Apaixonar-se consciente: Se apegue, mas não se iluda!

Apaixonar-se consciente: Se apegue, mas não se iluda!

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Vivemos na era do desapego. Homens, mulheres e até empresas adotaram essa filosofia, e a praticam e pregam todos os dias.

 

“Não se apegue! Não goste! Use e troque! Jogue fora!”

 

São gritos de guerra e libertação de uma geração inteira que não quer ou se recusa a reconhecer o valor do outro. Mas isso só quando o objeto é o outro! Quando nós somos o “mimo” em questão, a coisa muda de figura. Nos tornamos artigos de luxo, praticamente banhados a ouro com diamonds on the inside. Peças únicas e inigualáveis. Quanta hipocrisia.

 

Resultado: O mundo virou um brechó. Um enorme bazar de corações usados onde encontrar algo que sirva é muito difícil. Alguns corações são pequenos demais. Alguns estão desgastados, aos trapos. Aqueles que apresentam melhor estado ou pouco uso geralmente estão com reserva no nome de alguém (pelo menos é isso o que dizem). Outros, têm buracos visíveis a olho nu e vão precisar de alguns remendos caso você decida levá-los para casa.

 

Remendei um outro dia...

Remendei um outro dia…

 

Quem coloca o coração a venda diz que, apesar do tamanho ser pequeno e de difícil encaixe, com o tempo eles cedem. Mas há quem passe aperto até hoje. Aqueles mais desgastados e esburacados precisam de cuidados especiais. São estes que, em alguns casos e depois de muito cuidado, tornam-se relíquias de grande valor. Ah, não perca seu tempo desejando os que se dizem “reservados”. A verdade é que em muita das vezes ninguém volta para buscá-los. E, eu sei que a tentação é muita, evite esses amores à venda na internet. Não se esqueça de que as coisas sempre parecem maiores, mais bonitas e brilhantes na foto, mas podem chegar até você quebradas ou não funcionarem direito, e aí você vai ter que trocar sem devolução do frete (leia-se tempo perdido, ou a oportunidade de ter tido um amor que estava ali pertinho, mas agora alguém já levou).

 

Portanto, se você tem um coração que te serve, adquira-o! Use, abuse, se apegue. Preste atenção nas dicas de conservação e faça o possível para que esse amor dure. Se a coisa ficar estranha, customize!! Se nem assim funcionar e você achar que foi apenas uma modinha, tudo bem, pelo menos você aproveitou até enjoar. E na próxima, esse amor que você desapegou não vai apresentar rombos com o seu nome. E, olhando pelo outro lado, quando você tiver que ser a escolhida, vão saber que é uma peça de valor.

 

Terminando bem ou mal, o vale são os bons momentos.

Terminando bem ou mal, o que vale são os bons momentos.

 

(Vejam bem, entendo que depois desta leitura você possa se questionar quanto a minha posição de Desiludida Master, afinal, sempre digo coisas que te fazem pensar e repensar antes de entrar em um relacionamento, mas a verdade é que eu nunca preguei o desapego. Como poderia fazê-lo? Eu mesma vivo me apegando… Mas a questão aqui é se apegar, mas não se iludir. Se apaixone consciente da merda que você está fazendo! As pessoas possuem defeitos e experiências que bem ou mal, definem quem elas são e a bagagem que carregam. Saiba perceber isso e diagnosticar se você vai conseguir aturar tais defeitos, manias, traumas. Boa sorte.)

Jéssica Mendes
Carioca da Barra da Tijuca, 25 anos, dentista especializada em prótese. Porém, como o mercado odontológico tá mais caído que dentadura velha, tento fazer as pessoas rirem de outra forma... Por incrível que pareça, acredito no amor. Para maiores desilusões, acessem: Desiludindo S/A.

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  • A. :)

    Texto maravilhoso, assim como todos os outros.. Mas esse texto, sem palavras. Só posso dizer obrigada!!

    • Jéssica Mendes

      Fico feliz em ler isso. Obrigada “A”! ;)

  • Clara

    Olá jessica,nunca tinha visto sua coluna,Parabéns. Tudo o que você escreveu parece que foi pra mim. Terminei um relacionamento de 1 ano e 7 meses.Tenho 28 anos e ele 43.Nos damos muito bem e temos uma química incrível. Ele mora a 300km de distância e tem uma empresa de receptivo de viagem,no início do namoro ele fazia qualquer coisa pra me ver e com o tempo foi diminuindo. Comecei a cobrar a presença dele e ele me dizia que estava muito envolvido com o trabalho porque é alta estação. No início ele fazia planos e depois parou,como se não quisesse se comprometer.Enfim,tivemos uma conversa e eu disse que queria uma pessoa que um dia ainda quisesse casar comigo e ter filhos(ele tem uma filha de 11 anos de um casamento de 6 anos e é separado a 8 anos/eu tenho uma filha de 4 anos de um casamento de 8 anos). Então,ele disse que se me falasse que tinha planos,estava mentindo,porque não tem planos nem pra ele.Terminou pq disse que estava me atrapalhando que eu era ótima,inteligente,blá,blá,que o problema era ele,que era muito focado no trabalho e que eu não entendia.Ontem fez uma semana que terminamos e ele veio até aqui,saímos e transamos,claro! Ele disse que tava com saudade e que nunca aconteceu de ele voltar atrás em uma decisão,que gostava muito de mim e que o que aconteceu entre nós nunca aconteceu com ninguém. Disse que não sabia o que seria de nós,que talvez o tempo se encarregasse disso.Que sentia muito minha falta e deixou bem claro que não tem ninguém e que não tinha vindo aqui pra me levar pra cama,porque sendo assim,ele levaria qualquer uma. Disse que quando eu estiver com alguém,ele não quer saber e que não podia me desejar felicidade.Ele age como se gostasse muito de mim,mas tivesse medo do que está sentindo. Ele vive a vida dele e eu a minha. Não pego no pé dele. Estou muito confusa,não consigo ver maldade nas atitudes dele e até acho que fiz algo de errado pra ele tomar essa decisão. Se você puder,gostaria de saber sua opinião sobre isso.

  • Lízie

    texto óteeeemo e a sua bio é melhor ainda! hahah

  • Marciel Gomes

    Maravilha de texto Jéssica, parabens !!!

  • Adriely

    Maravilhoso Texto! meus parabéns!