que realmente não ama o filho, ou tem dificuldade de demonstrar isso, devido à sua frustração de uma gravidez não planejada, que a impediu de continuar viajando pelo mundo como ela gostava. Lembro de uma cena em que Kevin está no berço, ainda muito pequeno e ela fala pra ele que gostaria de estar na França naquele momento ao invés de estar cuidando dele. Mesmo quando ele era bebê e chorava muito sem motivo aparente, a mãe fazia de tudo, menos segurá-lo no colo e dar carinho, como o pai fazia e o bebê se calava na hora. Bom, talvez meu comentário tenha ficado meio confuso, mas pra mim não tem o que pensar sobre os motivos, está tudo lá, é só prestar atenção. A cena mais reveladora é quando a mãe finalmente abraça o filho na prisão; é a primeira vez que ela demonstra afeto por ele no filme todo e, ao meu ver, era somente isso que ele esperava desde sempre.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Ainda não vi o filme Elaine, mas entendi um pouco mais história com esse seu comentário. Ser pai, como você é mãe também, ajuda a compreender o seu comentário. Não ficou confuso não. 

  • http://www.facebook.com/people/Diego-de-Lacerda/100001697724667 Diego de Lacerda

    Me deu muita vontade de assistir a esse filme. 

  • Nathália Caltabiano

    Eu tenho um pouco de “medo” de assistir ao filme porque adaptações geralmente me deprimem. Mas o livro do “Precisamos falar sobre o Kevin” é um dos melhores – e mais pesados – livros que eu já li na minha vida. Realmente vale a leitura.

  • http://www.facebook.com/people/Elaine-Piropo/100001263270310 Elaine Piropo

    Ah! Outra coisa que me impressionou muito foi a semelhança entre os atores que interpretaram o Kevin. Tirando o bebezinho, foram três eu acho, e parecia que o diretor tinha filmado o mesmo menino desde a infância até a adolescência de tão iguais que eles eram!

  • Anderson

    Estou ansioso para ver esse filme. Fernando quando vamos marcar a Sessão pipoca?!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      A partir da semana que vem estarei mais tranquilo, já vai separando os filmes aí. Abs!

  • Ricardo Martins

    Legal sua opinião, Elaine, mas ainda acho que tem algo mais, e tenho dúvidas se seria só isso. Embora a mãe tenha mesmo uma compreensível dificuldade de gostar do filho, e se sinta culpada por não o ter desejado, o filme tem pequenos momentos que mostra que ela não pode ter sido uma mãe exemplar, mas também mostrou amor quando pôde. Mas a verdade é que Kevin já nasce um psicopata, e aí fica difícil. O que Kevin acha da mãe, mesmo no final, acho difícil no meu caso dar uma certeza, até porque não sei se ele quer amor. Kevin parece não gostar de ninguém, o pai o amava, e kevin revela que o desprezava, mas gostava de manipulá-lo. Mas acredito que Kevin não desprezava sua mãe, embora nunca a tenha a amado, e nada que ela fizesse mudaria isso. Mas é claro que ele cultiva uma relação (doentia) com sua mãe, ela é “o alvo” constante dele, e ele nem quer que ela morra por isso, de uma forma distorcida, sinto que essa é a maneira dele dizer que gosta dela. 
    Em tempo: não li o livro ainda e talvez nele eu tenha informações que mudariam meus pensamentos, mas por enquanto é isso que achei, rs…

    • Ricardo Martins

      ou estou viajando, rs..

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Sou meio arredio em acreditar que uma criança já saia do ventre de sua como um psicopata. Creio sim, que ainda na infância tal personalidade seja definida, mas pelos fatores que nos influenciam desde o nosso nascimento.