A História Foi Escrita Nas Ruas

A História Foi Escrita Nas Ruas

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Reservo-me o direito de festejar, de congratular o dia de hoje. Dia este o qual ficará gravado na história deste país. Eu fiz história. Nós fizemos história! A luta foi árdua, mas nunca nos pareceu que não seria. Aqui nesta mesma revista após a derrota nas eleições de 2014, disse que tínhamos lutado o bom combate, tínhamos caído, mas caído de pé, e, acima de tudo, disse que a luta deveria continuar.

 

E ela continuou. Tomou corpo e desaguou nas ruas de norte a sul deste país, num movimento sem precedentes na história nacional. Fomos às ruas dar um grito de liberdade, gritar contra os mandos e desmandos dessa quadrilha que confunde o bem público com o privado, que assalta os cofres públicos, que transfere nossas riquezas à ditaduras ao redor do mundo. Fomos mostrar que este país tinha dono, e não eram eles, éramos nós!

 

Idas e vindas marcaram todo o processo. Por vezes pareciam intransponíveis as dificuldades que nos eram impostas. Entretanto, como bons lutadores persistimos uma vez mais quando tudo parecia perdido. Afinal, não é essa a característica dos vencedores?

 

Apreensivos, torcemos e exigimos de Cunha o acolhimento do pedido de impeachment. E ele acolheu. Pelos motivos errados, é verdade. Todavia, isso não desqualifica de forma alguma a peça produzida de forma irretocável pela trinca: Miguel Reale Jr., Hélio Bicudo e Janaína Paschoal – mulher de fibra e coragem. Quantas vezes não cruzamos os dedos quando STF provocado, por dever teria que decidir? Sim, é triste um país que não confia na sua Suprema Corte. E ela balizou minuciosamente todo o processo, parecia até ter criado uma armadilha para que ele fosse anulado no futuro, e aqui devemos agradecer ao controverso Eduardo Cunha, como um hábil jogador conduziu dentro das estreitas linhas traçadas pelo STF todo processo que terminou numa sessão histórica na Câmara dos Deputados.

 

Depois de desencadeado, mais uma vez voltamos as ruas. Intuitivamente sabíamos que o bonde da história não passa duas vezes na mesma estação, era nossa única chance. Começamos ali, nas ruas, a construir um futuro melhor para as próximas gerações, a construir um novo Brasil.

 

Essa vitória é nossa. Do povo brasileiro, fiel, trabalhador, sonhador e incansável. Fomos nós que arrastamos a classe política e não o inverso. Fomos nós os protagonistas desta luta. O dia de hoje só foi possível por conta dos milhões e milhões de pequenos pássaros que exaustivamente realizaram voos rasantes, encheram o bico d’água e jogaram sobre a floresta em chamas.

 

Lutamos novamente o bom combate e dessa vez saímos vitoriosos. Nosso adversário, não. Saem do dia de hoje de cabeça baixa, humilhados. Tentaram até o apagar das luzes manobras obscuras e pouco republicanas para continuar o saque dos bens públicos. Se apegaram desesperadamente a cada possibilidade golpista de se perpetuar no poder. Saem hoje do poder para entrar na lata de lixo da história!

 

Hoje é dia de festa, sim, mas amanhã é de trabalho. Temos que vigiar este novo governo que já nasce marcado pela Lava-Jato. Devemos nos manter vigilante quanto a política, mas precisamos especialmente combater onde essa luta será decidida: na sociedade. Não podemos nos furtar ao debate. Temos que ser, cada um de nós, uma trincheira a frente de cada um que tentar doutrinar e propagar inverdades e ideologias perversas.

 

Vencemos o PT, mas não a Esquerda. Ela continua na política, reorganizada em outros partidos e, principalmente, ocupando os mesmos postos na sociedade civil. Precisamos ocupar espaços nas universidades, redações de jornais, editoras e onde mais for preciso para contrabalancear esse jogo. Uma minoria organizada não pode continuar a nos subjulgar. Essa guerra será vencida não hoje, não amanhã, não agora. Talvez, nós que fizemos história, não vejamos o triunfo final, mas precisamos nos organizar, estudar e lutar dia após dia neste longo caminho que temos pela frente.

 

Hoje, um sopro de esperança varreu esta terra. E aqui estou disposto a lutar por cada palmo, cada milímetro sem abrir mão da ética e moralidade, disposto a fazer deste país uma imensa nação. Disposto a entregar aos meus filhos um Brasil muito melhor do que recebi dos meus pais. Um Brasil do tamanho que ele merece ser!

 

#AEsperançaVenceuOMedo

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Um debatedor de ideias. Tem uma direita potente e um queixo duro nos debates. Acredita em tudo que seus olhos podem ver. E, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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