Carnaval de maratonas no Netflix

Carnaval de maratonas no Netflix

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O carnaval chegou.
Você não está na vibe de cair na folia / não tem dinheiro pra viajar? Não quer/gosta de assistir o desfile das escolas de samba ou os trios elétricos da Bahia? Não consegue achar nada interessante pra passar o tempo sozinho enquanto seus amigos enchem a cara e se pegam sem você? SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

 

Fizemos pra você um pequeno guia de como aproveitar os cinco dias de carnaval fazendo maratonas de séries no Netflix. Prepare a pipoquinha (ou pizza, se a crise permitir) e deixa a cafeteira em stand by pra quando o sono bater e caia na gandaia (a.k.a. SOFÁ)!

 

How to get away with murder

 

Não foi por acaso que a série foi muito premiada em sua primeira temporada

 

Comecei por essa por essa pois é a que a estou assistindo atualmente. Confesso que não fui conquistado desde o primeiro episódio. Todo mundo me falava muito bem dessa série, portanto já fui com muita expectativa desde o piloto. E, no meu caso, achei um tanto superficial. Porém, vi que havia um potencial, desde que os personagens deixassem de ficar de briguinhas e futilidades e focassem nos outros assuntos da série. Por isso dei uma chance. E valeu a pena. A primeira impressão não foi a que ficou. A série engrena e o episódio 9 pareceu ter uma hora e meia de duração de tanta coisa que acontece e sem deixar a peteca do ritmo cair. São 40 e poucos minutos no ritmo frenético.

 

O jeito como a história é contada, indo e voltando através de flashforwards, pode ser irritante em alguns momentos, mas eu, particularmente, curti bastante. O que mais te prende na série, além das resoluções mirabolantes dos casos e da atuação primorosa de Viola Davis (que já lhe rendeu alguns prêmios), são os chamados cliffhangers (aquele final de episódio chocante que te faz ficar bugado e doido pra ver o próximo) e os plot twists (mudanças bruscas na história, quando tudo vira de cabeça pra baixo, o suposto vilão não é o que parece, o bonzinho mostra seu lado oculto e etc).

 

Essa série tem apenas uma temporada na Netflix e tem apenas 15 episódios com média de 40~42 minutos, portanto, dá pra ver tudo num dia só tranquilamente.

 

Arrow & The Flash

 

Arrow & The Flash: boas séries de heróis

 

Pra quem curte Super Heróis em geral é uma ótima pedida. Pra quem não curte tanto, vale a pena pelo menos dar uma chance. Coloquei a as duas juntas propositalmente, pois se cruzam em determinado momento, fazendo o chamado crossover.

 

Pra quem vai começar agora, comece por Arrow. A série é sobre Oliver Queen, um bilionário que fica numa ilha dado como morto durante 5 anos. Então, ele volta pra sua cidade (Starling City) pra combater o crime secretamente usando apenas Arco e flecha e técnicas de combate que, teoricamente, aprendeu na ilha (e você descobrindo como ao longo da série).

 

A primeira temporada tem uma pegada de ação muito boa, com vários elementos de mistério contados através de flashbacks. A segunda também é muito boa, mesmo não conseguindo manter o ritmo da primeira. O problema está na terceira. Pra mim, nem é tão ruim quanto a maioria costuma dizer, mas de fato o ritmo desandou de vez nessa e fica uma certa ‘lenga lenga’ boa parte da temporada.

 

The Flash, começa junto com a terceira temporada de Arrow. Na verdade o protagonista, Barry Allen, já aparece nos últimos episódio da segunda temporada da série do Arqueiro, fazendo participação especial. Daí, ele é atingido por um raio quando um acidente acontece no acelerador de partículas de sua cidade (Central City). Então, ele, que é um cientista forense (CSI) passa a ter superpoderes e ao descobrir que outras pessoas que também foram afetadas de alguma forma pela explosão do acelerador de partículas desenvolveram poderes também e estão usando para o crime, resolve caçar essas pessoas.

 

The Flash tem bem mais cara de super-herói do que Arrow. E também e bem menos pesada. Enquanto o Arqueiro de Starling City atua contra vilões (em sua maioria ‘emprestados’ pelo Batman) durante a noite, o Velocista Escarlate atua mais durante o dia, além de ter mais momentos cômicos em sua história. Para acompanhar bem as duas séries que se entrelaçam algumas vezes, assista Arrow até o fim da segunda temporada, e quando for começar a terceira, comece pelo primeiro episódio de The Falsh. A partir daí, assista de forma intercalada um episódio de Flash e um de Arrow. Nessa ordem, pois assim você não terá spoiler de uma série na outra e acompanhará tudo na ordem cronológica correta.

 

Como essas séries tem mais episódios (23) e são 4 temporadas no total (3 de Arrow e 1 de Flash), vai demandar um pouco mais de esforço seu pra concluir a maratona.

 

Demolidor & Jessica Jones

 

Heróis +18

 

Se você acha que Arrow e The Flash são séries pra crianças e adolescentes, você (além de estar muito errado) tem a opção de assistir às séries adultas (e exclusivas Netflix) de super heróis Demolidor e Jessica Jones. Elas tem classificação 18 anos por conterem cenas de muita violência, linguagem chula e cenas ‘mais quentes’.

 

Comece por Demolidor. A série mostra Matt Murdock, um advogado cego que monte um escritório com seu amigo de faculdade Foggy Nelson no bairro de Hall’s Kitchen (Cozinha do Inferno) em Nova Iorque. Como o escritório é novo e desconhecido, os amigos acabam pegando os casos mais ralé, os chamados ‘porta-de-cadeia’. Acontece que Matt resolve combater os verdadeiros criminosos que acabam levando inocentes a serem seus clientes, como traficantes (de drogas e pessoas), assassinos, estupradores e por aí vai. Como é possível se ele é cego?! Esse é um dos motivos que fazem do personagem tão legal. Como seu antagonista, temos Wilson Fisk, que depois vem a ser conhecido como Rei do Crime, que é outro personagem interessante, mesclando uma personalidade bem real e uma força sobrenatural.

 

Já Jessica Jones, trata de uma mulher que sofreu com uma relação abusiva e era controlada mentalmente. Lutando para se livrar desse passado que a atormenta, atua agora como detetive particular e acaba ajudando pessoas que passam por problemas parecidos. Para isso, conta com habilidades sobre-humanas, porém, meio que tem medo de se mostrar e usar suas habilidades pra isso. Se sente responsável por aqueles que também são vítimas do seu algoz, Kilgrave. Esse, por sua vez, é uma vilão que é tido como ainda mais temido que o Rei do Crime. A carga dramática de Jessica Jones é maior que a de Demolidor, seu vizinho em Hell’s Kitchen.

 

Pra assistir JJ não é necessário ter assistido Demolidor e vice-versa, porém, será mais interessante se as duas fossem acompanhadas em sequencia.

 

House of Cards

 

Kevin Spacey é o implacável Frank Underwood na premiadíssima House of Cards

 

Por último, mas não menos importante, recomendo House of Cards. A série já ganhou diversos prêmios e conta com nada menos que Kevin Spacey como protagonista. A ideia da série é mostrar os bastidores da política nos EUA (e de certa forma em todos países com sistema político relativamente parecidos). Diria que em alguns momentos, tive a impressão de que daquela vez que soubemos que os americanos nos espionavam, eles na verdade estavam juntando informação sobre nosso sistema político e editando uma coisinha aqui e outra ali pra criar o roteiro dessa série. Pois como tem coisas parecidas! Se você observa o jogo político que acontece entre a “câmara dos deputados”, “senado”, “STJ” e o Executivo deles vai lembrar de muito que se passa por aqui, apenas adaptado pra cultura deles.

 

Daí você pensa “Mas uma série de política?! Não tenho o menor interesse…”. Amigo, se você não tem interesse em política você já tá errado. Entretanto, considerando-se que gosto é uma coisa pessoal, saiba que há muitos atrativos na série. Se a atuação premiada de Kevin Spacey não te convenceu, saiba que sua esposa na série, Robin Wright, também já levou até Globo de Ouro, além de estar sempre sendo indicada a outros prêmios. Os outros personagens também são muito complexos; a carga dramática é intensa; existem histórias aparentemente paralelas que acabam se entrelaçando em algum momento; você aprende bastante sobre política/geografia, como funciona o jornalismo; há sexo e violência; o personagem de Spacey quebra a quarta barreira o tempo todo, conversando diretamente com o espectador; há também bons cliffhangers em diversos momentos… Enfim, há muitos elementos que fazem da série atrativa.

 

Um bom motivo pra aproveitar o carnaval pra fazer uma maratona de HoC (além dos supracitados), é que a quarta temporada será lançada em 4 de Março, ou seja, dá tempo de você assistir tudo antes da nova temporada. [SPOILER] Nessa próxima, Frank, que começou como um ‘mero’ congressista (o nosso deputado), e já é presidente dos EUA (devido a suas armações) está concorrendo a reeleição. A campanha viral já começou e temos até site oficial da campanha: fu2016.com[/SPOILER]. Dá pra assistir as três temporadas sem problema algum, sendo um bom folião de sofá, afinal, são dez episódios de aproximadamente 1h de duração, cada.

 

Outras recomendações (das quais não posso comentar com precisão pois não as vi ainda, mas que estão na minha lista de maratona) são: Sense8, Orange is the New Black, The Orphan Black e claro, os clássicos (e já completos/terminados) Friends, How I met your mother, Lost e Breaking Bad.

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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