Antes de ser uma jornalista eu fui… (Parte I)

Antes de ser uma jornalista eu fui… (Parte I)

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Hora de estrear. Você pode me conhecer um pouco a cada conversa, a cada foto, a cada texto, mas se eu te falar quem sou, não será a mesma coisa. Quando digo quem eu sou, um minuto depois mudo de ideia e já não sou mais como era há um minuto. E não me venha com essa história de ter opinião formada. Opinião se forma ao longo da vida. Aposto como em algum momento de sua vida você não gostou de cebola, não gostou de ir à missa, nem de que seus pais te chamassem a atenção porque você saiu e não deu notícias. Tudo muda… Um dia você pode aprender a gostar de cebola, de ir à missa e, quando tiver filhos, certamente vai gostar de saber onde eles estão.


Sou fruto de uma boa foda, tenho 23 anos e me chamo Humberta Lúcia Carvalho Carmo – mas não gosto do Lúcia (engraçado não gostar do Lúcia com o nome de Humberta, não é?). Sou jornalista por escolha e por vocação. Nascida em Goiânia, Goiás, não tenho o pé rachado (contradizendo o que a maioria dos goianos insistem em dizer: “Sou goiano do pé rachado!”). Como pequi. Falo porrrta, porrrteira e porrrtão e tento me corrigir. Aliás, tudo que você leu até agora pode não ter te chamado a atenção, mas tenho certeza de que, quando relatei que sou de Goiás e acometida de regionalismo, muitos fizeram alusão à palavras como caipira, da roça, do fim do mundo, jeca, enfim…


Quer saber? Se fosse eu também faria o mesmo. Mas o fato é que em Goiás existem, assim como em todos os lugares desse país, gente com mais ou menos estudo, oportunidade ou dinheiro. E, ainda, gente com mais ou menos coisas boas na cabeça e no coração. Por isso, não seja preconceituoso.


Pensando sobre quais assuntos eu abordaria ao iniciar minha participação na Revista Feedback, optei por algo muito particular. Pretendo contar a vocês, com riqueza de detalhes, como cheguei onde estou hoje: repórter de um dos maiores sites do Brasil. Vocês vão saber de coisas que só Deus não duvida. Chefes loucos, bipolares, malandros, ignorantes ou com requintes de crueldade. Horários malucos, locais estranhos, serviço demais, serviço de menos. Contradições, renúncias, lágrimas, decisões, atitudes… Enfim, vou contar a vocês tudo que passei, enfrentei, aguentei, engoli, chorei e briguei até alcançar meu sonho e me tornar o que sempre quis ser. Hoje, com muito orgulho, digo que sou uma jornalista. Afinal, quem nunca passou por situações inusitadas para chegar a algum lugar e quem nunca enfrentou um chefe louco? Que atire a primeira pedra!


Fruto de uma boa foda – como já relatado – cresci a trancos e barrancos, com uma sacolinha sempre a tira colo onde encontrava-se uma muda de roupa e um par de calçados. Mãe de cá, pai de lá. Sempre morei com a família da minha mãe, mas não necessariamente com ela. Morei com minha avó, com minha tia e, em algum desses intervalos, com minha mãe. A vontade de ser jornalista se manifestou cedo, durante a sétima série do ensino fundamental, período em que eu morava com minha tia materna. Por influência dessa tia, meu caderno de redação era o mais bonito e organizado da classe. Eu gostava da professora porque ela nos pedia para redigir textos opinativos sobre assuntos atuais. Então, eu me sentia importante ao saber que alguém lia o que eu escrevia sobre assuntos que eu acreditava estar opinando para mudar o mundo – qualquer semelhança com o mundo jornalístico, até então, era mera coincidência.


Naquele ano, 2002, Tim Lopes morreu. Era o que faltava para a tão certeira decisão: quero ser jornalista! Saber que um homem morreu por denunciar narcotraficantes e um pesado esquema de tráfico de drogas me fascinou. Como alguém poderia morrer por isso? Eu não entendia, mas nascia ali um sentimento de querer denunciar e não precisar morrer por causa disso. Um sentimento de querer peitar peixe grande. Falar o que devia, para quem não podia. Contar. Investigar. Descobrir. Entregar. Resolver. Que emoção! Eu mal podia esperar…


Nunca mudei de ideia. Oitava série, 1º, 2º e 3º anos do ensino médio e vestibular. Prestei para o que tanto queria. Primeira fase da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pronto. Fiquei para trás na 2ª fase. O jeito era encarar a faculdade particular. Mas eu não trabalhava… E agora José? Agora? Agora era com o José, meu pai. A primeira decisão tomada sem nenhum tipo de contratempo foi de que eu arrumaria um trabalho. Aliás, no terceiro ano eu já queria ter feito isso, mas José não achou uma ideia muito bacana. Me convenceu a continuar só estudando. Mas agora não tinha desculpas. Além de não ter mais que prestar vestibular, eu ainda tinha que ajudar a bancar a faculdade. Assim, ficou combinado entre nós que metade da mensalidade era por minha conta e a outra metade por conta dele. Então, só me faltava o emprego.


O que vem por aí…


Na próxima publicação vou contar como e onde consegui meu primeiro emprego e como foi conciliar faculdade e trabalho após tantos anos vivendo apenas para estudar. Contarei a vocês a minha primeira decepção com o mercado de trabalho, a primeira vez que chorei e quando decidi em que tipo de ambiente e com que tipo de pessoas eu gostaria de trabalhar. É, a garotinha vai começar a crescer…

Humberta Carvalho
Humberta Carvalho é jornalista, assessora de comunicação do IPOG, cursa MBA Executivo em Mídias Digitais.

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  • http://www.andersonbarboza.com Anderson Barboza

    Parabéns Humberta pelo texto,muito bom.
    Estou ansioso pelo próximo capitulo rs

    Seja bem-vinda.

  • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

    Obrigada! Os próximos capítulos trazem histórias de rir e chorar! Um abraço!

  • Karla Cristina

    Uhuuuul adorei goiana comedora de pequi! Tamos juntas.. Conta logo o próximo capítulo!!!!

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Valeu Karlinha! Logo, logo vem o próximo! Beijos!

  • Fernando Henriques

    Fiquei até curioso pra comer esse tal pequi. É gostoso mesmo ou é onda de goiano?

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Cara, o tal do pequi é bom demais! Tem um gosto digamos peculiar! rsss! Mas quando tiver a oportunidade de experimentar, aproveite! Aqui é asssim: ou amam ou odeiam!

      • Fernando Henriques

        Vou experimentar quando encontrar um, daí te conto se amei ou odiei.

        • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

          Isso mesmo! Só uma dica: NUNCA morda caroço!!!!!!!!!

          • Fernando Henriques

            Anotado!

    • Valentina Xavier

      Garanto que é onda de goiano. Sou goiana e não curto essa fruta do cerrado. Peculiaridade: Vc come na segunda-feira e continuará lembrando dela na sexta-feira….rsrs. Mas o pior é o cheiro, então vá com calma.

  • Izadora Louise

    Gatona, adorei o texto, torço por vc e estou ansiosa pelo segundo capítulo! Beijos!

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Obrigada Iza!!! É uma história e tanto viu!!! Beijos!

  • Ferreira K.P.

    Sensacional teu artigo. Estou esperando o segundo capítulo. Parabéns por toda tua dedicação e luta.

    • Humberta

      Pô! Obrigada! Mas vocês ainda não viram nada… a história está só começando…. rsss

  • Aline de Castro

    Que orgulho! E que felicidade em te ver realizada dessa forma… O céu é o limite hein… ( ou não! rs). Texto mto agradável as always.

    Beijooos, minha jornalista preferida!

    • Humberta

      Obrigada BFF! O céu não é o limete…. rss

  • http://www.vulgoph.wordpress.com Pedro Henrique Franco

    Dizer que o texto é muito bom, seria clichê. Gostei mais do jeito de escrever, da atitude. Além disso, fico curioso pra saber sua história, pois sinto uma trama interessante e inspiradora nos próximos capítulos. No aguardo.

    • Humberta

      Coisa boa! Muito obrigada! Que bom que vocês estão gostando!!! Logo virá o próximo! Abraços Pedro!

  • patricia liberato (patylene)

    Parabéns , linda !!!! vou estar sempre por aqui acompanhando seu sucesso . beijosssssssssssss

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Obrigada Paty!!!! Muitos beijos!!!

  • Vitor França

    Que delicia essa menina hein! Muito bom mesmo.
    Parabéns!

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Opa! Muito obrigada!

  • Valentina Xavier

    Bom texto! Sou goiana e não tenho os pés rachados também. Mas quanto ao pequi… não tenho o mesmo gosto. Dizem por terras goianas que quem não come pequi bom goiano não é. É muito regionalismo para minha humilde cabeça. Não gosto e pronto. Aprendi viajando por ai a retirar os sonoros “errrrres” do meu sotaque. Um abraço!

    • http://humbertacarvalho.blogspot.com/ Humberta Carvalho

      Que legal! Você é de Goiânia?
      Gosto muito do pequi, mas concordo que lembrar dele por uns dois dias seguidos não é muito agradável! rssss. Abraços e obrigada!