A culpa é de quem?

A culpa é de quem?

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Não. A culpa nem sempre é do cliente. As vezes, a maldita culpa pode ser todinha da própria agência. Brincamos muito lá na página que o cliente surta, nos dá trabalho além do pago, que ele é responsável pela nossa depressão. Mas Sociais, vocês já pararam para pensar que a maioria dos problemas do nosso lindo trabalho vem de dentro de casa? Que a maioria das furadas que nos metemos são patrocinadas pelo coleguinha da sala ao lado?


Eu trabalhava em uma agência não muito grande, mas reconhecida por suas contas de prestígio (risos). Duas semanas antes do Carnaval o telefone da minha gerente toca e um sonoro “Como assim?” ecoou por toda a sala. É claro que uma reunião daquelas que não servem para nada tomou algumas sagradas horas do meu dia, com um empurrando a merda para a descarga do outro. A merda: o cliente encomendou no NATAL uma campanha para o CARNAVAL e duas semanas antes, nada pronto. Razão? O atendimento “esqueceu” de nos avisar – #TodasChoraSangue.


Minha vida de estrela da música pop, social media, não está fácil.

Minha vida de estrela da música pop, social media, não está fácil.


Foram duas semanas de tumulto e pedidos na Domino’s depois das 22h. Toda agência se mobilizou e com a graça de Sto. McLuhan tudo saiu no prazo. Ficou ótimo? Não. A campanha foi uma porcaria – secretamente já prevista por todos. Resultados ridículos para um potencial imenso que a marca tem. Mas é isso aí… Fizemos em duas semanas o que deveríamos ter feito em 12. A culpa é de quem? De um preconceito idiota de planejamentos, atendimentos, criações e eteceteras que insistem em tratar o novo setor da agência como “aquela molecada que acabou de sair da faculdade”.


Oi, eu sou o Atendilento e sem mim vocês não trabalham, resto da agência.

Oi, eu sou o Atendilento e sem mim vocês não trabalham, resto da agência.


Fique claro: não quero buscar problemas dentro da agência nem estou pedindo a paz mundial, só acho que ninguém se tocou que a maioria das nossas depressões poderiam ser evitadas se fossemos mais respeitados e tratados com a importância que temos, nem que essa importância seja só em um jobzinho. Fica a sugestão de reflexão para o próximo café, resto da agência.