“A Veja é uma péssima fonte informação” | Bonde do Senso Comum #4

“A Veja é uma péssima fonte informação” | Bonde do Senso Comum #4

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Sempre que alguém comenta sobre algo que leu na Veja, ou mesmo compartilha algum link do portal da revista, aparece outro alguém retrucando e imputando adjetivos pejorativos a maior publicação da Abril – que por sua vez é um dos maiores grupos de comunicação do país.

 

“Veja é lixo!” “Mídia golpista!” A mais singela e menos ofensiva forma de rechaçar a revista que vejo é apenas dizer que “é uma péssima fonte de informação”. Porém, nada mais senso comum do que classificar a Veja como uma revista de péssimo conteúdo. Até porque, na maioria das vezes, o fazem sem nem parar para ler aquilo que acham “lixo”. Seja no portal, que é enorme, ou na versão impressa. O asco inconsciente que sentem pelo veículo não permite.

 

A revista tem um grande histórico como oposicionista, e já foi pioneira na denúncia de diversos escândalos que derrubaram nomes fortes da política nacional. Entre diversos partidos. Tem também histórico negativo, como as denúncias de ter usado criminosos como fonte de informação (caso do Cachoeira) e com isso ter sido manobrada politicamente pelo mesmo, bem como matérias – até de capa – um tanto quanto rasas. No seu portal bate uma bola até mais redonda, com grande time de colunistas (concorde você ou não com eles).

 

A verdade é que é um veículo que não faz o perfil do jovem padrão brasileiro, adepto do senso comum. Seria, com muito esforço, um veículo politicamente de centro-direita e tais jovens são massivamente de esquerda. Mas qualquer enquadramento ideológico que possa ser feito não pode automaticamente invalidar a qualidade do que é veiculado, inclusive de notícias. Não sem prévia análise.

 

Pois bem, me acompanhem: Durante alguns anos li o blog de dois intelectuais independentes que escreviam na internet. Rodrigo Constantino e Felipe Moura Brasil. Os considerava ótimas fontes de informação, principalmente o Felipe, pela pegada textual completamente distinta do que vejo por aí. Após muito ralar, como eu mesmo ralo aqui na Feedback, ambos foram convidados a migrar seus blogs para a Veja, ao lado de um dos blogueiros mais acessados do país.

 

Dessa forma, se a lógica de que “a Veja é uma péssima fonte de informação” fosse suprema, os dois teriam que automaticamente tornar-se péssimas fontes de informação no meu conceito. Ora, porque estão agora sendo publicados na Veja passariam a ser ruins? O veículo em si também não torna-se magnânimo porque passou a hospedar autores de alto grau no meu conceito. E poderiam ser outros citados aqui que são bons no conceito de outras pessoas, o argumento permaneceria. O julgamento se dá pelo conteúdo do que escrevem, não pelo veículo que o publica.

 

E vou adiante: Se a Veja me convidar para publicar por lá, automaticamente tenho que me auto taxar como “péssima fonte de informação”?

 

Senso comum em ação pela internet.

Senso comum em ação pela internet.

 

Se você é um dos que sente asco automático pela Veja e considera a revista um fonte ruim de informação, peço encarecidamente que, se for possível, reflita a respeito do porquê ter chegado a essa conclusão.

 

Na maioria dos casos, ainda que inconscientemente, o problema é a política. Você pode não gostar de política, no entendimento mais direto do termo, mas alguém que gosta e tem posição ajudou a incutir na sua mente que tal veículo não presta. Porquê? É sempre mais fácil atacar o emissor da mensagem que seus argumentos. Tornar-se hegemônico no imaginário popular é um outro motivo, algo que é trabalhado pelos “grandes”.

 

Mesmo que o veículo trabalhe muito bem em outras searas, gastronomia por exemplo, um viés político mais acentuado para um lado o mata. Mas acontece que nenhum veículo grande é uma coisa só, mesmo que um lado da moeda política se sobressaia mais nele, certamente tem o outro. (Bom, nem todos, mas…) A Folha é um exemplo, dos seus mais de 100 colunistas, a grande maioria que se posiciona é de esquerda e uns quase 10 são de direita, muito bons por sinal. O direitista deixará de ler a coluna do Pondé porque o restante do veículo discorda dele? Reinaldo Azevedo, popular pela Veja, tem coluna lá também. Na Veja ele é ruim e na Folha é bom?

 

Assim como diz aquele ditado, usado inclusive nas relações “amorosas” (Quem come de tudo não fica com fome!), quem lê de tudo não sente carência informativa, pelo contrário, torna-se mais preparado para analisar as informações de qualquer veículo, através de um senso crítico mais apurado.

 

Se não conversamos só com quem concorda conosco — imagina, seria uma chatice –, de igual forma também não é bom ler somente aquele veículo que tem visão mais parecida com a nossa. Seria como “andar em círculo” infinitamente.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Bitter Araújo Gonçalves Cruz

    Excelente artigo. A falta de senso crítico da maioria é que faz com que se sinta compelida a evitar veículos “difamados” pela hegemonia de esquerda.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Exato. Não confiam no próprio tino para saber se um artigo/matéria é bom ou ruim, verídico ou não.