Amor ou não amor, eis a questão

Amor ou não amor, eis a questão

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Não é possível caracterizar ou determinar coisas que são eternas. Sobretudo porque nós, os observadores somos mutáveis, e sendo mutáveis percebemos de forma transitória aquilo que acreditamos ser fixo no tempo.

 

Resumindo: o amor humano não existe tal como algo fixo, pois sendo eterno o amor e nós mutáveis, o amor nunca permanece em nós sem aquele estado alterado, onde hoje temos um sentimento e amanhã outro. Somos influenciados pelo meio e pelo organismo, pela mente e pelo ser e isso nos dá uma noção confusa do que seja amor, preferindo resumi-lo como algo que sentimos e pensamos em um dado momento. Essa é nossa forma desesperada de afirmar que o amor existe em nós.

 

Como eu disse outras vezes: o amor é uma ação. Algo exterior que nos invade quando vibramos em conformidade com sua energia. Por isso Deus é amor, porque o amor é eterno não pode ser abarcado pela mente humana.

 

Assim, só pode amar, aquele que age para além de si mesmo. E o sentimentos?
Bem, eles vêm e vão e não podem explicar nada, porque são respostas há estímulos ao nosso ego.

 

Certamente que são fragmentos-lixo de nossa percepção.

 

Relacionamentos sadios são aqueles que vivemos em quietude. Aventuras até podem lhe dar emoções, mas serão elas que determinarão seu grau de interesse. Na falta de picos de êxtase você sentirá que tudo perdeu o sentido. Amor não se vive como numa montanha russa emocional. Quem não tem paz e não ama a simplicidade da paz é um lunático que adoece todas as suas relações.

 

Se amar não é se adorar. Se amar é evitar agir mal com os outros, de maneira que este mal não retorne para si. Quem se adora está a precisar de um terapeuta.

 

O amor é uma ação.


 

O relacionamento dará certo apenas para aqueles que, se opondo ao modernismo ao mesmo tempo viverão um namoro eterno, sem que a individualidade se dissolva entre contas de luz, patrimônios e contratos. A vida é passageira e só o que durar nesta passagem também como uma aventura bem vivida, encerrará a vida como bem experimentada.

 

A pompa do patrimonialismo e da imposição do matrimônio minou a naturalidade e o fluxo da simbologia vívida do amor.

 

Sim a pompa que simula a vida dos reis e rainhas encerrou os homens e mulheres em uma utopia grave, e é essa a razão, segundo minhas pesquisas e vivencias, responsável pelo número cada vez maior de separações.

 

O outro é apenas um baú, uma lâmpada de pedidos.

 

A repressão sexual no passado foi tão pesada que as porteiras da depravação não deixará ser possível qualquer simulação de casamento esotérico. Mesmo o matrimônio medieval se baseava e chicotes, cadeados, flagelações, medo, doenças psicossomáticas (neuroses redescobertas pela psicanálise) e superstição.

 

O moralismo e o liberalismo, ambos extremos da ilusão, removeu a capacidade de perceber o natural, o permanente, o fixo; que não precisa de sentidos externos.

 

O sentido de tudo é interior. Quem dá sentido exterior ao sagrado é apenas um matador de almas através da letra. A letra da lei.

Aijalom Wagner
Nascido em Santos, 35 anos. Psicanalista clínico, coordenador do projeto DOE ( Despertar, Orientação e Esperança). Pensador e mentor espiritual. Escreve há 20 anos sobre temas relacionados ao comportamento humano, filosofia, teologia, metafísica, política e sociedade.

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