As vertentes do Metal

As vertentes do Metal

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Quem não é familiarizado com os sons de guitarras distorcidas e pedais duplos do metal muitas vezes não tem noção da variedade existente no gênero. Se esse é o seu caso, caro leitor, este artigo vai servir como uma ajuda para tentar diferenciar as bandas do estilo e, quem sabe, encontrar uma vertente que possa lhe agradar. Estas são as vertentes do metal:
 

HEAVY METAL

 
Deixando de lado os terninhos e os cabelos cortados em forma de tijela, o Heavy Metal foi representado por cabeludos e rebeldes durante a década de 60, tendo como precursores grupos como Black Sabbath, Judas Priest e Iron Maiden. O Heavy Metal mudou radicalmente a visão sobre a música na época. As distorções nas guitarras chegaram com força e as canções de amor foram simplesmente deixadas de lado, dando lugar a músicas que relatavam criaturas grotescas que habitavam na escuridão ou sobre motos e jaquetas de couro que chamavam a atenção de várias mulheres (no caso de Rob Halford, vários homens também, ui!). Já perdi as contas das vezes em que ouvi de pessoas que apenas viram estampas de camisas do Maiden e já os julgaram como “apenas gritaria”. Recomendo a esses indivíduos ouvirem Dance of Death ou mesmo Run to the Hills para perceberam que estão completamente enganados sobre o seu errado julgamento acerca das bandas.
 

Black Sabbath em sua juvetude (Não, Belchior não fez parte da banda)


 

THRASH METAL

 
Com velocidade e peso maiores do que o Heavy Metal clássico, o Thrash Metal surgiu no final dos anos 70 / início dos anos 80, mais uma vez chamando a atenção de jovens que procuravam uma música mais agressiva para escutar e fazer os famosos “moshpits”. Podemos destacar como maiores bandas Metallica, Megadeth (que agora conta com o brasileiro Kiko Loureiro na guitarra), Anthrax e Slayer, apesar das duas primeiras terem migrado para outros estilos no decorrer da carreira. Estas quatro bandas compõem o Big 4, que seria a união das mais influentes bandas que moldaram o gênero. Inclusive, há um festival em que estas se reunem perante uma gigante platéia, mostrando a força do gênero que arrasta multidões. Também devo mencionar o “Big 4 Alemão”, composto por Kreator, Tankard, Sodom e Destruction, este ainda mais pesado que o americano, além de ter “saturado” menos ao longo dos anos que se passaram.
 

O “Big 4” americano


 

POWER METAL

 
Geralmente com grande influência da música clássica e inspiração em histórias épicas, o Power Metal mistura o som rápido de pedal duplo a letras que narram a história de um herói em uma terra antiga, desbravando dragões e outras criaturas mágicas, em sua maioria com um refrão potente que gruda como chiclete na cabeça dos headbangers. Com grande parte do público focado na Europa, América do Sul e até no Japão, podemos classificar o Power como o subgênero mais nerd do metal. Em grande maioria, seus ouvintes são fãs de contos como “O Senhor dos Anéis” ou jogadores de RPG que acreditam viver de verdade na Terra Média. Com uma divisão entre melodia e peso, acredito ser o estilo que possui os músicos mais técnicos e competentes do metal. Não há um guitarrista ou baterista “mediano”, todos estão acima da média para a música poder fluir minimamente bem, gerando belas viradas de bateria e solos de guitarra que parecem durar uma eternidade. Podemos citar dentre as mais conhecidas Angra (olha o Brasil representando!), Dragonforce, Rhapsody of Fire e Helloween.
 

O vocalista da banda italiana Rhapsody of Fire, Fabio Lione (centro), atualmente também assume o vocal do Angra


 

BLACK METAL

 
Chegou a hora de falar do bléqui metau satânicu fr0m h3ll, o controverso Black Metal. Com guitarras ainda mais distorcidas e pesadas e bateria cada vez mais rápida, usufruindo de muito blast beat, o subgênero tem como uma de suas principais características o vocal rasgado e sombrio. A qualidade da gravação muitas vezes contestável traz consigo músicas recheadas de letras sombrias, pregando mensagens satânicas ou com menções a cultura nórdica pagã, variando de banda para banda. Com shows teatrais e muito corpse paint, os integrantes parecem ter saído de um filme de terror ou de um show do Kiss. O gênero em si ganhou ainda mais fama pelos casos externos que o envolveram, como a queima de igrejas como forma de protesto que rondou a Europa nos anos 80, com os integrantes dos movimentos explicando suas ações como uma reação aos atos da igreja de querer “enfiar goela abaixo” a sua crença nos europeus que antes pregavam o paganismo. Também podemos mencionar o assassinato de Euronymous, ex-guitarrista do Mayhem, por Varg Vikernes (que tem se tornado com cada vez mais frequência alvo de polêmicas e meme nas redes sociais), único integrante do Burzum, ambas bandas de Black Metal. Destaque também para Darkthrone e Venom, considerado um dos precursores do estilo.
 

Varg Vikernes, único integrante do Burzum mostrando que não precisa de ninguém pra nada


 

WHITE METAL

 

Também chamado de “metal cristão”, este subgênero é fácil de ser reconhecido: se tem letras cristãs, são White Metal. Com bastante variedade instrumental por ser uma nomenclatura dada às letras e não às melodias, o estilo é geralmente bastante criticado pelos headbangers, pois os mesmo acreditam que o metal não pode ser considerado um estilo que possa passar uma mensagem cristã. Não há bandas muito famosas deste estilo, mas podemos mencionar a Resurrection Band ou até mesmo o Stryper, que popularizou o gênero nos anos 80.
 

Resurrection

 

GLAM METAL

 
Não é metal.
 

DEATH METAL

 
Surgido primeiramente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o Death Metal, que tem raízes no Thrash Metal, é uma das vertentes mais pesadas do metal e provavelmente a mais amada pelos headbangers mais conservadores. Com um vocal gutural e guitarras sempre distorcidas acompanhadas de blast beats na bateria, ele pode soar, como sua avó diria, apenas como “um monte de barulho sem sentido” para os ouvidos (de porcelana) dos novatos que nunca tiveram contato com a música pesada. Há subgêneros que derivam do Death Metal, tendo como um dos mais conhecidos o Viking Metal, estilo da banda sueca Amon Amarth, por exemplo. Podemos também destacar como representantes do gênero a banda Death (coincidência, não?) e a brasileira Krisiun.
 

O nome brasileiro de mais peso no Death Metal: Krisiun


 

NEW METAL (OU NU METAL)

 
O Nu Metal é o gênero em que os caras tocam pelados em que o metal se mescla com outros estilos musicais, em sua maioria o rap. Também criticado pelos ouvintes mais conservadores, o estilo surgido nos anos 90 vem ganhando cada vez mais peso no cenário musical, tendo como maiores nomes Slipknot, Korn, Limp Bizkit, Linkin Park e Rage Against the Machine. O gênero também vem sendo carregado pela maioria das músicas da banda brasileira Sepultura desde o álbum Chaos A.D., quando Max e Igor Cavalera ainda estavam na banda. O quarteto brasileiro misturou as guitarras pesadas também ao samba (como na música “Breed Apart”, por exemplo), reforçando o nacionalismo da banda, que punha sempre uma bandeira do Brasil no palco durante os shows.
 

Corey Taylor, vocalista do Slipknot e Brian “Head”, guitarrista do Korn, respectivamente


 
Devo frisar que nem todos os subgêneros foram mencionados, apenas aqueles que tiveram mais destaque pus neste lista. Como pudemos ver, o metal é um estilo musical muito mais variado do que muitos pensam e, se pararmos para conhecê-lo melhor, veremos o leque de variedades que o gênero oferece e o porquê dele agradar os ouvidos de tanta gente.

João Pedro Oliveira
Estudante de Comunicação Visual Design na UFRJ e músico apaixonado por Heavy Metal. Atua combatendo o crime nas horas vagas, sendo conhecido como "Homem-Aranha", mas shhh, é segredo, tá?

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Sobre White Metal, destacaria o P.O.D como banda mais recente e adepta de letras cristãs. O Avenges Sevenfold não é geralmente considerado white metal, mas possui também algumas letras cristãs. No Brasil o gênero é forte, destacaria a católica Iahweh (que compartilha o baterista Eloy Casagrande com o Sepultura) e a evangélica Oficina G3 (a partir do CD Depois da Guerra).

    Agora, me surpreendi em ver o Sepultura como Nu Metal. Uma ou outra música misturando elementos não seria suficiente para tal, até pela idade da banda e fase em que se destacou inicialmente – estilos são meio que movimentos culturais também e a época conta. Enfim, parabéns pelo texto, elucidativo principalmente quando falou de death e black metal.

    • Thiago Amaral

      Sobre o POD, realmente, eles são grandes representantes do White Metal. Ótima lembrança. Não considero A7x como White de forma alguma, no entanto, não saberia classificá-los. Oficina G3 assumiram o posto de metal, de fato, no álbum Depois da Guerra, mas antes disso, já tinham muitas canções que caberiam na categoria. E sobre o Sepultura, é complicado classificá-los também. Eles começaram como thrash, inclusive muito mais thrash do que Metallica e Megadeth, estando pra mim, pelo menos no mesmo nível de Slayer (pra mim é MUITO melhor, na verdade). Mas mudaram. E desde Chaos AD e Roots, já não são mais apenas thrash. Parece que cada canção tem um estilo diferente, misturado. E se é misturado, pela definição do João Pedro, é Nu Metal