A luta continua

A luta continua

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Domingo, 26 de outubro de 2014, sinto-me ansioso. À noite avança, o relógio se aproxima das 20h00min. O clima de tensão aumenta nas redes sociais. Os resultados para governadores já se desenham e alguns estados já conhecem seu governador pelo próximos 4 anos, mas falta o resultado para Presidente.

 

A eleição mais disputada da história democrática brasileira estava perto de um desfecho. Uma eleição singular, que dividiu o país e trouxe o debate político, de forma inédita, para as rodas de bate-papos, para os debates formais e para as redes sociais. Os jovens estavam interessados!

 

E eu estava ali no meio disso tudo, com a minha militância e meu sentimento de mudança, os olhos atentos na televisão e o coração acelerado.

 

Horário de Brasília: 20h00min.

 

Parcial:

  • Dilma 50,99%;
  • Aécio 49,01%.

 

No primeiro momento fiquei atônito, não acreditava no que meus olhos estavam vendo. Após o primeiro susto busquei informação na tela do televisor:

 
– Quantas urnas faltavam para serem apuradas?
– Qual a diferença de votos?
– Quantos votos ainda faltavam para serem apurados?
– E, o mais importante, onde faltava apurar?

 

Uma a uma minhas perguntas foram sendo respondidas:

 

– Faltavam 5% de urnas a serem apuradas.
– A diferença de votos era de 2 milhões.
– Faltavam 5 milhões de votos a serem apurados.
– A maior parte das urnas era do Nordeste.

 

Nesse momento entreguei os pontos. Estava desenhando mais uma vitória do grupo político mais perverso da História deste país.

 

Este foi o meu relato sobre a apuração dos votos, mas tenho certeza que muitos, que como eu, acreditavam na vitória, sentiram a mesma coisa.

 

E o que sucedeu esse primeiro momento, acredito, não foi singular a mim também. Um sentimento de frustração, uma perplexidade, uma busca desenfreada por respostas que pudessem explicar o inexplicável.

 

– Como Aécio perdeu em Minas?
– Por que o PT vence no Rio desde 1998?
– Como pôde, o PT, abrir 12 milhões de votos no Nordeste?
– Como saímos derrotados desse pleito?

 

Essas perguntas se sucederam na minha cabeça. As respostas também, mas, não eram suficientes.

 

Como ocorreu a mim, o abatimento foi geral.

 

Ouvi muita gente boa, engajada em extirpar esta corja do Poder, dizer que iria desistir do país, que ia deixar pra lá, que cada povo tem o governo que merece e que o melhor a fazer era sair do país, entre outras declarações.

 

Houve aqueles que culparam os nordestinos, outros os mineiros, alguns os cariocas.

 

Domingo fui dormir tarde, na verdade fui dormir na segunda, o relógio já marcava mais de 01h30min; já havia encontrado os meus culpados: Nordestinos, mineiros e cariocas.

 

Acordei poucas horas depois de ter ido dormir, afinal, alguém deveria pagar o “almoço grátis”, estava com nítidos sintomas de ressaca política.

 

A manhã foi avançando, as ideias se reorganizando e o baque da derrota foi passando. Como numa luta de boxe, fui acertado e jogado a lona, o árbitro abriu a contagem e naqueles “10 segundos” comecei a me recuperar para voltar ao combate. Meus “10 segundos” duraram uma noite e uma manhã, cada um tem seus “10 segundos”, não importa o tempo que leve, se um dia, uma semana ou um mês, o importante é que devemos nos recuperar, levantar a guarda e voltar a lutar.

 

Eleição é assim, não se vence de véspera e não se ganha sempre. O importante é não entregar os pontos, olhar o copo meio cheio.

 

A oposição, apesar da derrota, saiu fortalecida, diferente das outras disputas presidenciais recentes. Perdemos no detalhe, lutamos contra um Partido que tem a máquina publica ao seu favor, acontece. Devemos entender que o processo de socialização do país está em andamento e não finalizado, ainda há pelo o que lutar.

 

O que nos uniu em torno do Aécio Neves, não foi apenas o fato de enxergarmos a possibilidade de mudança, mas sim o sentimento antipetista, a preservação da família, a proteção das nossas crianças e a esperança de um futuro melhor do que o PT pode nos oferecer.

 

Foram estas coisas que uniram grupos tão heterogêneos, como os Tucanos, os Marineiros, os Liberais e os Conservadores. Todos com o mesmo ideal: Tirar o PT do Poder.

 

Camaradas, este mesmo ideal ainda me motiva hoje, talvez até mais do que antes, pensei sim, como muitos ainda pensam até agora em desistir da luta. Mas temos homens e mulheres de coragem, políticos, jornalistas, intelectuais, artistas e líderes religiosos, que ainda se dispõem a lutar por um país melhor. As vozes destes homens e mulheres devem encontrar ecos na sociedade para que suas lutas não sejam em vão. Podemos, sim, sair dessas eleições de cabeça erguida, combatemos o bom combate. Caímos, mas, caímos de pé! Com dignidade de quem enfrentou um inimigo poderoso de igual para igual. Não podemos desistir! Devemos nos manter firmes na luta, difundir nossas ideias e salvar a próxima geração.

 

Brasileiros de boa fé, não se abalem! A derrota só chega para quem ousa a lutar!

 

Encerro aqui com um trecho do Hino da Independência que me mantém firme e me motiva nesta luta: “Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil…”

 

A luta continua!

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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  • http://igrejaexaltai.com.br/ Guilherme Barauna

    Nada a acrescentar.