Bolsonaro: sonho ou realidade?

Bolsonaro: sonho ou realidade?

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Pelo o que parece a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) deve realmente se concretizar para a corrida presidencial de 2018. O vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, presidente do PP-RJ, lançará o nome de Bolsonaro como candidato do partido na convenção nacional, em março. Essa iniciativa foi motivada por conta do resultado das pesquisas encomendadas pelo PP, nas quais apontam o deputado com cerca de 10% das intenções de votos. Além disso, Bolsonaro já avisou através das suas redes sociais que “está noivo” do PSC.

 

Portanto, a candidatura do deputado é algo concreto. Porém, há uma distância abismal entre sair candidato – até a Luciana Genro já concorreu ao Planalto – e vencer as eleições. A questão agora ficaria: há possibilidades de Bolsonaro vencer em 2018?

 

Muitos, ou melhor, quase a totalidade daqueles que acompanham o cenário político dizem que as chances dele são irrisórias, apesar de afirmarem que sua candidatura será algo salutar a disputa presidencial, principalmente nos debates. Pois, levantaria questões importantes.

 

Entretanto, fazem uma leitura equivocada do cenário político que se desenha para 2018. Tudo leva a crer que teremos os “mais do mesmo” em 2018. Nada muito diferente do que vem ocorrendo desde 1994, uma disputa bipolar entre PT e PSDB com candidatos periféricos.

 

Este seria o cenário ideal para Jair Bolsonaro ascender na disputa. Explico:

 

É notório o desgaste dos homens públicos perante a sociedade. O brasileiro médio encontra-se fadigado com tudo que vem ocorrendo, portanto estará propenso a mudar seu voto em busca de qualquer coisa que seja diferente. E há algo mais diferente dos políticos atuais do que Jair Bolsonaro?

 

“Estou noivo do PSC.”


 

Tirando isso, temos o desgaste do PT, o qual nem sabemos se seguirá sendo um partido político em 2018, e mesmo que vem a sê-lo não tem força para “inventar” nenhum nome, como fez com a Dilma em 2010. Teria que buscar uma solução “caseira” e pragmática. Na falta de quadros de apelo nacional – já que todos que poderia assumir essa posição estão presos – teria que lançar o Lula, isso se não estiver preso também com o resto da quadrilha.

 

Então, no melhor cenário petista o PT continuará sendo um partido político e o Lula estará em liberdade, só assim poderão se lançar numa disputa presidencial. Todavia, a imagem do Lula já sofreu muito desgaste até aqui – segundo pesquisas perderia para o Aécio se as eleições fossem hoje –, imagina até 2018. Uma vitória luliana seria uma utopia.

 

Nossa outra opção dentro da polarização partidária é o PSDB. Mas ninguém melhor do que o PSDB para perder uma eleição para si mesmo, vide 2006, 2010 e 2014. O que tudo indica é que os tucanos irão rachados para 2018 entre Aécio e Alckmin. A tendência é que caso o PSDB-SP se imponha sobre o PSDB-MG – o que creio que ocorrerá – e lance Alckmin como candidato, o PSDB-MG não irá trabalhar em prol do candidato do partido, e vice-versa. Não é demais lembrar 2010, quando Aécio saiu com 92% de aprovação em Minas, teve eleição recorde para o senado federal, conseguiu eleger um sucessor e ainda assim o Serra perdeu no seu estado.

 

Do mais teremos muito provavelmente a Marina com seus 20 milhões de votos de sempre; talvez um Ciro Gomes com a única e exclusiva missão de ser uma linha auxiliar do PT; e, os folclóricos de sempre.

 

No meio de todo esse cenário temos ainda o PMDB que pelo visto cansou de ser coadjuvante e lançará um candidato ao Planalto. A pergunta é: quem?

 

O PMDB apesar do peso político não tem quadros para uma disputa como esta. Não a toa namora com o desfalecido José Serra. O que seria um erro estratégico gravíssimo. Sua melhor opção seria o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O qual em virtude dos Jogos Olímpicos transformou a cidade num grande canteiro de obras e revitalizou importantes áreas da capital fluminense. Aos olhos do eleitor, ele é um grande administrador e toda melhora da cidade deve-se a ele e sua capacidade administrativa.

 

Com um pouco de trabalho daria para lapidar um candidato forte ao Planalto. Porém, não sabemos a capacidade do PMDB de “inventar” nomes, mas a situação de Eduardo Paes para 2018 se parece muito com a de Bolsonaro, com um gravante: larga atrás quanto a visibilidade nacional.

 

Outro fator que pesa a favor de Bolsonaro é externo e vem da Argentina. A vitória de Macri, suas medidas iniciais e o sopro de otimismo que tomou conta da Argentina depois de 12 anos de Kirchnerismo podem ser aproveitados pelo deputado. Apesar de não ter uma veia tão liberal quanto Macri – no passado criticou as privatizações – Bolsonaro não é bobo, cresceu e estudou muito nos últimos anos. Diante da repercussão positiva das medidas tomadas do outro lado da fronteira é natural que ele adote um discurso mais liberal – já chegou a compartilhar as medidas de Macri no Facebook – e com isso ganharia mais eleitorado e apoio entre os liberais que ainda torcem o nariz para ele.

 

Outra questão que levantam para o suposto fracasso do projeto é a falta de recursos financeiros, mas vale lembrar que nenhum outro político no Brasil consegue usar as redes sociais de forma mais eficaz que Bolsonaro. Isso sem dúvidas alguma pesará a seu favor e poderá compensar a limitação financeira. E diante da falta de quadros os liberais e conservadores acolherão sua candidatura como única alternativa contra o lulopetismo.

 

Acredito que o ceticismo dos que desejam a sua candidatura é psicológico, uma maneira de não se frustrarem em caso de derrota. Mas tenho certeza que Bolsonaro virá forte em 2018, com plenas condições de vencer. Se duvida basta ver a recepção que o nobre deputado tem recebido nos mais diversos pontos do país.

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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