A França, o terror e os garotos perdidos do Brasil

A França, o terror e os garotos perdidos do Brasil

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Paris, outrora cidade luz, agora, cidade do luto, das trevas. Um lugar que cultua as artes e que foi o berço de grandes artistas cedeu espaço aos artífices do terror. A cidade que é marcada por sua beleza inquestionável, recebeu a marca do choro e da dor. Louvre, Torre Eiffel, Champs-Élysées, Arco do Triunfo e Notre-Dame, todos fechados pelo medo numa cidade manchada pelo sangue. O palco do romance, da paixão e do belo teve (talvez) sua experiência mais trágica com o horror do fanatismo, com a presença indissociável da morte.

 

Um povo que se deixou seduzir pelo multiculturalismo recebeu a dor do luto como agradecimento. Governantes que se negaram a ver o Charlie Hebdo como o presságio de uma guerra viram sua população ser covardemente assassinada, sem que pudessem fazer absolutamente nada. Líderes que ignoraram os perigos de trazer outros povos (e, por consequência, outras culturas) para dentro de sua própria casa, viram de perto que nem todo lugar no mundo respeita a liberdade, fraternidade e igualdade; viram que a paz mundial não pode ser obtida por uma declaração de respeito e tolerância unilateral.

 

Quando lidamos com terrorismo, fica clara a distinção entre quem vive no mundo real e quem parece viver em um mundo ilusório, repleto de fantasias. O problema é que a ilusão pode custar caro: mortes, dor e sofrimento. Se ainda não tinha ficado claro, o Estado islâmico fez questão de deixar suas intenções bem cristalinas. O que fizeram não foi um ato isolado arquitetado por um grupinho de fanáticos; foi (mais) um ato de guerra. Guerra não à França somente, mas guerra ao Ocidente. Foi um sinal claro de que eles não toleram o nosso estilo de vida, os nossos valores e conceitos, nossas liberdades; antes, seu objetivo maior é eliminar os “infiéis” e isso inclui todos nós.

 

Eu espero que o ocidente encare tudo isso de uma maneira completamente diferente do que os brasileiros. Quando se trata de viver na ilusão, no sonho impossível imaginado por John Lennon, nosso país, infelizmente, ganha disparado. O Brasil parece habitado pelos garotos perdidos da história do Peter Pan. Gente que se nega a crescer e encarar a realidade. “Hipócrita! Você ora por Paris, mas não por Mariana”; “não ore por Paris, a culpa é de todas as religiões”; “nem todo muçulmano é terrorista. Mais tolerância, por favor!; “a culpa é da França que atacou primeiro a Síria”, vociferam eles, certos de que são os verdadeiros senhores da razão.

 

Desculpem-me, meninos, mas vocês não enxergam o óbvio. Eu posso me comover com Mariana e Paris ao mesmo tempo mas, (é óbvio que) o caso parisiense é um prenúncio de guerra mundial e, portanto, mais importante (sim!) do que o caso mineiro. Além disso, será mesmo preciso explicar que jihadistas não precisam de convite ou provocação para atacar alguém, que suas ações são justificadas por sua “fé”? E, claro, é ridículo ser obrigado a explicar que não são todas as religiões que dizimam os “infiéis”, não respeitam a crença alheia e destroem os países onde se fazem presentes. É um absurdo colocar a religião mais perseguida e, pasmem, pacífica do mundo, o Cristianismo, no mesmo saco do Islamismo.

 

Como menino crescido que sou, garotos bobinhos do Brasil, tenho compromisso apenas com a realidade. E quando olho para ela, a minha dor é pela morte de pessoas reais, inocentes que foram covardemente assassinados; a minha preocupação é com a ameaça global que o Estado islâmico hoje representa e com a ausência de um líder forte para unir o ocidente e combater esse perigo. Parem de se enganar! Cantar Imagine e se embriagar na esperança de um mundo perfeito não vai resolver o problema. Antes, vai permitir que o terror avance e destrua o que restou do ocidente.

 

Nota do autor: se você não está convencido de que o islã não é uma religião de paz, leia esse texto.

Pedro Henrique Franco
Pedro Henrique da Rocha Franco, nascido em 1991. Cristão, amante da leitura e apaixonado por futebol.

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  • Daniel Tavares

    Não concordo! Devemos sim olhar para os nossos com o devido respeito. Devemos sim lutar pelos nossos, pois só assim estaremos lutando pelo futuro do nosso país. A França não está lutando pelo futuro do mundo e sim pelo futuro dos seus. Em todo caso, se houvesse uma Terceira Guerra Mundial, não há garantias de quem ficara ao lado de quem. Então por que não lutar pelos seus? Os meus estão em Mariana (MG), Brasil.

    • Pedro

      É ingenuidade achar que o Estado Islâmico (EI) representa uma ameaça somente para a França. Inglaterra e Alemanha, por exemplo, reconheceram que os atentados poderiam ter ocorrido em qualquer lugar da Europa.

      O EI representa uma ameaça ao ocidente como um todo. Nós fazemos parte do ocidente, então, é óbvio que devemos nos preocupar com isso. Não se trata de prestar solidariedade aos franceses apenas, mas de se preocupar também com o futuro de nosso povo.

      Sobre Mariana, veja bem, não disse que não me preocupava, mas disse (e repito) que os atentados terroristas são mais importantes. Não há como comparar um acidente fruto de negligência com a ação deliberada de terroristas.

      • Pedro

        E só mais um detalhe, Daniel. Caso não tenha ficado claro no texto e na primeira resposta, não se trata de uma escolha “eles ou nós” como você colocou. Me solidarizo com Mariana (como já disse) e com os franceses, mas reconheço nos atentados um perigo MUITO maior do que no caso de Minas…