Cadê o pudor?

Cadê o pudor?

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“Nunca antes na história deste país…”
Essa frase nunca fez tanto sentido como agora. Diante de tantas coisas que nunca foram vistas na história deste país, uma coisa chama atenção pelo inverso, por não ser mais vista: o pudor.
 
Vivemos um tempo obscuro, onde qualquer prognóstico é dificílimo de ser dado. Ninguém sabe o que acontecerá na política nacional. Qual manobra será feita, qual aliança será formada, vivemos por mais 24 horas. E qualquer prognóstico errado pode ser catastrófico, assim como foi na Rússia, na China, na Coréia do Norte, na Venezuela… Nosso tempo está acabando e não temos mais chance de errar.
 
Uma coisa que está diferente de todas as outras épocas, aqui no Brasil, é que hoje ninguém mais se preocupa em dissimular, não há mais pudor. Lênin e Trotsky até atingirem o poder total sempre mantiveram as aparências. Por aqui não há preocupação em não parecer ser. Hoje todo mundo sabe quem é quem. Qual bandido roubou o que. E quantos milhões estão no exterior e quem mandou pro exterior. Não há mais negação que consiga ludibriar até mesmo o mais leigo dos brasileiros. Qualquer um com uma inteligência média – aqui excluo de antemão qualquer esquerdista – consegue ver a verdade por trás das negações.
 
Antes, havia uma preocupação com a imagem, com a opinião pública. Hoje, não. Hoje se faz tudo às claras, a luz do dia. Ninguém mais se preocupa em camuflar a verdade. As manobras políticas que se restringiam a calada da noite e a articulações ocultas, hoje são feitas na hora do almoço e saudadas na cara de todos. A negação vem com um sorriso de escárnio.
 
Não há mais gatos em casa, os ratos estão à vontade. Não há mais o que esconder, onde esconder e nem de quem esconder. Está tudo documentado, está tudo filmado. Todavia, no tempo em que vivemos os documentos assinados e os vídeos gravados já não provam nada e se provam, não resultam em nada. Dólares na cueca? Apenas um deslize. Na próxima tome mais cuidado para não chamar a atenção, não queremos parecer mais bobos do que somos. Nos poupem os detalhes, por favor.
 
Brasília, cada dia que passa cheira mais a podre, o cheiro acre deixa o ar irrespirável. Não há mais disfarces, não há mais sutileza. Pra que se preocupar? Todo mundo já sabe. A baixeza moral da nossa classe política dá nojo. E a inércia do povo é deprimente. Por que não estão ocupando as ruas? Que futuro tem um país com esses homens a frente da nação e uma nação que não se incomoda de tê-los a sua frente? Caminhamos a passos largos para um regime de exceção. Só não enxerga isso quem não quer ver. Os que buscam apenas o enriquecimento terão caminho livre para todo tipo de negociata com o dinheiro público. Os que buscam a implantação de um regime comunista terão caminho livre para isso também, é um casamento promíscuo entre corruptos e loucos, com uma plateia de idiotas se perguntando como isso pôde acontecer.
 
Não há democracia que resista. Não há país que aguente tanto estupro. Onde não há independência entres os três Poderes e as Forças Armadas não há democracia. Vê alguma semelhança com a ex-colônia portuguesa e a sua ilusão democrática?
 
A última fortaleza em defesa da nossa pseudodemocracia está nas mãos de um larápio. E este, por sua vez, não me parece negar a raça. Vai entregar a última esperança de preservar o que ainda resta de uma democracia – que já é doente – para salvar a sua cabeça e os seus milhões de dólares no exterior, ou melhor, os nossos milhões de dólares. Chegamos num ponto sem retorno. A quem vamos recorrer? Eles fazem as leis; eles julgam; eles elaboram decretos; e, eles têm a força das armas.
 
A nomenklatura brasileira – assim como em todos os outros regimes similares ao longo do século XX e XXI – está acima de qualquer lei. A lei só serve para o proletariado. Para encurralar o povo – o mesmo que juram defender – com um bom fuzil contra um bom paredão. A confiança deles chegou a um nível nunca antes visto, até Fidel depois de entrar em Havana ainda tinha certa cautela. A história por aqui segue o mesmo curso que em outros lugares, em outras épocas. O filme é repetido e o final não é feliz. Os latinos-americanos e, sobretudo, os brasileiros irão pagar caro por esse eterno namoro incompreensível com o comunismo.
 
Aqui nem mesmo um otimista incurável consegue manter a esperança, consegue manter a fé nos homens. Não há outra saída que não seja uma intervenção. Não a militar, mas sim, a divina…

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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