A estreia do tatame
8Em 2010 comecei minha trajetória no mundo das lutas. O objetivo era largar a vida sedentária e me tornar um atleta, ainda que amador. Desde então, além de muito treino e algumas medalhas, acumulei também boas histórias. O sufoco nos primeiros treinos, a primeira competição, o primeiro revés, o tenso dia da graduação e até uma subida ao cume da Pedra da Gávea, puxada pela motivação da Luta.
Momentos incríveis que pretendo contar futuramente, pois para hoje reservei uma história bem peculiar: a estreia do meu humilde dojo (gosto de forçar um pouco e chamar de dojo, mas é apenas um tatame).
Montagem
As caixas chegam até a casa dos meus pais, local onde consegui a permissão de montar o tatame. O espaço lá é assim: o terreno é grande, na frente tem a casa onde meus pais moram – antiga residência dos meus avós – e atrás algumas quitinetes para alugar e um mini prédio com dois apartamentos. O primeiro apartamento está vazio, sem inquilino, é nele que vamos montar o tatame, mais especificamente no quarto.
Quando decidi comprar o tatame, pensei em adquirir as placas separadas, porém, depois de medir o espaço disponível, descobri que no Netshoes tinha um tatame exatamente do mesmo tamanho.
Então quando as caixas chegaram foi fácil, eram nove placas e mais os cantinhos, tive que cortar apenas três placas para adequar perfeitamente. Usamos os cantinhos para fechar as brechas entre o tatame e a parede, resultado, todo o chão do quarto forrado, como queríamos.
Hora de treinar
Era domingo e esse processo de montagem foi feito por minha esposa, meu irmão, Rodrigo Cotton, e eu. Na verdade eu meio que apenas supervisionei as coisas, foi o Cotton que fez todo o trabalho pesado e depois acabou indo à forra.
Para estrear o tatame resolvemos treinar. Eu, com quatro aulas de luta livre esportiva, porém maior e mais pesado, e o meu irmão mais novo, um faixa-azul de jiu-jitsu que já estava parado há pelo menos dois anos. O que vocês acham que aconteceu?
Bom, primeiro nós fizemos um aquecimento, que pode ser classificado como forte em relação as minhas condições físicas naquele momento, mas tudo bem, passou. Depois o Rodrigo me mostrou algumas posições que ele lembrava, quer dizer, que ele custou para lembrar (eita memória ruim). Nada demais, basicão mesmo, raspagem “tesourada”, empurrando o joelho… Cotton sempre foi guardeiro.
Agora a pior parte, aproveitando todo aquele ânimo que o novo ambiente propiciava, e dotado de um ímpeto de novato que não é nada bom, eu quis um treino a vera, não um rolinha, fight mesmo, começando em pé.
Vamos aos fatos da “luta”
Nenhum de nós tinha base em pé para trocar boas quedas, mas também não somos molengas que caem à toa, por isso ficamos algum tempo em pé trocando pegadas. Minha esperança era derrubar e jogar por cima, um iniciante contra um azul de BJJ, que apesar de ser mais leve, é melhor e mais experiente, a única opção na minha cabeça era jogar por cima. Ele puxou para a guarda, pensei: Ótimo! Mas poucos segundos foram suficientes para descobrir que eu não estava confortável na posição, fui raspado com uma técnica que força a cabeça do adversário no seu peito (plexo), doeu a bessa.
Eu não conhecia e nem esperava isso, na verdade até ajudei a raspagem – ele aplicou a pressão com a cabeça no meu plexo e fui caindo para trás para soltar, muita dor, tenso! Fiquei um tempo em baixo e explodi, meio que na força mesmo, voltamos em pé, fui com tudo atrás da queda e consegui derrubar na ogrisse!
Tudo isso naquele espacinho que vocês viram na foto acima, movimentação intensa e eu já cansado. Caí na guarda fechada e só queria descansar, mas o meu irmão fez valer a faixa que tem e encaixou um arm-lock lindo, bati! Parabéns Cotton, me aguarde!
E a revanche?
Ele, claro, não quis mais treinar, fugiu para continuar na boa e me zoando (de leve). Eu não fiquei chateado, é importante que percebam que foi tudo na maior paz, inclusive, nossos pais estavam vendo os filhos “se pegarem”, porém não posso negar que teve algumas pitadas de rivaldade entre irmãos.
Gostei da “brincadeira”, só me motivou a treinar mais forte, não para pegar o meu irmão menor, mas para fazer um rola legal da próximo vez, trabalhar a técnica em detrimento da força e o que mais acontecer é consequência.
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