Antes de ser uma jornalista eu fui… (Parte IV)

Antes de ser uma jornalista eu fui… (Parte IV)

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Depois de sair da lojinha colorida que foi à falência e sofrer com a pressão na loja de sapatos, ambas no mesmo shopping de Goiânia, o jeito foi começar tudo de novo…


Em menos de um mês uma pessoa da minha família contou que uma amiga ia abrir uma loja de roupas para crianças em uma galeria. Essa amiga entraria com a grana e sua sócia iria administrar o comércio. As roupas, em sua maioria, viriam do exterior, o que seria o diferencial do estabelecimento.


Eu e minha futura colega de trabalho começamos a trabalhar pouco mais de uma semana antes da loja abrir, ainda na casa da chefe. Tínhamos que tirar as roupas das malas, fazer preços, listagem, etiquetamento e tudo mais que o figurino pedia.


A loja era linda, toda colorida, com fotos e detalhes infantis. Coisa sofisticada. A chefe, a princípio, era um doce… Eu, como sempre, vesti a camisa e tratava tudo com muito carinho. Trabalhava da 13h ás 19h ou 20h, dependendo do movimento. Os primeiros dias foram de muito trabalho.


Vocês sabem como é, lojas infantis são sempre uma lindeza.

Vocês sabem como é, lojas infantis são sempre uma lindeza.


Mas uma novidade me incomodava. Ao contrário dos outros trabalhos onde, no máximo, tinha que varrer e passar um pano de vez em quando, neste a limpeza ficava totalmente por minha conta e da minha nova colega. Com o passar dos dias, outra coisa me incomodou. A chefe deixava a filha de dois anos na loja enquanto ia resolver algum problema, não era sempre, mas era difícil. Na maior parte do tempo eu ficava sozinha e minha colega também, por isso, quando ela saía tínhamos que dar conta do atendimento e da neném. Ela era linda, engraçadinha, uma fofa, o que facilitava os cuidados. Mesmo assim, a responsabilidade era grande.


Paradoxo


Conforme o dia ia passando, a chefe ficava mais complicada. Começou dizendo uma coisa para mim e outra coisa para a outra vendedora. Virava uma confusão e nunca sabíamos ao certo o que tinhamos que fazer e como agir. Isso, claro, gerou uma insatisfação muito grande e fez com que nos desentendêssemos, pois uma ou outra passava por “mentirosa”.


E o negócio dela era vender, nem que para isso nos segurasse na loja horas além de nosso horário. Pagamento de hora extra? Necas! As mercadorias de fora chegavam e iam para o estoque. A desesperada nem se quer esperava as coisas serem etiquetadas e nos pedia para trazer para as clientes. Nem ela sabia ao certo o valor e quando a pessoa perguntava ela jogava um preço lá no alto.


Era educada, mas na frente dos clientes ficava excessivamente melosa e soava falsidade. Sabíamos que ela não era aquela gentileza toda. Mas ela queria vender…


Talvez ajudasse!

Talvez ajudasse!


Com o tempo essas manias se agravaram e isso ia irritando muito. O salário, que era fixo, foi modificado: se a comissão das vendas fosse maior que o valor fixo, receberíamos só a comissão. Tudo bem… Um benefício.


O Estopim


Quanto às vendas, tínhamos tudo bem explicado. Um dia, uma mulher entrou junto com sua amiga e escolheu quase R$ 1,5 mil em mercadorias. Pediu para deixar separado que ela voltaria mais tarde para buscar. Anotei seu nome e telefone. Quando a chefe chegou e viu as roupas separadas, ficou louca. Queria que queria que a mulher voltasse para comprar. Me pediu para ligar e eu liguei, mas ela não atendeu. A chefe pediu que eu insistisse e ainda falasse que tinha outra pessoa querendo, caso ela não fosse voltar, que me liberasse para vender o que foi separado.


Tentei mais umas duas vezes e lá pela terceira consegui. Ela me garantiu que voltaria. E voltou.


Deu um cheque. Chequei, nada constava, documentos ok e, adivinha? O cheque voltou… Fiquei muito tempo tentando receber, mas fomos vítimas de um golpe, nós e várias outras lojas da capital. Não recebemos.


Depois de uns sete meses resolvi que ia sair. Ela quis que eu pagasse pelo valor do cheque que voltou. Claro que não aceitei! Isso nos rendeu um processo na Justiça. Com o tempo, descobri várias “maracutaias” e pessoas que antes eram próximas e se afastaram por causa dessas coisas erradas. Em uma das audiências ela levou uma funcionária da loja para depor em favor dela. No dia, a mulher falou ao juiz que trabalhava lá há três meses, porém descobri depois que no dia da audiência tinha apenas uma semana que a jovem trabalhava lá. Sacanagem hein.


Essa, com toda certeza, não foi a chefe mais foda de todas, mas a situação foi uma das piores. Aprendi muita coisa.


No próximo capítulo…


Encontro um trabalho muito providencial e que me fez suar muito. As coisas iam começar a melhorar!

Humberta Carvalho
Humberta Carvalho é jornalista, assessora de comunicação do IPOG, cursa MBA Executivo em Mídias Digitais.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Caramba Humberta, não deu sorte com seus chefes hein… Essa aí eu achei até pior que a Cruella, além de te cobrar por uma falcatrua alheia, era totalmente antiprofissional deixando a filha para vocês cuidarem. O que aconteceu no final, você ganhou o processo?

    • http://www.facebook.com/people/Humberta-Carvalho/100001720647028 Humberta Carvalho

      Nem ganhei, nem perdi. O juiz arrumou um jeito que ninguém teve muitos prejuízos… kkk