A incrível finalização de Jorjão Rodrigues no Brasil Fight 7

A incrível finalização de Jorjão Rodrigues no Brasil Fight 7

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Na luta principal da sétima edição do Brasil Fight, evento mineiro dos mesmos promotores do WOCS, o paraense Jorjão Rodrigues subia de categoria (de 70kg para 77kg) para enfrentar o americano Ken Jackson.

 

Contrariando minhas expectativas, a luta foi empolgante e terminou de forma espetacular. Merecia, inclusive, ter sido mais repercutida.

 

Assisti não só esta luta, mas o evento inteiro apenas dois dias depois do UFC Barueri (UFN 29), que teve como fato marcante à fraca atuação de Demian Maia contra Jake Shields – principalmente na luta agarrada, sua praia –, culminando em derrota para o brasileiro. Confesso que a expectativa para ver mais um americano, versado em Wrestling, contra um brasileiro, versado no Jiu-Jitsu, não era alta.

 

Ao descer para os meio-médios e emplacar três vitórias seguidas, com impecáveis atuações, Demian havia se tornado uma esperança brasileira no peso, porém, observava em cada atuação sua algo ainda maior. Demian propunha uma alternativa que há muito queria ver no UFC através de um grappler brasileiro: jogar no abafa, atacar primeiro, buscar e acreditar nas quedas – não só as tradicionais entradas de “baiana”, mas às de clinche, explorando o Judô. Enfim alguém havia aberto os olhos e visto a melhor forma de aplicar um grappling de excelência no UFC, com as regras do UFC – bem distintas do PRIDE, que com seus rounds de 10 minutos e sem as grades para auxiliar os fujões da luta de solo, ofertava ótima oportunidade para aqueles que buscavam trabalhar um grappling fino. Mas Shields jogou água no chopp daqueles que viram novos ares jiujiteiros pairando sobre o octógono. E o fez da pior maneira possível, amarrando.

 

(Para registro: me enraiveço mais com o amarrado do que com quem amarra, visto que é recurso válido, o oponente tem que buscar sair de tal situação.)

 

Voltando para o Brasil Fight 7, era mais uma luta onde a probabilidade de um brasileiro ser amarrado por um wrestler americano era grande. Mas Jorjão Rodrigues, outro ótimo aluno do mestre Jair Lourenço (Kimura/Nova União), surpreendeu positivamente.

 

Ken Jackson trazia na bagagem vasta experiência na “arte de derrubar os adversários e não ter suas costas coladas ao solo”. Instalado no Brasil há alguns meses e treinando na academia de Cristiano Marcelo (CM System), Jackson veio até a fonte para aprender Jiu-Jitsu e afiar seu jogo de solo. Já Jorjão é faixa-preta na modalidade e especialista na luta agarrada, apesar de ter mãos pesadas e muita raça.

 

Imaginava que o choque de estilos fosse favorecer o americano, ainda mais considerando sua maior força (Jorjão era um peso leve entre os meio-médios), apesar de ter ciência da categoria de Jorjão tanto no solo como em pé. Foi gratificante ver o brasileiro resolver a diferença de força e a supremacia do americano nas quedas, que poderia determinar onde a luta transcorreria, com o mais puro emprego da técnica. Jackson não poderia imaginar ser finalizado na posição que estava – meia-guarda do brasileiro –, mas foi. Ele não temeu o chão de um faixa-preta legítimo e pagou por isso. Com uma lindíssima “finalização de treino” (jamais imaginei ver o golpe funcionar em uma luta de MMA), Jorjão conquistou a vitória. Fosse a luta em um evento americano, ainda que pequeno, certamente concorreria entre as melhores no MMA Awards.

 

Chave de joelho reta invertida, desde a meia-guarda.

Chave de joelho reta invertida, desde a meia-guarda.

 

“Amazing!”, como dizem os americanos e provavelmente teria dito Joe Rogan se tivesse atuado na transmissão da luta.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Victor Fortunato

    hahaha esse Fernando sabe apreciar a boa arte do grappling

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Todos deveriam fazer o mesmo, o esporte seria mais belo.

      • Victor Fortunato

        ai deixaria de ser mma e viraria westler arts uhahauhauh

  • Caixa de Ferramenta

    Levei essa chave no treino de submission de um preta lá da academia.
    Só deu tempo de gritar. Estalou meu joelho na hora. Estou um mês sem treinar por causa disso. Muito perigosa essa chave e poucas pessoas conhece ela, ou pelo menos os menos graduados. Sou azul.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Realmente, é uma chave pouco conhecida e acho que por isso machuca. Você não vê ela chegando, não saca que o adversário está preparando o golpe, então acaba batendo atrasado. E pega mesmo, você, agora, bem sabe. Quando treinava eu tentava aplica-la, mas não é muito fácil não.

      Te desejo melhoras e uma volta aos treinos em breve. Abraços!

      • Caixa de Ferramenta

        Acabei de ver a ressonância. Conclusão: ruptura completa do ligamento colateral medial e outras cositas. Vou levar pra o médico mas acredito que só cirurgia resolva. Vou ter que ficar uns três meses fora pelo menos. Cheguei a conclusão que esse tipo de chave não deve feita em parceiros de treino. Apenas ensinar e repassar a posição. No rola jamais. Isso é uma posição pra fazer em MMA e não em treino. Vou treinar com o kra bonzinho e agora vou ter que fazer cirurgia? Sacanagem, ainda mais o kra sendo preta. Foda.

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Foda mesmo. Por isso que na Luta Livre, com chaves de calcanhar e perna saindo a roda, não tem essa de “treinar bonzinho”. Nunca.

          Boa sorte em todo o processo, amigo.