And so this is war

And so this is war

1

Sexta-feira treze com especial de horror na televisão, só que desta vez, real.

 

Mas o horror não acontece somente na França, como visto e já debatido durante todo o final de semana passado nos meios jornalísticos. É noticiado também que, na Síria, o EI ou ISIS já matou mais de 240 mil pessoas.

 

Na França foram algumas centenas.

 

Não diminuindo o sofrimento pela quantidade, mas, com todo respeito aos franceses, o mundo sofre à escuridão da grande mídia.

 

Hillary Clinton declarou esta semana que os EUA erraram ao botar armas nas mãos de rebeldes para tirar o presidente sírio Bashar Al-Assad do poder, pois acabaram por financiar o atual EI.

 

Na Conferência do G-20 este mês, Vladimir Putin também declarou que mais de 40 países também financiaram o atual EI, incluindo países do G-20.

 

A própria França participou também da liberação de armamentos na região. A declaração foi feita recentemente pelo presidente François Hollande, também com o objetivo de proteger a oposição contra Assad e os jihadistas do EI.

 

O tiro saiu pela culatra. E agora estes países têm a necessidade de se proteger do monstro que eles mesmos criaram.

 

Meses após sofrer com o episódio Charlie Hebdo. | Crédito: reuters

Meses após sofrer com o episódio Charlie Hebdo, a ferida ainda está aberta. | Crédito: reuters

 

O mundo está rodando e as notícias estão correndo mais rápidas ainda. Todos os dias e a todo momento a guerra atual, declarada segunda-feira passada pela França e, inclusive, pela reticente Rússia, após a confirmação de mão do EI na queda de seu avião sobre a Síria em Outubro, tem dominado todos os meios de comunicação.

 

A guerra já está sendo Europeia e Islâmica, envolvendo parte do Oriente Médio e Rússia, metade europeia e metade asiática. Se envolver os EUA, seria uma Terceira Guerra Mundial?

 

Aliás, esta guerra seria islâmica de fato? Muçulmanos deram seus relatos sobre o que houve na França e disseram que o Alcorão não diz nada sobre matar pela religião, o que os coloca na posição, como refugiados, de declararem que esta guerra pode ser tudo menos religiosa e que estes soldados islâmicos não seguem os ensinos islâmicos ao cometerem estes crimes.

 

O mundo pede para que as autoridades separem o que são terroristas do que são refugiados, para que pessoas inocentes não sejam mal vistas pelos países em que foram aceitas, mas fica complicado se não conhecermos os refugiados com nossos próprios olhos, já que entre estes existem vários terroristas infiltrados, assim como aconteceu na França, onde os matadores entraram pela Grécia ou Bélgica.

 

E então, lê-se a notícia de que a França está em guerra, reticências e seguido de: Com a Alemanha. Título chamativo para uma notícia e logo entende-se porquê. Por quê seria? Justamente porque a Alemanha manteve suas portas abertas para imigrantes refugiados da guerra síria, enquanto o país é fronteiriço da França, que sofreu o maior ataque terrorista desde o 11 de setembro de 2001.

 

A crise está dominando a Europa. França pede orçamento para a guerra, enquanto a União já sofre com a crise orçamentária desde o ano passado.

 

O espaço Schengen de livre circulação de pessoas está ameaçado e o medo paira no ar.

 

Agora vamos para o lado oposto da guerra. Que Estado se formou sem fazer guerra? As matanças nas guerras europeias só mataram militares? Será? O que diferencia o EI dos fornos alemães para os judeus? Se estes do EI querem formar seu Estado e, preferencialmente, sem os dedos ocidentais das potências ditas democráticas, é normal fazerem a guerra. Este povo está sendo há muito subjugado por EUA e França, por exemplo. Em 1948 foi criado o Estado de Israel, uma imposição Ocidental no território árabe. É claro que não irei me meter a defendê-los, porém, temos que olhar o mundo com outros olhos.

 

Esta semana li um texto interessante em espanhol chamado “Los Nacirema”, que retratava um povo supostamente muito diferente de nós. Ao terminar de ler o texto, senti que estava se tratando de um povo muito abominável e primitivo. Ao final, a dica: ler o nome Nacirema ao contrário. Dá Americans e isso mostra como nossa sociedade seria retratada pela visão de fora, de uma cultura ou comunidade diferente da nossa. A moral da história é que uma pessoa de outra cultura, naturalmente nos veria como loucos, assim como os vemos como loucos os membros do EI. Podem até ser mesmo, pois bom não é matar alguém, porém, temos que entender que esta foi uma realidade a que estas pessoas foram submetidas. Afinal, ninguém se explodiria sem acreditar que fosse por uma boa causa. E mesmo não sendo a melhor ideia matar o outro, como a Humanidade chegou aonde está hoje em dia? Fazendo guerras.

 

Suposta foto de membro do EI com tatuagem das forças armadas americanas. | Crédito: truthernews

Suposta foto de membro do EI com tatuagem das forças armadas americanas. | Crédito: truthernews.

 

Guerras e mais guerras. E todas mutilam, matam, causam perdas e sofrimentos.

 

Com o terrorismo não há diálogo. E isso é sabido há muito tempo. Então, por quê subestimaram revoltosos árabes depois de 2001?

 

Agora a consequência está aí e o mundo assistirá cada vez mais a notícias como estas desde o penúltimo fim de semana.
Há que se refletir melhor sobre o que está acontecendo no mundo e repensar a forma como estas notícias estão circulando. Na verdade, ninguém é santo.

 

Se o mundo caminhará para a paz um dia? Nem Deus sabe.

Domie Lennon
Pesquisadora em ciências políticas e econômicas, leva a UFRJ no coração e papel e caneta nas mãos. Escritora aqui na Feedback Magazine e na Obvious Magazine. Gosta de rock, cinema, é flamenguista, petropolitana, perdida e sem foco, adora escrever e não tem dúvidas de que a música e o conhecimento nunca serão demais. Estuda todos os idiomas que estão a seu alcance e não resiste a parar para ouvir franceses conversando na rua. C`est tout!

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.
 
  • Rodrigo Cotton

    Quanta bosta.