Central de todo o Brasil

Central de todo o Brasil

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O seguinte texto expressa todos os acontecimentos presenciados pelo autor que vos escreve, relatos detalhados na base da mais pura verdade, simplesmente pautada em tudo que passei. Procurarei não vincular manchetes jornalísticas de fatos que estavam fora do meu campo de visão.

 

No último dia 5, às 17h, estava marcado um ato de protesto contra o aumento das passagens que se concretizará neste dia 8 de fevereiro. Como desde o histórico mês de Junho de 2013 estou presente em manifestações, tanto para cobrir ou simplesmente apoiar as causas populares, dessa vez não foi diferente. Mas tentarei deixar de lado um pouco a questão de minhas particularidades políticas.

 

Sou estagiário na área de logística em uma empresa em São Cristóvão, e como sempre saí às 15h do trabalho; em um dia normal me encaminharia para a Ilha do fundão, onde curso o 8º período da graduação de Defesa e Gestão Estratégica Internacional na Federal do Rio, mas neste dia resolvi me juntar à manifestação que aconteceria ali próximo, no Centro da “Cidade Maravilhosa”, na praça da Igreja Candelária, no coração da cidade.

 

Após realizar alguns afazeres particulares ali pelo centro, me juntei a multidão que se concentrava na Praça da Cinelândia por volta das 17:15h. Ali consegui enxergar diversos tipos de pessoas: Black Blocs, militantes do PSOL e sua banda, militantes do PSTU e PCB, movimentos de progresso e estudantil e principalmente o povo; sim, para quem duvidava ele apareceu, e apareceu em peso, desde universitários a senhores da época da ditadura, médicos, advogados, mecânicos, frentistas, secretárias, desempregados, gente com fantasias simbólicas… Realmente existia uma identidade de início. Cantos, harmonia, dava alegria ver o povo reunido e a sua voz ecoava pela Cinelândia, enquanto era observada pela tropa de choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro, e contrastando com o “rush” tradicional do cruzamento da Presidente Vargas com a Rio Branco.

 

A concentração foi-se até aproximadamente umas 18:30h, quando a passeata começou em direção a Central do Brasil – bonita, com muitas faixas, cantos e chamando a galera pra aderir. A chegada à estação de trens da Central do Brasil foi bastante tensa, a PM correu para dentro da estação junto com os manifestantes, os mesmos já estavam em cima das roletas centrais, com os cantos em repúdio ao governo atual e ao aumento requerido pelo mesmo. Os ânimos se exaltaram e a PM começou a reagir, o que não preciso dizer que se tornou a faísca para acender a dinamite… Corre-corre, confusão, bombas de efeito moral ecoavam pelo interior da Central do Brasil, aí aconteceu o pior, as bombas de gás lacrimogênio começaram a tracejar o interior da estação. Sim… O interior da Central do Brasil! As saídas foram bloqueadas pelas forças policiais em um primeiro momento, mas liberadas logo em seguida, visto o desespero pela falta de ar do público na parte interior. As catracas começaram a ser atacadas nesse momento, Black Blocs derrubaram algumas delas, alguns funcionários da Supervia chegaram para tentar ajudar o efetivo policial, mas era em vão; nesse momento a confusão também se estendia para a região externa e circunvizinhanças da Central do Brasil, o efetivo policial teve que se dividir dentre a confusão e o corre-corre. Teve um momento em que realmente seria impossível deter o poder do povo, foi onde um pouco depois do gás abaixar, manifestantes fizeram o famoso “corredor do povo”, que seria uma faixa de pessoas indicando o local para o trabalhador carioca entrar GRATUITAMENTE para voltar pra sua casa. Sim, sem catracas, era um portão aberto para o povo entrar gratuitamente na plataforma ao canto de “Trabalhador não vai pagar” e “Ei, FIFA, paga minha tarifa”.

 

Quem passava ficava assustado, alguns aplaudiam, outros ficavam com medo, mas o povo parecia feliz, como se realmente alguém tivesse feito algo por eles, mesmo que minimamente.

 

Muitas faixas e cantos por dentro da Central do Brasil, que te garanto, nunca ficou tão cheia (mesmo na hora do “rush”). Esse é o recado, uma pequena parcela está tentando e outras estão se juntando, e outras, e outras, a cada dia aumenta mais… O povo talvez esteja começando a ver a força que tem, não será hoje, nem amanha… Mas após 8 meses acompanhando tanto jornalisticamente como participando efetivamente, fico feliz com isso.

 

Considerações: Existem sim pessoas que não tem senso de protesto e estão lá para “arruaça”, assim como já coloquei em outras pautas, mas não podemos julgar a regra pela exceção, e esses muitas vezes são retirados pelos próprios manifestantes.

 

Tivemos muita confusão também do lado de fora e o tão falado caso do cinegrafista da Band atingido por um rojão (sim, foi um rojão, não estou aqui como babaquinha que acusa a PM de tudo e trata todo manifestante como mocinho). Mas decidi não dar ênfase ao que aconteceu fora do meu campo de visão, com a intenção de retratar a minha visão micro do protesto do dia 05/02 na Central do Brasil.

 

Socorristas das manifestações

 

Socorristas das manifestações. | Créditos: Rodolfo Menezes.

 

“Ei, FIFA, paga minha tarifa”

 

"Ei, FIFA, paga minha tarifa".

 

Povo entrando de graça

 

Povo entrando de graça.

 

Povo entrando de graça.

 

A tomada das catracas

 

A tomada das catracas - Parte I. | Créditos: Rodolfo Menezes.

 

A tomada das catracas - Parte I. | Créditos: Rodolfo Menezes.

Victor Fortunato
Carioca, Victor Fortunato além de repórter e editor da Feedback, mantém sua paixão pelo universo editorial e é um dos integrantes do canal Cariocando no YouTube.

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