Como é ser feliz o tempo todo? É mentira.

Como é ser feliz o tempo todo? É mentira.

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Programas de TV, filmes e novelas são ótimos para nos mostrar uma vida perfeita, aquela onde a pessoa é bem sucedida em todas as áreas: profissional, social e emocional. Mesmo que não haja cenas dela no trabalho, se estressando com o chefe, ou aquela cena memorável de ciúmes no restaurante. Tudo é só sucesso. A casa? Impecável. Sempre muito bem decorada e organizada, mesmo que o personagem tenha 20 anos, um emprego temporário e divida o apê com mais três amigos, e não tenham empregada. Acho que pelo menos nisso sou a favor do BBB. Embora ainda ache que a coisa toda ali é ensaiada, pelo menos as pessoas tem defeitos, fazem merda, caem de bêbadas, transam com quem não deve… e é por isso que os telespectadores se identificam.

 

Outro dia vi um filme (Sem Limites, com Bradley Cooper) em que a casa do protagonista realmente se assemelhava a de uma pessoa normal: ele chegou do trabalho e ainda tinha uma pilha de louça pra lavar, algumas roupas espalhadas pela casa e alguns papéis e notas em cima da mesa. O problema é que estavam vendendo este sujeito como um “derrotado”. Ele só muda de vida quando toma uma pílula mágica de ação ainda não estudada, que faz com que ele se conscientize de que a louça precisa ser lavada, alguém tem que passar a roupa e que a melhor forma de ganhar dinheiro é correr atrás e produzir. A pessoa mais sensata do filme parece ser a namorada do cara, que entende que as coisas devem ser conquistadas por méritos próprios – ela consegue isso no filme – e coloca o abandono da tal pílula como uma condição para ficarem juntos.

 

É claro que a felicidade existe, mas ela não é essa euforia, gargalhadas loucas e um sorriso que nunca descansa. Isso é ecstasy. Ou tétano.

É claro que a felicidade existe, mas ela não é essa euforia, gargalhadas loucas e um sorriso que nunca descansa. Isso é ecstasy. Ou tétano.

 

Então fica a dica: Pessoas muito felizes, ricas e bem sucedidas estão tomando drogas muito fortes! Caso contrário, elas não seriam assim.

 

A nossa vida nem sempre é emocionante, aliás, a emoção é um breve intervalo entre os momentos de tédio, mas é o que faz tudo valer a pena. Se você tem dias de preguiça em que passa a tarde toda vendo reprises na TV, se você acorda com a vodka exalando do seu corpo porque apagou no sofá assim que chegou da night, se você chora de raiva, se você coloca água no molho de tomate: Eu te admiro, me vejo em você.

 

Se você chega em casa e tem louça de ontem pra lavar, se tem que separar a roupa colorida da branca, se torce para o seu bichinho não ter errado a mira no jornal (ou pior, ter acertado o seu sapato): Parabéns! Você é uma pessoa de verdade. E não um personagem inventado que só tem os seus melhores momentos exibidos de segunda à sexta.

Jéssica Mendes
Carioca da Barra da Tijuca, 25 anos, dentista especializada em prótese. Porém, como o mercado odontológico tá mais caído que dentadura velha, tento fazer as pessoas rirem de outra forma... Por incrível que pareça, acredito no amor. Para maiores desilusões, acessem: Desiludindo S/A.

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  • Milka

    Olá, muito bacana o post! Gosto dessa ideia de ser humano imperfeito e com suas limitações, afinal, isso nos torna a todos humanos, passíveis de erros. Mas ainda assim acho que dá pra levar uma vida sadia e ser organizado, só precisa de uma dose de força de vontade e disciplina. Vale a pena organizar a mente e a vida e cuidar de si.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Isso aí Milka, a arte muito vezes não traz a realidade às telinhas e telonas, então o povo tenta imitar aquela irrealidade (ou realidade de poucos), e torna-se infeliz. A verdade é mesma escrita pela Jéssica, como diria Wander Wildner: “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro…”

  • http://www.facebook.com/anacristina.rosito Ana Cristina Rosito

    E o que não falta é gente buscando esse “mundinho” perfeito. Daí tanta gente em depressão.