A decadência da Fórmula 1 no Brasil

A decadência da Fórmula 1 no Brasil

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Acompanhando a fórmula 1 nos tempos contemporâneos, vejo que a popularidade está em baixa. Inclusive no meio em que convivo: de pessoas que gostam ou assistem as corridas.

 

Podemos atribuir o descrédito no gosto popular há alguns fatores: Alguns anos de temporadas com absoluta hegemonia dos carros “energéticos” (Red Bull); a supremacia do jovem piloto alemão que sucedeu a carreira de sucesso um outro alemão mais famoso na categoria; e, de maior agravo, a ausência de grandes duelos e falta de pilotos brasileiros na disputa.

 

Verdade seja dita, o brasileiro não tem um esporte favorito (salvo o futebol), brasileiro gosta é de vencer e isto sempre ficou claro. O grande período de popularidade da Fórmula 1, no Brasil, deve-se a isso, começando por Emerson Fittipaldi, quando começou sua carreira em 1970. Já em seu ano de estreia o piloto conseguiu sua primeira vitória, atraindo a atenção mundial e também da televisão brasileira. No ano seguinte, 71, o principal campeonato mundial de automobilismo torna a ser transmitido por aqui e o talentoso Fittipaldi se torna campeão mundial.

 

Emerson Fittipaldi, o homem que abriu as portas da Fórmula 1 no país.

Emerson Fittipaldi, o homem que abriu as portas da Fórmula 1 no país.

 

Pronto! Começa a história do Brasil na Fórmula 1. Porém, para o público brasileiro, era tudo muito novo, mas tendo um brasileiro vencendo, valeria a pena acompanhar este desconhecido evento. No decorrer dos anos, mais um campeonato é conquistado (74), e logo em seguida, no início dos anos 80, outro piloto brasileiro, Nelson Piquet, chega à F1. Período que eu acredito que a Formula 1 começa a ter sua real popularidade em terras tupiniquins.

 

Posso afirmar que o período Fittipaldi foi de conhecimento e, na era Piquet, veio a consolidação, pois a torcida já conhecia e acompanhava o esporte.

 

Nessa geração – anos 70 e 80 – haviam outros pilotos brasileiros competindo na categoria e conquistando vitórias. Ou seja, se via opções para quem torcer e sempre tendo um brasileiro na ponta.

 

Caramba! Temos gente brasileira competindo e vencendo os melhores do mundo, como Jack Stewart, Niki Lauda, James Hunt, Mario Andretti, Keke Rosberg, Allan Pros, entre outros. Estava saindo melhor que se podia imaginar, e falamos de uma época onde o piloto fazia a maior diferença nos carros. Nada de eletrônica intervindo e auxiliando a dirigibilidade. Além dos riscos que existiam, pois os pilotos eram muito mais expostos – as baratas voavam e a segurança era muito frágil.

 

Voltando aos anos 80, período que defino como “anos dourados”, temos a ascensão de Piquet, com os seus três títulos mundiais (81, 83 e 87), e no meio dessa trajetória surge mais uma estrela no circo da Fórmula 1, Ayrton Senna.

 

Não tinha como ser melhor, o mundo referenciando o talento de pilotos brasileiros, ficando claro o número de pilotos brasileiros que aumentou significa mente, nas categorias de base europeia, quanto na própria Fórmula 1.

 

Época boa, pois havia rivalidade nas pistas, lembrando o futebol. Como um Fla x Flu, pois Piquet e Senna dividiam a atenção da torcida brasileira, fazendo as pessoas acompanharem as corridas em bares, com a família e de madrugada. Nessa briga, mais três títulos para o Brasil, conquistados pelo gênio Ayrton Senna (88, 90 e 91).

 

Nesta época se tornou um hábito parar em frente à TV e assistir as corridas nas manhãs de domingo. Porém todo esse hábito foi perdido após 1994. Ficou clara a queda de audiência nas corridas, nos dois anos seguintes, pós Era Senna.

 

Piquet já havia se aposentado na categoria e ficou para a nova geração ter que cobrir a ausência de Senna. A expectativa não foi correspondia e a nova geração, que era promissora, com Rubens Barrichello e Cristian Fittipaldi, foi ao declínio. Ambos não conseguiram manter os resultados brilhantes, marcados anteriormente em outras categorias, e de certa maneira acho que esta pressão, que certamente influenciou no desempenho de ambos, foi até de injusta. Mas como havia dito antes, brasileiro gosta é de vencer.

 

Hoje somente acompanha F1 quem realmente gosta do esporte, pois o público parece não acreditar mais em quem está disponível para torcer – Felipe Massa já caiu na descrença do público. E não temos uma grande promessa brasileira, para a próxima geração. Isso fica claro por termos atualmente apenas um único brasileiro no grid.

 

Mas toda essa queda de audiência não foi exclusiva do Brasil, já que atualmente geramos a maior audiência nas transmissões das corridas, sendo a TV Globo a única emissora de TV aberta a fazer as transmissões.

 

Após Maio de 1994 começou uma nova era para a Fórmula 1, onde surgiu o maior campeão da categoria em números de títulos e outros tantos campeões. Mas posso dizer, sem sombra de dúvidas, que a F1 nunca mais foi a mesma.

Leandro Soares da Costa
Trabalhador e estudante de jornalismo. Reverencia a imprensa imparcial e é apaixonado por esportes, tanto futebol quanto corridas.

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  • Anderson

    Leandro, só discordo quando vc diz que não existe uma boa promessa:
    Felipe Nars, Pietro Fantin e Nicolas Costa são alguns nomes muito bons.
    Só que tem uma grande detalhe que você não abordou no texto pq não fazia parte da temática. A F1 hoje funciona na base de patrocínios e o piloto entra pelo patrocínio e não por ser um bom piloto somente(Por vezes as cifras falam mais alto que o talento).

    Agora sobre a decadência no brasil, como vc falou brasileiro gosta de título e ponto.

    Agora lá fora eu já não sei, acredito que seja pelo que eu falei acima sobre dinheiro x taleto. Pois enquanto a F1 cai as outras categorias que são niveladas pelo talento tem ganhado muito destaque! O fato disso é eles passarem GP2, GP3, Le Mans e outras…

    Abraço

    • Leandro Soares da Costa

      Anderson, de fato esses nomes citados por você, são nossas principais promessas no automobilismo internacional. Mas eu sou mais contido, e prefiro aguarda mais. A final de contas, além de Barrichello e Cristian Fittipaldi, também tivemos Ricardo Rosset, Pedro Paulo Diniz, Enrique Bernoldi, Ricardo Zonta, Cristiano da Matta e Luciano Burti. Todos promessas para despontarem na categoria, o que não aconteceu.
      Falta de talento? Acredito que não. Mas sem dúvidas não tiveram boas oportunidades, ou estavam no lugar e no momento errado.
      Sobre o lado financeira falar mais alto, atualmente nesse esporte. Concordo plenamente com você, mas em partes. Pois a F-1 é um esporte caro, o que exige de recursos, mas isso não é de hoje.
      Ayrton Senna já comentava a respeito de ver pilotos pagantes na categoria, e que muitas vezes, pagavam para correr em equipes pequenas, onde não conseguiriam grandes destaques. Fora os risco que o esporte oferecia.
      Esta entrevista, foi realizada em 86, no programa “Roda Viva”.

      Obrigado pela sua participação!

  • Joner Garcia

    Só li verdades, apesar de meu conhecimento limitado e herdado do meu pai, vejo que está longe do Brasil espremer as mãos na torcida automobilística, se não for por um ídolo internacional.