BJ Penn de volta ao MMA?

BJ Penn de volta ao MMA?

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Alguém que sempre lutou por prazer como BJ Penn (oriundo de família abastada no Havaí) não ficaria tão bem, obrigado, como aposentado quanto outros “alguéns” que lutam ou lutavam para sustentar a família.

 

Ainda assim, foi uma surpresa vê-lo aventar a possibilidade de retornar ao esporte. Mesmo que seja por um motivo “nobre”: vingança. Não entendeu?

 

No programa UFC Tonight desta quarta-feira (30/09/2015), o havaiano declarou que estaria disposto a enfrentar Nik Lentz, peso-pena que é 11º no ranking do UFC, para vingar-se de Mike Dolce, que cuida da parte física de Nik.

 

Isto porquê o famoso – e polêmico – nutricionista americano Mike Dolce trabalhou para Penn a preço de ouro (recebeu mil dólares por dia durante 20 dias), durante o camp do havaiano para sua última luta, a terceira contra Frankie Edgar e a primeira no peso-pena, só que os resultados não foram do agrado do contratante.

 

De quebra, Dolce andou falando de Penn por aí. Segundo o lutador declarou no programa, disse que ele não treina todo dia, que é acomodado e tudo mais. Aquela velha história, que mesmo que seja verídica, não me parece o melhor assunto para se tratar no jantar, muito menos com a imprensa. Para quê, Dolce? (A resposta é simples: Aparecer. Mas deixa para lá.)

 

À época do anúncio da luta terceira com Edgar, lembro de ter estranhado o peso em que se deu. Pena? BJ jamais lutara na categoria e se notabilizou, ao longo da carreira, por não ser um exímio atleta, na concepção popular do termo. Sempre foi um lutador talentoso, acima de tudo, guerreiro, com faro de sangue e técnico. Nunca atlético.

 

Mas ele bateu o peso, sob os cuidados de Dolce, subiu no octógono e lutou. Seu shape parecia melhor que o de costume, inclusive, o que me levou a crer na vitória dele por cerca de 30 segundos. Infelizmente, porém, independente do resultado a apresentação foi fraca.

 

BJ na pesagem da terceira luta com Edgar, visualmente bem e com Dolce ao seu lado.

BJ na pesagem da terceira luta com Edgar, visualmente bem e com Dolce ao seu lado.

 

Não posso e não me cabe creditar a atuação do prodígio BJ Penn à critérios físicos, apesar de ter sido uma suspeita forte, antes mesmo da luta, o fato de a balança poder atrapalhar. O que posso comentar, e aí vai uma análise psicológica dolorosa, é que ao longo dos anos ficou visível que BJ possui outra característica patente, além de seu talento: um ego do tamanho de um trem.

 

Não somente para o mal, é verdade, pois acredito ter sido este excesso de confiança que o levou a lugares que poucos hão de ir (enfrentar o campeão da categoria de cima e vencer, lutar com todo tipo de caboclo, seja do tamanho que for – Renzo e Rodrigo Gracie, Lyoto Machida…). Mas também para o mal, pois sua volta em 2014, dois anos depois de sua última luta, quatro depois da última vitória, foi em circunstâncias totalmente contrárias, certamente somente para se motivar a retornar.

 

Eu sei, ele é movido a desafios. Modéstia parte, também sou. Mas… Não precisa exagerar e pedir tanto de si para motivar-se. Se era assim o único jeito dele topar novas lutas (contra seu algoz por duas vezes quando era bem mais moço, top de uma categoria em que nunca lutou; agora contra um cara – Lentz – ranqueado em seu auge físico e com um estilo propício a amarrá-lo), melhor não lutar, melhor sequer cogitar essa ideia. O tempo passa, até para mitos do esporte.

 

Então não vale a pena voltar a lutar? Contra Nik Lentz, não. Contra Mike Dolce, sim.

 

Se a raiva de BJ é especificamente contra o falastrão Mike Dolce, que lute com ele então! Seria mais compatível: um ótimo lutador aposentado e fora de forma, contra um ex-lutador medíocre (5-10 no cartel) também aposentado, porém mais pesado e, suponho, em forma (preparador físico não pode ficar fora de forma, pode?).

 

Eu compraria esse ingresso somente para ver alguém que fala demais se dar mal. Fato é, porém, que é um confronto praticamente impossível. Sendo assim, é melhor que BJ siga aposentado. Para o bem de seu legado.

 

Como ex-campeão peso Leve (até 70kg) e Meio-Médio (até 77kg) do UFC, integrante do Hall da Fama do evento, ele há de considerar isso quando refletir sobre sua possível volta.

 

BJ é novo, têm apenas 36 anos, quase a idade de Randy Couture quando começou no MMA (34), mas sua trajetória de batalhas, somente contra a nata do espote, acabou por apressar o fim de sua carreira, certamente mais breve do que naturalmente é para seres comuns.

 

Mas ele não está morto, e como vimos no “UFC Tonight”, ainda quer sangue. Se fosse amigo pessoal de BJ, sugeriria que fizesse como Chael Sonnen e matasse o gosto por competição em lutas de grappling.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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