Batman vs Superman – Uma ode aos fãs

Batman vs Superman – Uma ode aos fãs

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Batman vs Superman: A origem da Justiça foi aguardado por fãs de quadrinhos e de super heróis durante incontáveis anos. A expectativa não poderia ser mais alta, especialmente devido aos grandes sucessos de bilheteria dos últimos filmes de heróis da Marvel. Um filme com os três maiores heróis da DC, precisava ser “tudo isso”. E é. Pelo menos pros fãs.

 

O filme foi concebido para ser uma continuação direta ao filme Homem de Aço e ao mesmo tempo apresentar um novo Batman, partindo do princípio de que o personagem já é conhecido do público que está assistindo à película. Além disso, nesse meio tempo, ainda é preciso apresentar a Mulher Maravilha, Lex Luthor, outros heróis que virão a construir a primeira formação da Liga da Justiça e um vilão maior pra que essa união faça sentido.

 

Aparentemente, é muita coisa pra um só filme, mesmo que este tenha duas horas e meia de duração. Mais do que isso, é preciso ter algum background sobre história e personagens. Por isso, se você vive numa bolha e nunca assistiu a nenhum filme ou mesmo desenho desses personagens, você achará que o ritmo da história é frenético demais, e por vezes haverá muita história pra pouca ação, por mais paradoxal que isso possa parecer. Pelo menos até metade do filme.

 

Gostei muito do ritmo do filme. Acho que ficam bem claros três atos no filme: a sequencia inicial trata mais de apresentar Bruce Wayne / Batman e como e porque ele se irritou tanto com o Superman; apresentação de Lex Luthor e sua escalada rumo ao papel de vilão; apresentação de personagens mais secundários (a princípio); e as consequencias dos atos de Superman em Homem de Aço. Tudo, claro, se interligando. O segundo ato, fica por conta da treta que dá nome ao filme. E acredite, ela é justificável, diferente do que um leigo em HQs possa pensar. O último ato, trata-se do embate final, onde os dois já ficaram de bem e se juntam para encarar um mal muito maior e onde contam, ainda, com a ajuda da Mulher Maravilha. Aliás, eu diria até, que a Mulher Maravilha quem ‘salvou o dia’ de fato, dado que sem sua ajuda, os dois marmanjos teriam tomado uma surra. Até a própria Lois Lane tem papel importante nessa treta (mesmo tendo sido o grande ponto fraco de Superman durante o filme, mais até do que Kryptonita. Se Clark tivesse assistido a qualquer filme do Homem-Aranha saberia que com grandes poderes vem grandes responsabilidades e que, por isso, não pode ser o salvador da humanidade e amar uma humana ao mesmo tempo).

 

Falando sobre a MM, deve ficar constado que ela arranca mais gritinhos histérico na galera do que qualquer outro personagem, cena de ação ou mesmo referência em todo filme. Ela é o maior acerto do filme. Suas sequências de ação são muito bem coreografadas (diferente das do Batman, especialmente no início do filme), e suas armas são muito bem utilizadas. Posso dizer que ela já é a melhor (primeira) adaptação de um personagem de quadrinhos pra telona de todos os tempos. Justo ela, que só perdia em desconfiança pro Bruce Wayne de Ben Affleck. Aliás, este é outro que, no mínimo, corresponde às expectativas dos fãs. Talvez os mais radicais dirão que não gostaram tanto. Eu, particularmente, não gosto de comparações. Então não entrarei no mérito de quem foi o melhor Batman. Mas já digo: vamos com calma! Ainda precisamos de mais tempo pra ver o desenvolver deste Batman, que vale lembrar, nunca foi adaptado dessa forma como está sendo agora: mais velho, vindo de um período de ou inatividade, ou pelo menos, menor atividade do que estamos acostumados.

 

Mulher Maravilha: uma das gratas surpresas de BvS

 

Na verdade, digo mais: fosse eu o responsável pelo título do filme, este seria “Mulher Maravilha, Alfred e Lex Luthor apresentam Batman e Superman”. (Ainda bem que não fui esse cara, né?)

Afinal, esses três personagens são os melhores do filme. Mesmo os dois primeiros aparecendo pouco, são responsáveis pelas melhores cenas, no geral. Lex, por sua vez, é outro que superou as expectativas (pelo menos as minhas). Jesse Eisenberg faz um Lex Luthor diferente de todos os outros que já tenhamos visto nas mais diversas mídias. É um Lex que inicialmente parece só um herdeiro mimado e que usa sua intligência e em influência pra tirar onda com os outros. Quase um Bruce Wayne / Tony Stark. Mas mesmo assim, ainda arranca boas risadas com suas tiradas (tais quais os alter egos com quem o comparei). Porém, com o desenvolver da história, se torna um vilão com V maísculo. Daqueles que fazem os heróis sentirem raiva de fato e quererem destruir. Já disse que tenho evitado comparações, mas diria que esse Lex está no mesmo nível do Coringa. Sem a parte da loucura caótica, sendo esta trocada por inteligência maligna. Curti muito esse Lex e espero que ele possa continuar sendo aproveitado nesse universo cinematográfico da DC, e que seja da mesma forma como foi nesse filme, só melhorando na maturidade.

 

Os verdadeiros donos do filme

 

Não li nenhuma resenha antes de assistir ao filme e não sei se lerei agora que assisti. Mas soube que ele tem recebido críticas negativas, especialmente por ser ‘um tanto confuso’ pro público comum. Sobre isso, parafrasearei:

 

“Não sou capaz de opinar” – PIRES, Glória

 

Afinal, não sou o ‘público comum’. Sou um consumidor de Cultura Pop, especialmente de quadrinhos. Portanto, pra mim e para o público que represento, o filme foi incrível. Saí do cinema em êxtase. Analisei como uma adaptação de uma obra (ou várias obras) muito fiel e respeitosa. Acho que os fãs de quadrinhos devem ter sentido (como senti) uma catarse ao ver a trindade representada nas telonas. Até os fãs de filme de ação devem curtir muito o filme também, pois a sequências de luta são muito boas, especialmente da luta final e do momento treta de Batsy contra o Supinho. Mas se tivesse que escolher a melhor coisa do filme, diria que são os aspectos técnicos, como fotografia e trilha sonora. O primeiro, é uma característica marcante de Zack Snyder, diretor do filme. Pra quem não o conhece ou lembra, é o cara na cadeira em 300, Watchmen e Sucker Punch, por exemplo. Já o som, fica por conta de Hans Zimmer, o mestre por trás de praticamente todos os filmes de Christopher Nolan (Interestellar, A Origem, Trilogia do Batman, etc), todos Piratas do Caribe, Sherlock Holmes e das melhores trilhas em animações como Megamente e Kung Fu Panda. Me arrisco a dizer que a trilha de BvS é digna de Oscar.

 

Sem querer dar maiores spoilers, devo dizer que o final do filme pode parecer um tanto clichê, especialmente pra quem já viu filmes demais, e ao mesmo tempo (e por incrível que pareça) surpreendente para o público comum. Porém, pra quem é fã de quadrinhos, é até previsível, dado o vilão apresentado. Vilão esse, que apesar de uma origem diferente da dos quadrinhos, ficou muito bem adaptado. A pedra fundamental pra criação da Liga da Justiça foi bem colocada, assim como seus membros fundadores foram apresentados de forma concisa, apesar de curta.

 

Por essas e outras razões, que não cabem ser discutidas aqui e agora, o título dessa resenha se faz por merecer. Batman vs Superman: A origem da Justiça é um filme para os fãs. E em homenagem a eles, especialmente (inclusive cheio de easter eggs e referências a filmes anteriores dos personagens). Por essa razão, talvez, o público comum não o veja como nada demais, ou até mesmo uma forma desesperada da Warner de tentar bater de frente com a Marvel. Talvez esse seja seu grande pecado e maior virtude. Paradoxalmente, conforme dito algumas vezes ao longo do texto. Ou, por que não, dicotomicamente, conforme o filme se propõem: Batman vs Superman; Noite vs Dia; Homem vs Deus.

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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