Ainda sobre a minha Redação pro ENEM

Ainda sobre a minha Redação pro ENEM

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Caso estivesse vivo, Antonio Gramsci estaria soltando fogos e estourando uma champanhe diante do sucesso de sua Revolução em terras tupiniquins. Acredito que nem ele ousaria pensar que a hegemonia proposta nos seus “Cadernos do Cárcere” atingiria o nível que atingiu no Brasil.
 
A hegemonia esquerdista na área cultural remonta ao tempo do ‘cruel’ Regime Militar, que era tão truculento, tão truculento, que não se importava com a Liberdade de Expressão, deixando os esquerdistas – derrotados na luta armada – à vontade nas linhas editoriais e redações dos grandes jornais. Isso graças a “Teoria da Panela de Pressão” do General Golbery do Couto e Silva.
 
Em virtude dessa teoria equivocada a esquerda teve facilitada a tática gramscista de ocupação de espaços. E, em poucas décadas foi se tornando hegemônica na área cultural e política. Agora impõe uma censura velada contra qualquer pensamento discordante. Algo jamais visto no país em qualquer época. Cito Olavo de Carvalho:
 

Nunca, ao longo de todo o período militar, a esquerda esteve tão amordaçada quanto a direita conservadora, especialmente religiosa, está [hoje] na grande mídia.

 
Olavo cita apenas a grande mídia, mas a direita está amordaçada em todas as áreas culturais. Há um patrulhamento esquerdista desde a grande mídia – onde não há um mínimo espaço qualquer para o pensamento conservador – a pequenos veículos de comunicação na internet – maior reduto da brava resistência direitista à estupidez que toma conta da sociedade.
 
Escrevi aqui uma redação para o ENEM isenta da censura ideológica a qual milhões de estudantes de todo o Brasil foram submetidos no domingo, dia da prova. Ali expus fatos e dados oficiais do governo para fundamentar minha opinião. Afirmei que não há “uma persistente violência contra a mulher na sociedade brasileira”, mas sim, um quadro de violência crônica na sociedade brasileira, e que por incrível que pareça a mulher faz parte dessa sociedade – as feministas não acreditam nisso –, e que por isso, também, era atingida pela violência. O óbvio, por vezes, tem que ser dito.
 
Quando a patrulha esquerdista se viu num campo fora da sua zona de conforto e tiveram que somar 2+2, ou melhor, calcular que 92 mil assassinatos é apenas 9% de um total de 1 milhão de homicídios, discordando do senso comum, instantaneamente produziu-se em sua rede neuronal a cadeia associativa: machismo-moral-catolicismo-conservadorismo-direita-fascismo-repressão-ditadura-racismo-genocídio. E saíram pedindo a minha cabeça numa bandeja de prata. Vejam abaixo:

 

Todo poder argumentativo da Esquerda.

 

Em momento algum tentaram refutar meus argumentos. Discorri por mais de 40 linhas entre argumentos e dados oficiais do governo para defender minha opinião, e o que eles fizeram? Se apegaram a um post scriptum de três linhas com clara conotação sexual, o qual tentaram distorcer para um suposto incentivo a violência contra mulher – o puritanismo da esquerda me impressiona, quando convém são mais conservadores do que os próprios conservadores. Criaram um espantalho para me atingir, num claro apelo desesperado ao argument ad hominem. Fui vencido pela censura desleal e oportunista. Ou, pela censura ignorante e obtusa, já que o problema pode estar na deficiência cognitiva dos universitários brasileiros, os quais 30% – cerca de 9 milhões – são analfabetos funcionais. Removi o post scriptum para não incorrer no mesmo caso absurdo da Furacão 2000. Mas a ideia central do texto se mantém intacta e defenderei até que me provem o contrário.
 
Depois do linchamento ideológico ao meu caráter fui tentar me defender na postagem deles, explicar por A+B o que as crianças mimadas não estavam entendendo. Fui cordialmente me expor ao debate, argumentar e contra argumentar, coisa de quem tem coragem moral e intelectual, mas simplesmente me bloquearam. Preferiram se fechar no seu clã de sadomasoquismo intelectual. Não que eu tenha ficado surpreso. Até entendo o medo que eles têm de tentar raciocinar num campo que não conhecem: longe dos seus gritos de ordem. Pensar é difícil, é um exercício de coragem, e você não consegue pensar em grupo, isso é doutrinação ideológica. Pensar é um exercício individual, um pouco mais complicado do que reproduzir os discursos prontos dos movimentos sociais. Quem dirá se expor a um debate com quem detém a verdade dos fatos.
 
O mais curioso é que por eu achar que não há um quadro de violência contra mulher, sou um machista digno de processo judicial por [sic] incitar a violência contra a mulher; e eles que enaltecem a feminista Simone de Benevour – defensora da prática da pedofilia – são os bastiões da moralidade e do progresso. Coerência nunca foi o forte da esquerda profissional, imagina dos inocentes úteis, ou melhor, idiotas úteis.

 

Mais Ayn Rand, menos Simone de Beauvoir.

 

Eles me consideram a escória da humanidade por não concordar com as bandeiras feministas e não achar que vivemos numa sociedade machista, imagina quando souberem que não acho o Brasil um país racista e nem tão pouco homofóbico.
 
E que defendo: a heteronormatividade; a Igreja; os valores judaico-cristãos; a Família Tradicional; o armamento civil; a Contrarrevolução de 1964; a pena capital para vagabundos irrecuperáveis; os direitos individuais; o livre mercado; o Estado mínimo; os EUA; Israel; Bolsonaro; Silas Malafaia, etc.
 
E sou contra: as cotas; as práticas gaysistas nas escolas; ideologia de gênero; Bolsa Família; o PT; Jean Wyllys; Freixo; o Estado Islâmico; Karl Marx e seu lixo ideológico; Fidel; todos os movimentos sociais; enfim sou contra todo o lixo intelectual produzido do lado de lá das trincheiras ideológicas.
 
Acho que eles serão generosos, escolherão um bom paredão e me fuzilarão com boas balas atiradas por bons fuzis e me enterrarão com uma boa pá debaixo de uma boa terra.
 
Se eu pudesse sugerir uma proposta de redação para o ENEM 2016 seria: “A persistente imbecilização ideológica da sociedade brasileira.”

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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