Cinco documentários para entender o mundo

Cinco documentários para entender o mundo

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Um dos filtros mais básicos para medir a honestidade intelectual de um texto político é se ele se assume de um ponto de vista ideológico ou não. Neste aqui não há segredo: acredito em liberdade individual, no estado democrático de direito, em meritocracia, na responsabilidade individual e que a função de qualquer governo é dar segurança física aos seus cidadãos aplicando as leis e protegendo as fronteiras. No mais, deve interferir o mínimo possível na vida do cidadão comum que deve, em quase tudo que se refere à sua vida, ser deixado em paz e livre para arcar com sucessos e fracassos oriundos das suas escolhas.

 

Chame isso de direita, de liberal, de neocon, de conservador, do que quiser, mas não há como confundir qualquer posição aqui com algo sequer próximo do coletivismo que destrói o indivíduo, da defesa do estado intervencionista, “regulador”, distribuidor de riquezas ou babá, do pacifismo unilateral que é uma versão política da pulsão de morte freudiana, da ideia de que os recursos de uma sociedade são melhor administrados e alocados por burocratas do governo do que pela própria sociedade, ou do multiculturalismo relativista que perde a capacidade de reconhecer a sociedade ocidental, de base judaico-cristã, como a experiência humana com os melhores resultados práticos e tangíveis da história em termos de geração de riqueza, conhecimento e liberdades individuais.

 

Recentemente vi um post de um site que não se assume de esquerda, mas é tão esquerdista quanto um Vermelho.org, indicando documentários que você precisaria ver “para entender o mundo”. Quando você vai ler a lista, é uma coleção de panfletos de esquerda e anti-americanos, com destaque para os incrivelmente embusteiros e mentirosos de Michael Moore, que só é levado a sério em país que não é sério, e é claro que o autor do post faz isso de propósito, por falta de uma espinha dorsal ereta para assumir sua agenda ideológica.

 

Há muitos documentários que um conservador deve assistir, como o obrigatório Why Beauty Matters (2009), do filósofo Roger Scruton (disponível grátis e com legendas no Vimeo), mas por não ser explicitamente político, apesar de profundamente conservador sob qualquer ponto de vista, não foi incluído na lista. A lista poderia ser muito maior, com por exemplo documentários que desnudam toda picaretagem de Michael Moore, como Manufacturing Dissent (2007), mas preferi fechar em apenas cinco porque quero que você veja todos.

 

Segue a lista dos documentários que você não pode deixar de ver:

 

1. The Soviet Story (2008)

 

Produzido na Letônia, ex-república soviética que sabe do que está falando quando o assunto é comunismo, faz uma investigação muito importante e didática sobre a verdadeira essência do regime instaurado por Lênin na Rússia em 1917 e suas conexões filosóficas, políticas e militares com o nazismo.

 

Em alguns países do leste europeu é considerado fundamental para o entendimento da época e passa na TV aberta, para que a população não esqueça do que foi o horror bolchevique.

 

Link Youtube

 

2. Occupy Unmasked (2012)

 

Com a participação de dois dos meus grandes heróis (Andrew Breitbart e David Horowitz), Occupy Unmasked é uma fantástica reportagem sobre os movimentos conhecidos como “Occupy Wall Street” com os detalhes que não interessava à imprensa mostrar.

 

Occupy Unmasked é também uma excelente ferramenta para entender o que são e como surgem as atuais manifestações do Brasil, Black Bocs e afins.

 

Link Youtube

 

3. The Weather Underground (2002)

 

Excelente documentário, daqueles que você vê mais de uma vez, sobre o movimento terrorista de universitários radicais de classe média alta dos anos 60/70 nos EUA chamado “The Weather Underground”, liderado por um dos americanos mais influentes dos últimos 40 anos, Bill Ayers. Sobre ele, escrevi um artigo inteiro para o IL (Instituto Liberal) que pode ser lido aqui.

 

Este documentário é fundamental para o entendimento da cabeça dos sexagenários que hoje mandam em Hollywood, na imprensa e nas universidades americanas, o que eles pensavam e faziam naquele período que compreende o final dos anos 60 e boa parte dos anos 70.

 

Link Youtube

 

4. 2016: Obama’s America (2012)

 

Segundo documentário político mais assistido da história, 2016: Obama’s America é fruto da mente brilhante e incansável de Dinesh D’Souza, um dos intelectuais mais interessantes e produtivos dos EUA.

 

Sua investigação sobre a história e as raízes ideológicas de Barack Obama é a mais completa que você vai encontrar para entender a cabeça do homem mais poderoso do planeta. Prepare-se para tomar alguns sustos.

 

Link Vimeo

 

5. The Agenda: Grinding America Down (2010)

 

“The Agenda” é, ao mesmo tempo, o que eu mais gosto e o que eu menos indico, ao menos para quem está sendo apresentado para o pensamento conservador agora, sob o risco de deixar alguém que está chegando totalmente apoplético com as informações contidas nele ou simplesmente dando os ombros em negação, dizendo que é tudo teoria conspiratória.

 

Acredito que “The Agenda” seja um dos melhores resumos já feitos sobre o marxismo cultural e a influência dele no ocidente, mas não é para os fracos.

 

Link Youtube

Alexandre Borges
Alexandre Borges é carioca, flamenguista, pai de uma princesa, mas sem títulos nobiliárquicos. Publicitário, diretor da B Direct Comunicação e do Instituto Liberal.

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  • http://tzal.org/ Eduardo Pinheiro

    Deve sair uma critica minha ao libertarianismo no Papo de Homem em até 15 dias. Aquelas visões são minhas — e são, é óbvio, escancaradamente e explicitamente de esquerda –, não tenho ideia do corpo de colaboradores do Papo de Homem, para que lado tendem, mas já vi eles sendo xingados de “coxinhas”, então… acho que não é muito homogêneo não. Se quer publicar por lá, ofereça um texto.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Eduardo, acredita que o leitor menos acostumado a um debate mais profundo de ideologias políticas percebe de cara o viés esquerdista do autor naquele texto, no caso você?

      Acho que a ideia do autor nem é publicar nada por lá, nem a minha, como editor que sugeriu o tema. Mas valeu por se pronunciar por aqui. Abs!

      • http://tzal.org/ Eduardo Pinheiro

        Acredito que sim, pelo meu comentário sobre Michael Moore, e pelo meu uso literal da palavra “esquerda” ao falar do Noam Chomsky. Acho que esses dois nomes bastariam, mas eu ainda falo “mais lúcido pensador de esquerda”, para deixar claro.

        Por outro lado, eu assinalo que acredito que os docs do Moore são panfletários, enquanto os outros seis, não acredito que sejam.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Compreendo. Mas pelos comentários, acredito que a crítica aos docs do Moore, apregoando-os de panfletários, te deu uma leve afastada desse perfil.

          • http://tzal.org/ Eduardo Pinheiro

            Eu digo que concordo com ele, apesar de o considerar panfletário.

            Há de se argumentar que as ideias são mais importantes que os rótulos
            que se afixam nelas. A ideia de que alguém pode ter “lavagem cerebral”
            por ser exposto a certas ideias, e então, oh, cair sob um dos lados do
            espectro político, não é muito “liberal” num sentido lockeano. Ora, se
            são expostos ao “livre mercado das ideias” e depois se descobrem
            “esquerdistas”, estaria muito bem.

            Por exemplo, eu realmente subscrevo que a visão da realidade exposta em The Corporation, por exemplo, não é ideológica, mas objetiva. Dessa forma, eu não preciso me defender de expor ideologia como sendo algo objetivo, já que eu estou exatamente negando que tem um viés ideológico. Citando Moore eu exatamente faço essa separação entre objetivo e panfletário.

          • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

            Não há críticas a exposição das ideias, mas a clareza do lado que elas representam. Pois apesar de defender que determinado doc não tem viés ideológico, sabemos que todos tem, para os melhores observadores. Apesar de nem todos serem panfletários, como você bem separa. Nossas cosmovisões influem diretamente em qualquer produção nossa. Então, no meu entender, cada produção pende sim para algum lado, mesmo que não estejamos abordando a política de forma explícita.

          • http://tzal.org/ Eduardo Pinheiro

            É óbvio que pende, é tão óbvio que rotular é desnecessário. E mais do que isso, eu afirmo que pende para um “lado”, que é a “esquerda”, e me comprometo epistemicamente com isso. Isto é, a visão desse documentário em particular não é uma escolha de um time de futebol, é uma visão da realidade. Se eu dissesse “ah, é uma escolha politica do diretor”, eu estaria sendo desonesto. A gente não deve ser o rótulo e depois encontrar a justificação. A gente encontra a justificação, e depois descobre o rótulo. Senão é arbitrário, exatamente como xingar alguém porque “torce para o grêmio”.

            A ideia vem antes, depois vem o rótulo ideológico, de outra forma, é exatamente o que eu chamaria de “desonestidade intelectual”.

  • Fernando

    Excelente coletânea de documentários. Congratulo o compilador.

  • Bruno

    Não quero cair nessa armadilha de dizer se sou de esquerda ou de direita… Costumo dizer que um governo não deva ser tão de esquerda que impeça a livre iniciativa, nem tão de direita que permita que essa livre iniciativa resulte em exploração predatória de pessoas e recursos naturais. No mais acho que todo ser humano é naturalmente de direita, daí a necessidade do estado ser de esquerda, moderada (vide o filme Metrópolis, Fritz Lang, 1927). Pra quem acredita na total liberdade da iniciativa econômica, tenho um exemplo fácil: Imagine uma pessoa (ou grupo), que encontre diamante na amazônia. Daí essa pessoa destrói a floresta, escraviza pessoas e sai de lá rico, deixando uma enorme devastação de herança pra coletividade… Pra mim fica claro que o estado precisa regular essas ações de produção, fica claro também que os bens da terra devem ser utilizados pensando na humanidade

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Tem duas questões importantíssimas que você não considerou no seu exemplo: Escravizar é contra as regras da livre iniciativa, totalmente contra, aliás; e: De quem é a terra em que foi encontrado o diamante? Se o dono quiser derrubar tupo por eles, que o faça. Não afetará a coletividade porque terra é sua e rende a seus propósitos. Outros, vizinhos, sem diamante ou com, sei lá, ficarão com as árvores para obter outro tipo de benefícios da terra. Se assim desejarem. Cada um faz o melhor com sua propriedade. E vida que segue.

      • German Larraguibel

        Mas assim como se criticam os governos que se denominaram “comunistas” que ao invés de exercer políticas para o povo foram tão massacradores como ditadores de direita. Assim como bruno exemplificou sempre que há uma exploração ambiental por “liberais” sempre há a exploração humana e o acumulo de riquezas beneficiando poucas pessoas (dentro daquelas que participaram da exploração) isso que é inaceitável no liberalismo “atuante” “na prática mesmo” qualquer das ideologias no “papel” são lindas e cheias de jardins floridos, mas na prática o ser humano é canibal e facilmente corrompido pelo poder que se entrega. Minha conclusão? Estamos ferrados seja lá quem for que esteja no poder.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          German, dê-me um exemplo de ditador de direta, assim, só para saber em quem você pensou.

          • German Larraguibel

            Augusto Pinochet no Chile, Franco na Espanha. Ambos acumularam riquezas,
            mataram e não contribuíram com o desenvolvimento do país, ao contrário
            no caso do Pinochet se espera que chegue ao fim sua maldita constituição
            que empaca o país há exatos 34 anos, e só agora o governo será capaz de
            enterrá-la de vez graças a mudanças no sitema político chileno, mesmas
            mudanças que precisamos aqui no Brasil. Abraços

          • Raphael Brom

            Melhor você dar uma estudada antes sobre o Chile, já ouviu falar em Chicago Boys? Pinochet fez muitas merdas na área social, mas na parte econômica ele foi um exemplo para a América do Sul. Enquanto nossos militares seguiram idéias Keynesianas o ditador Pinochet implantou ideias liberais da escola de Chicago. Hoje Chile é uma das grandes potências na América do Sul graças a politica de livre mercado implantada nesse período.

  • Vitor

    Cade os vídeos do Yuri bezmenov?????

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Este texto foca em documentários, os vídeos do Bezmenov que circulam no Youtube são parte de um doc também?

  • Patrìcia

    O quarto filme foi excluído.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Verdade, Patrícia. Valeu por avisar. Vou tentar conseguir um novo link para embedar ele.

      • marcia

        Fernando, neste link tem inclusive a opção para voce baixar em hd mp4 o video.
        https://archive.org/details/ObamaBiography

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Marcia, obrigado. Mas eu tenho o arquivo no computador, porém basta subir ele pro Youtube que já sou sinalizado e o vídeo fica proibido para exibição. No Vimeo, pelo que aconteceu com este link que usamos inicialmente, acontece a mesma coisa.

          • German Larraguibel

            Augusto Pinochet no Chile, Franco na Espanha. Ambos acumularam riquezas, mataram e não contribuíram com o desenvolvimento do país, ao contrário no caso do Pinochet se espera que chegue ao fim sua maldita constituição que empaca o país há exatos 34 anos, e só agora o governo será capaz de enterrá-la de vez graças a mudanças no sitema político chileno, mesmas mudanças que precisamos aqui no Brasil. Abraços.

  • Messala

    Acho que podia incluir o documentário Zeitgeist a lista. Mesmo que não concorde com tudo que ele diz, ele dá uma boa noção de como sistema monetário funciona dentre outras coisas.

  • Gilberto Conde

    Eu juntaria o “disinformation” do wnd e algum desses de ambiente como por exemplo o “not evil just wrong”. O segundo esta no youtube mas o disinformation não, se alguém quiser eu arranjo.

  • ANDERSOM

    Mas onde está o quarto vídeo??? Ali está escrito DESCULPE, O VÍDEO NÃO EXISTE……CADE??????

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Andersom, quando publicamos o texto, o documentário “2016: Obama’s America” estava disponível no Vimeo, porém, depois de alguns meses, foi retirado por questões de direitos autorais. Já tentamos upa-lo diversas vezes no Youtube, mas é também retirado rapidamente. No momento, estamos sem opção de disponibiliza-lo online, portanto, recomendados que adquira o DVD: http://www.amazon.com/2016-Obamas-America-Dinesh-DSouza/dp/B0094V8OXG.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Atualização: Upei novamente o “2016″, veremos até quando fica no ar.

  • Anderson

    O dito melhor documentário diz que anarquia é uma corrente político-filosófica de extrema direita. Ligeiramente errado, não? Achei também interessante postular que o comunismo, na extrema esquerda, tem em seu cerne um “estado máximo”, isso só pode ter sido dito por alguém que supõe saber o que é o comunismo, mas não sabe do que se trata. Bom, primeiramente deveríamos buscar algum tipo de base no que se refere aos idealizadores das correntes políticas à esquerda. Um dos maiores expoentes do anarquismo, por exemplo, Bakunin, se coloca abertamente contra o sistema financeiro que é abraçado pela direita, como então, mesmo tendo essa visão simplista de que esquerda = mais estado e direita = menos estado, colocar a anarquia como uma corrente de direita? Deveria, no mínimo, esta ser colocada como fora desse espectro político simplista. Já o comunismo, com qualquer leitura, vamos pegar o bê-a-bá, do tal Manifesto Comunista de Marx, veremos que para além do socialismo, o comunismo supõe, também, a ausência de estado. Sim, exatamente nos moldes que os liberais querem, no entanto essa ausência de estado supõe, assim como na anarquia, a ausência do sistema financeiro que rege o mundo hoje, o capitalismo. Não há uma defesa do estado dentro da ótica marxista, pois o mesmo sempre se colocou contrário, por exemplo, às reformas realizadas através do estado no sistema financeiro, isso não é marxismo. Então como postula-se que esse tipo de ideia, ou seja, modelo keynesiano, social-democracia, entre outras, façam parte daquilo que se chama de marxismo cultural? Quando Marx fala do estado, ele diz que o mesmo é o Comitê da Burguesia, portanto dentro dessa ótica a crítica que é feita ao capitalismo também é feita ao estado. Veja bem, dentro dessa postagem não estou defendendo um ponto de vista no que se refere ao comunismo ser bom ou ruim, estou apenas revelando uma grande falha no entendimento do conceito diante do documentário postado.

    • Jean Gomes

      Só que uma coisa é a idéia dita, outra é a consequência na realidade. Veja, a realidade dos países comunistas/socialistas é de estado máximo, totalitário.

      Anarquia é uma coisa sem sentido nenhum também.

  • Karina López Salazár

    Excelentes recomendações para ver. Eu adoro encontrar conteúdo do jornalismo documental e reunir-se com surpresas. Eu sempre quis tabajar em um jornalismo projeto de documentário, mas eu não tive a chance, por enquanto eu só faço pequenas histórias com meus colegas na universidade. Por enquanto eu só vejo VICE HBO, eles recomendam, Esta série apresenta histórias semanale entregas temático documentários políticos, altamente recomendado, cumprimentos.